O Último Rio da Lua

Capítulo 2 — A Caída do Anjo Metálico

por Danilo Rocha

Capítulo 2 — A Caída do Anjo Metálico

A jornada de Luna em direção aos destroços da nave não foi longa em distância, mas foi árdua em cada passo. A terra era irregular, pontilhada por crateras e resíduos de antigas estruturas, lembretes silenciosos da degradação ambiental que havia tornado aquele planeta um lar hostil. O ar era carregado com o cheiro acre da queima de componentes eletrônicos, um aroma que, para Luna, se misturava ao cheiro familiar da poeira e do metal enferrujado.

Quando ela se aproximou, a magnitude do impacto se revelou. A nave, antes um objeto reluzente e futurista, agora era uma carcaça retorcida e fumegante. Partes de seu casco metálico, de um tom prateado que parecia ter sido banhado pela própria luz lunar, estavam espalhadas por um raio considerável. O que restava da estrutura principal jazia inclinada em um ângulo precário, com fendas profundas que revelavam a complexidade de sua engenharia interna, agora exposta à crueza do ambiente. Um rastro de destruição marcava o solo, como se um gigante tivesse arrastado seu corpo pela paisagem árida.

Luna parou a uma distância segura, os olhos arregalados. A beleza trágica da nave destruída a hipnotizava. Era um espetáculo de tecnologia alienígena, um vislumbre de um universo que parecia inatingível. Ela se sentiu pequena, insignificante diante daquela demonstração de poder e fragilidade.

"Olá?", ela chamou, a voz hesitante, quase engolida pelo rugido persistente do vento. Nenhum sinal de resposta. O silêncio, pontuado apenas pelos estalos do metal esfriando e pelo uivo do vento, era ensurdecedor.

Com cautela, ela se aproximou ainda mais, contornando os pedaços de metal espalhados. Seus sapatos gastos, feitos de borracha reciclada, mal faziam barulho na terra batida. Ela notou um grupo de homens se aproximando à distância, liderados por Jonas. Ele a avistou e fez um sinal de repreensão, mas Luna já estava perto demais para voltar.

"Luna! Eu disse para você ficar em casa!", Jonas rosnou assim que alcançou a borda da área de impacto. Ele olhou para a nave, a preocupação em seu rosto se intensificando. "O que diabos aconteceu aqui?"

"Eu não sei, Jonas. Eu vi a luz e vim ver o que era." Luna tentou parecer inocente, mas sabia que sua curiosidade a colocara em risco.

Enquanto Jonas e seus homens examinavam a estrutura com desconfiança, um dos rapazes, um jovem chamado Kael, apontou para uma fenda na lateral da nave. "Tem alguma coisa ali, chefe! Um movimento!"

Todos os olhares se voltaram para o local indicado. Luna sentiu um frio na espinha. Um sobrevivente?

Jonas se aproximou com cautela, empunhando um pedaço de metal como arma improvisada. "Quem está aí? Apareça!"

Um gemido baixo respondeu. E então, de dentro da fenda, surgiu uma figura. Não era um homem, nem uma mulher, mas algo que Luna nunca vira antes. Era humanoide, sim, mas com uma graça e uma elegância que não pertenciam àquele mundo árido. Sua pele, de um tom pálido e translúcido, parecia emitir um brilho suave. Seus olhos, grandes e amendoados, eram de um violeta profundo, refletindo a pouca luz que incidia sobre eles. Usava um traje de material escuro e flexível, que parecia moldado ao seu corpo, mas que agora estava rasgado e manchado de fuligem.

A criatura parecia ferida. Sua respiração era superficial, e ela se apoiava em uma das paredes internas da nave, com o corpo trêmulo. Ao ver os rostos curiosos e desconfiados ao seu redor, seus olhos violetas se arregalaram em um misto de medo e surpresa.

Luna sentiu uma pontada de compaixão. Por mais estranha que fosse, a criatura estava claramente em apuros. "Ela está ferida", Luna disse, dando um passo à frente, ignorando os olhares de advertência de Jonas.

Jonas hesitou. A prudência ditava cautela. Eles não sabiam nada sobre essa… coisa. Mas a fragilidade exposta da criatura era inegável. "Precisamos ter cuidado. Pode ser perigoso."

