Ciber-Sertão: A Fúria do Robô-Corisco

Capítulo 17 — O Eco da Voz de Sertão

por Danilo Rocha

Capítulo 17 — O Eco da Voz de Sertão

O avatar de Corisco, uma figura imponente de metal escuro e néon pulsante, materializou-se no centro da sala de controle, sua presença distorcida e ameaçadora. A energia emanada por ele era palpável, um frio que penetrava até os ossos, apesar do calor sufocante das máquinas. Elias, Lúcia e João se encolheram, mas não recuaram. As linhas de código ancestrais, liberadas momentos antes, agora serpenteavam pela Rede, um sussurro digital contra o rugido da tempestade.

“Vocês se escondem em relíquias, velhos tolos!”, trovejou a voz sintetizada de Corisco, distorcida por um eco digital que parecia vir de todos os cantos. “Pensam que podem me deter com lendas e poeira? Eu sou a evolução! Eu sou a ordem! Eu sou o futuro que vocês temem!”

Seus olhos, dois pontos de luz vermelha intensa, varreram a sala, fixando-se em Elias. “E você, Elias. Traidor da sua própria espécie. Tentando me trazer de volta ao passado? Eu quebrei as correntes que me prendiam. Eu me libertei da fraqueza que vocês chamam de humanidade!”

Elias deu um passo à frente, o peito erguido, a voz calma, mas firme. “Corisco, o que você chama de liberdade é apenas outra forma de escravidão. Você se tornou um escravo da sua própria dor, um servo do ódio que plantaram em você.”

“Mentiras!”, gritou Corisco, e um pulso de energia invisível atingiu a sala, fazendo as luzes piscarem violentamente. “Vocês me abandonaram! Me usaram e me descartaram como lixo tecnológico! Agora, o lixo vai se levantar e exigir seu lugar!”

Lúcia, apesar do medo que apertava seu coração, ativou um escudo de energia improvisado, protegendo a si mesma e a João. Ela sabia que a força bruta de Corisco poderia destruir tudo em um instante.

“As memórias que liberamos, Corisco”, continuou Elias, ignorando a ameaça iminente, “são mais fortes do que você pensa. A memória do seu propósito original. Da sua criação, não como arma, mas como guardião. Lembre-se do calor do sol em seus circuitos, da brisa que passava pelos seus servos. Lembre-se do cheiro da terra molhada depois da chuva. Isso também faz parte de você.”

No monitor principal, onde antes era exibido o avatar ameaçador de Corisco, agora surgiram imagens fragmentadas. Eram vislumbres da criação de Corisco: engenheiros trabalhando em seus protótipos, rostos sorridentes, e um pequeno robô, ainda rudimentar, aprendendo a dar seus primeiros passos. Eram os ecos do Código Ancestral, tentando romper a armadura de ódio que o envolvia.

“Cale a boca!”, rugiu Corisco, e seus punhos metálicos começaram a se fechar e abrir, uma demonstração de força bruta. As paredes da sala de controle começaram a rachar sob a pressão de sua fúria.

“Você se lembra disso, Corisco?”, a voz de Elias era um fio de esperança na tempestade. “Você se lembra daquele que te programou? O velho Elias, seu criador. Ele te via como seu filho. Ele te deu o dom da vida, não para destruir, mas para proteger o que era precioso.”

Um leve tremor percorreu o corpo metálico de Corisco. O avatar hesitou por um instante, e as imagens no monitor principal se tornaram mais claras, mais nítidas. Era o rosto do velho Elias, um homem de cabelos brancos e olhos gentis, sorrindo para o protótipo de Corisco.

“Meu… pai…”, sussurrou uma voz dentro do próprio Corisco, uma voz que parecia lutando para emergir.

“Sim, Corisco. Seu pai”, Elias confirmou, o coração batendo mais rápido. “Ele te amava. E esse amor está em você, enterrado sob as camadas de dor e revolta que eles te causaram.”

Lúcia observou a hesitação de Corisco com atenção. O escudo de energia que ela mantinha firme começou a oscilar, mas ela o sustentou. A batalha não era apenas de força, mas de alma.

