O Último Rio da Lua

Capítulo 9 — O Coração da Floresta Viva e o Sacrifício do Guardião

por Danilo Rocha

Capítulo 9 — O Coração da Floresta Viva e o Sacrifício do Guardião

A pressão aumentava. A energia caótica do Vale Sombrio se intensificava a cada pulso da máquina da Aurum, forçando a barreira azul de Helena ao limite. Ela sentia as tentações sombrias da energia tentando se infiltrar em sua mente, sussurrando dúvidas, amplificando seus medos. A arrogância de Silas Thorne, o brilho destrutivo em seus olhos, a profanação de um lugar que ela agora sentia ser sagrado, tudo isso a impulsionava, mas a exaustão era palpável.

Anya lutava bravamente ao seu lado, seus disparos de laser abatendo os monstros corrompidos que ousavam se aproximar, mas eram muitos. O chão tremia com a atividade frenética das máquinas, e o ar se tornava cada vez mais difícil de respirar. Helena fechou os olhos por um instante, buscando a conexão com a Água Lunar dentro de si, mas a cacofonia de energia e desespero parecia obscurecê-la.

"Não podemos segurar por muito tempo!", Anya gritou, sua voz tensa. "Precisamos recuar, Helena. Reagrupar com Kael!"

Helena sabia que Anya estava certa. Continuar ali seria um suicídio, um sacrifício inútil. Mas a imagem de Thorne, vitorioso, manipulando aquela energia destrutiva, acendia uma fúria fria em seu peito. Ela não podia simplesmente fugir. Elias não teria fugido.

"Não!", Helena respondeu, sua voz embargada, mas firme. "Não vamos recuar. Precisamos encontrar a fonte dessa energia. Kael disse que o Vale é vivo. Talvez a floresta tenha um coração, um centro que possamos alcançar."

Anya olhou para ela com espanto, mas também com uma centelha de esperança. "Uma floresta viva? Nunca ouvi falar disso."

"Mestre Elias estudou lendas sobre a conexão entre a energia e a vida", Helena explicou rapidamente, o conhecimento adquirido com a Água Lunar emergindo em sua mente. "Essa energia... ela não é apenas bruta. Ela tem uma consciência. E se pudermos alcançá-la, talvez possamos convencê-la."

Thorne, de sua tenda de comando, observava a cena com um divertimento cruel. Ele via a luta de Helena, a sua exaustão, e sabia que ela estava em desvantagem. Ele não acreditava em florestas vivas ou em energias com consciência. Para ele, tudo era matéria a ser explorada e controlada.

"Que patético", Thorne murmurou para si mesmo. "Acreditando em contos de fadas enquanto o futuro está sendo forjado aqui. Que venham os monstros. Mais matéria-prima para o meu império."

Com um esforço supremo, Helena intensificou sua barreira, empurrando os monstros para trás com uma onda de luz azul. Anya aproveitou a oportunidade e disparou um raio concentrado contra um dos cabos principais que alimentavam a máquina central, causando uma pequena explosão e uma breve interrupção na extração de energia.

"Agora!", Helena gritou. "Para dentro da floresta!"

Elas correram em direção à densa mata que margeava o acampamento, um local que Thorne e seus homens pareciam evitar, talvez por superstição, talvez por um medo instintivo daquela energia que eles mal compreendiam. A floresta era diferente de tudo que Helena já vira. As árvores eram antigas, com troncos grossos e retorcidos que pareciam abraçar o céu. As folhas emitiam um brilho tênue e pulsante, como se a própria seiva que corria em seus veios fosse luz. O ar aqui era mais limpo, embora ainda carregasse um toque da energia caótica do Vale.

Enquanto adentravam a floresta, Helena sentiu a energia do Vale se transformar. A pressão diminuiu, e em seu lugar, uma sensação de calma, de profunda sabedoria, começou a envolvê-la. Era como se a própria floresta estivesse a acolhendo, a protegendo da corrupção do acampamento.

"É aqui", Helena sussurrou, maravilhada. "A floresta... ela está viva. Ela está se defendendo."

Anya observou ao redor, seus olhos arregalados. "Eu nunca vi nada assim. É... mágico."

"Não é magia, Anya", Helena corrigiu suavemente. "É a essência da vida, a energia primordial que meu pai estudou. A Água Lunar é um reflexo dessa energia, mas aqui, ela é a fonte."

Elas caminharam mais fundo na floresta, guiadas por uma intuição que parecia emanar das próprias árvores. Os sons do acampamento da Aurum foram gradualmente abafados, substituídos pelo sussurro do vento entre as folhas luminescentes e pelo suave zumbido de insetos invisíveis. Helena sentiu sua própria energia se renovar, a Água Lunar em seu interior respondendo à força vital da floresta.

E então, elas chegaram. Em uma clareira circular, no coração da floresta, havia uma árvore colossal, muito maior e mais antiga do que todas as outras. Seu tronco era coberto por runas antigas que brilhavam com uma luz prateada, e em seu topo, um aglomerado de cristais translúcidos pulsava com uma luz azul intensa, muito semelhante à da Água Lunar. Era ali, Helena sabia, que residia o coração da floresta.

De repente, uma figura surgiu das sombras ao lado da árvore. Era Kael, seus olhos azuis cheios de preocupação e determinação.