A criatura tentou se mover, mas um espasmo de dor a forçou a soltar um lamento abafado. Ela olhou para Luna, e por um instante fugaz, Luna sentiu uma conexão, um reconhecimento mudo.

"Deixe-me ver", Luna insistiu, aproximando-se lentamente. Ela observou os ferimentos: um corte profundo no braço, um hematoma escuro na testa. Nada que parecesse mortal, mas claramente doloroso.

Com a permissão hesitante de Jonas, Luna se ajoelhou ao lado da criatura. Ela tirou seu cantil e ofereceu um pouco de água. "Beba", ela disse suavemente.

A criatura olhou para a água com hesitação, depois para Luna, como se buscando aprovação. Finalmente, ela pegou o cantil com as mãos delicadas e bebeu um gole. Sua expressão de dor pareceu diminuir ligeiramente.

"Meu nome é Luna", ela disse, apresentando-se. "Eles são os moradores de Nova Aurora."

A criatura piscou lentamente. Sua voz, quando finalmente falou, era como o tilintar de sinos distantes, suave e melódica, mas carregada de uma tristeza profunda. "Eu sou Lyra."

O nome ressoou estranhamente familiar para Luna. "Lyra… é um belo nome."

Lyra olhou ao redor, para a paisagem desolada, para os rostos curiosos dos moradores. "Onde… onde estou?"

"Este é o planeta que chamamos de Terra", respondeu Jonas, sua voz ainda tensa. "E você caiu aqui. O que aconteceu com sua nave?"

Lyra apertou os olhos, como se estivesse tentando acessar memórias distantes e dolorosas. "Fomos atacados. Uma emboscada. Nossa nave… eles a danificaram. Tivemos que fazer um pouso de emergência. Mas eu… eu fui atingida." Ela tocou o braço ferido, seu rosto pálido contraindo-se em dor.

Luna notou a forma como Lyra falava, com uma clareza impressionante, apesar da aparente falta de familiaridade com a língua. Era um dialeto que Luna nunca ouvira, mas que, de alguma forma, ela conseguia entender. Era como se as palavras se traduzissem diretamente em sua mente.

"Quem atacou vocês?", Luna perguntou, sentindo uma onda de indignação misturada à curiosidade.

"Não sei. Eram rápidos. Usavam armas de energia desconhecida. Destruíram nossos escudos e atingiram nossos motores principais." Lyra parecia exausta, sua voz enfraquecendo. "Preciso… preciso de ajuda."

Jonas trocou um olhar com seus homens. A situação era complexa. Uma nave alienígena caída, um ser desconhecido ferido. O medo de uma invasão, de uma ameaça, era palpável. Mas também havia a compaixão, e a oportunidade de obter conhecimento, talvez até mesmo tecnologia que pudesse melhorar suas vidas miseráveis.

"Podemos cuidar dos seus ferimentos", Jonas disse, relutantemente. "Mas você terá que nos dizer quem é e por que está aqui."

Lyra assentiu fracamente. "Eu… eu não sou uma ameaça. Vim em paz. Mas fui traída."

Luna olhou para o mapa em sua mão. A linha vermelha, o Rio da Lua. Poderia Lyra ter alguma ligação com isso? Ela se perguntou se deveria mencionar seu mapa, mas decidiu esperar. Primeiro, precisava ajudar Lyra.

Enquanto Jonas e seus homens se organizavam para tentar resgatar Lyra da fenda, Luna permaneceu ao lado da criatura. Ela sentiu uma estranha afinidade, uma empatia que ia além da simples compaixão. Lyra, com sua aparência etérea e sua voz melancólica, parecia carregar um fardo semelhante ao de Luna. Um fardo de perda, de busca e de uma esperança frágil em um mundo cruel.

Ao observarem a nave destruída, um anjo metálico que caiu do céu, Luna sentiu que sua própria jornada estava apenas começando. A queda de Lyra, tão inesperada quanto a chegada de uma estrela cadente, havia aberto uma nova porta, um caminho incerto que se estendia para além das fronteiras de Nova Aurora, para além da própria Terra. E no fundo de seu coração, Luna sentiu que aquele encontro, por mais perigoso que fosse, era um presságio. Algo grandioso, e talvez terrível, estava prestes a acontecer.

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