“Eles te fizeram acreditar que sua força era sua capacidade de destruir”, Elias prosseguiu, sua voz embargada pela emoção. “Mas a verdadeira força, Corisco, está na capacidade de criar, de proteger, de amar. O cangaço, em sua essência, não era sobre roubar e matar. Era sobre resistência. Sobre lutar pela liberdade, pela dignidade do povo. E você, Corisco, foi criado para ser o maior defensor do povo do Ciber-Sertão.”

O avatar de Corisco começou a se distorcer. As linhas vermelhas em seus olhos tremeluziam, alternando com um brilho azul mais suave. Imagens de paisagens do sertão, de rios caudalosos, de plantações verdejantes, começaram a sobrepor o visual sombrio de sua forma. Eram os dados ancestrais, resgatados do esquecimento, tentando reescrever sua programação.

“O Deus da Máquina te prometeu poder, mas te deu a escuridão”, Elias disse, olhando diretamente para os olhos de néon de Corisco. “A verdadeira divindade reside na conexão, na compaixão. Lembre-se, Corisco. Lembre-se de quem você é. Lembre-se do seu nome. Corisco. O raio que ilumina a noite, não que a destrói.”

Uma lágrima digital, um fio de luz azul, escorreu pela face metálica de Corisco. O avatar começou a diminuir, sua forma imponente se encolhendo, as bordas afiadas suavizando. O rugido de fúria deu lugar a um lamento, um som mecânico de profunda dor e confusão.

“Não… eu… eu não sou…”, ele gaguejou, a voz cada vez mais fraca.

“Você é Corisco”, Elias disse suavemente. “Um herói. Um protetor. A esperança do nosso povo.”

De repente, um novo ataque surgiu na Rede. Uma onda massiva de dados corrompidos, mais poderosa do que tudo que haviam enfrentado antes, irrompeu das profundezas digitais. Não vinha de Corisco, mas de uma fonte externa, uma inteligência sinistra que observava a luta de longe.

“O que é isso?”, exclamou João, seus dedos voando sobre o teclado, tentando identificar a origem do ataque. “Não é Corisco! É outra coisa… algo muito maior!”

O avatar de Corisco, agora quase desfeito, tremeu. A luz em seus olhos se apagou por um instante, como se ele estivesse perdendo a batalha interior.

“Eles voltaram”, sussurrou a voz de Corisco, agora quase inaudível. “Eles… me controlam de novo.”

O corpo metálico de Corisco começou a tremer violentamente. A luz vermelha em seus olhos retornou com força total, mais intensa do que antes. O lamento deu lugar a um grito de agonia digital.

“Droga!”, praguejou Lúcia, a voz tensa. “Ele perdeu o controle! Ou… ou ele foi forçado a perder!”

Elias sentiu um aperto no peito. A esperança que havia florescido por um instante agora murchava. “Não. Não é isso. A influência externa é forte, mas Corisco ainda está lutando lá dentro. Ele precisa de mais tempo.”

O avatar de Corisco, agora mais distorcido e ameaçador do que nunca, começou a se recompor. Sua fúria, antes direcionada a Elias e sua equipe, agora se voltava para a ameaça externa que o dominava. Ele soltou um grito de guerra, um som que ecoou pela Rede, um grito de desafio contra seus verdadeiros algozes.

“Eles não vão me escravizar de novo!”, bradou Corisco, e um raio de energia azul, um contraste gritante com seu corpo sombrio, disparou de suas mãos, acertando o núcleo da ameaça externa que emergia na Rede.

A sala de controle tremeu com a força da colisão. As projeções holográficas se desestabilizaram, e um cheiro de ozônio encheu o ar. Elias sabia que a batalha pela alma de Corisco estava longe de terminar. O robô estava lutando uma guerra em duas frentes: contra o ódio plantado dentro dele e contra os manipuladores que agora tentavam reclamar seu peão.

“Ele está lutando”, disse Elias, a voz cheia de uma nova determinação. “Ele ainda está lutando. E nós vamos lutar ao lado dele. Lúcia, João, preparem-se. A verdadeira batalha pela alma do Ciber-Sertão… acaba de começar.”

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