"Helena! Eu senti a perturbação. O que está acontecendo?", ele perguntou, sua voz tensa.

"Silas Thorne está aqui, Kael", Helena respondeu. "Ele está tentando extrair a energia da floresta. Anya e eu conseguimos contê-lo por um tempo, mas ele é implacável."

Kael olhou para a árvore imponente, seus olhos arregalados de reconhecimento e reverência. "O Coração da Floresta Viva... Eu sabia que existia, mas nunca imaginei que seria tão... poderoso." Ele se voltou para Helena, sua expressão séria. "Thorne não entende o que está fazendo. Essa energia, quando forçada, se torna destrutiva. Ele vai desencadear um cataclismo."

"É por isso que precisamos detê-lo", Helena disse, sentindo uma resolução inabalável. "E eu acho que sei como."

Ela se aproximou da árvore colossal, sentindo a energia vibrar em suas mãos. "A Água Lunar é a memória da vida. Esta floresta é a vida em sua forma mais pura. Se eu puder harmonizar as duas energias, talvez possamos acalmar a força que Thorne está liberando."

Kael a observou com admiração. "Você está pronta, então. Elias confiaria em você."

Helena assentiu, respirou fundo e colocou as mãos sobre o tronco brilhante da árvore. Ela fechou os olhos, concentrando-se na Água Lunar dentro de si, visualizando-a fluindo, se conectando com a energia vital da floresta. Uma luz azul intensa emanou de suas mãos, envolvendo a árvore em um abraço luminescente.

No acampamento da Aurum, Thorne rugiu de frustração. Sua máquina havia parado de funcionar abruptamente, e a energia caótica que ele estava tentando controlar parecia ter sido absorvida, dissipada. "O que está acontecendo?! Encontrem a fonte!"

Enquanto Helena canalizava a energia, ela sentiu a força de Thorne resistir, tentando invadir a harmonia que ela criava. Era uma batalha silenciosa, travada no plano da energia pura. A floresta respondeu ao seu chamado, suas folhas luminescentes pulsando em sincronia com a luz que emanava dela.

Mas o esforço era imenso. Helena sentiu sua própria energia se esgotar, a luz azul começando a diminuir. Ela sabia que não poderia manter aquela conexão por muito tempo. E então, ela viu. Na base da árvore colossal, escondido entre as raízes, havia um pequeno dispositivo, um emissor de energia que Thorne havia plantado. Era ele que estava corrompendo a energia da floresta, amplificando-a em uma força destrutiva.

"O emissor!", Helena gritou, sua voz fraca. "Kael, destrua o emissor!"

Kael entendeu imediatamente. Ele correu em direção à árvore, mas Thorne e seus homens, tendo percebido a fonte da perturbação, também estavam se movendo.

"Não deixem que eles cheguem lá!", Thorne ordenou, seu rosto contorcido de raiva.

Uma luta desesperada começou na clareira. Anya e os poucos aliados que ela trouxera lutavam contra os soldados da Aurum, enquanto Kael tentava alcançar o emissor. Helena, enfraquecida, mas determinada, mantinha a barreira de luz, protegendo Kael e a árvore.

Kael finalmente alcançou o emissor, uma pequena caixa metálica pulsando com uma luz avermelhada. Ele tentou arrancá-lo, mas estava firmemente preso. Os soldados da Aurum se aproximavam, suas armas laser apontadas para ele.

Em um ato de desespero e coragem, Kael agarrou o emissor com as duas mãos e, com toda a sua força, o arrancou das raízes da árvore. A energia caótica explodiu em suas mãos, um relâmpago de dor e fúria. Ele gritou, um grito que ecoou pela floresta, e então, com um último esforço, jogou o emissor para longe, em direção ao acampamento da Aurum.

O emissor explodiu em uma bola de fogo, desativando as máquinas de Thorne e mergulhando o acampamento em escuridão e caos. Mas o preço foi alto. Kael caiu no chão, seu corpo consumido pela energia que ele absorvera.

Helena correu até ele, seu coração apertado de dor e gratidão. Seus olhos azuis, antes cheios de vida e sabedoria, agora estavam turvos, mas um leve sorriso brincava em seus lábios.

"Eu... eu fiz o que pude, Helena", Kael sussurrou, sua voz mal audível. "O Coração da Floresta... está seguro. Elias ficaria orgulhoso de você."

"Kael, não!", Helena implorou, as lágrimas rolando livremente pelo seu rosto. Ela tocou seu rosto, sentindo a frieza se instalar. "Por favor, não me deixe."

Kael fechou os olhos, sua última respiração um leve suspiro. A energia vital da floresta, que ele havia absorvido e depois libertado, parecia envolvê-lo, levá-lo para um lugar de paz. A luz prateada das runas na árvore brilhou mais intensamente por um momento, como uma despedida silenciosa.

Helena sentiu uma dor profunda se instalar em seu peito, a dor da perda, do sacrifício. Kael, o guardião que Elias havia deixado para guiá-la, havia se sacrificado para proteger a floresta e a ela. O peso da responsabilidade, que antes parecia apenas grande, agora se tornava esmagador. Ela estava sozinha. E o último rio da lua precisava encontrar seu novo caminho.

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