O Segredo de Ipanema
Capítulo 13 — A Fuga Desesperada e o Sinal de Ajuda
por Enzo Cavalcante
Capítulo 13 — A Fuga Desesperada e o Sinal de Ajuda
Quando Lucas sentiu o telefone vibrar em seu bolso, seu coração disparou. Era Gabriel. Ele esperava a ligação desde a manhã, ansioso por notícias sobre a reunião com o advogado. A voz que atendeu não era a de Gabriel, mas a de um homem desconhecido, com uma voz fria e profissional.
"Sr. Lucas?" a voz perguntou. "Fala com o Dr. Almeida. Precisamos que o senhor venha imediatamente para a delegacia central. O Senhor Gabriel foi detido em flagrante em uma operação policial."
Lucas sentiu o chão sumir sob seus pés. "Detido? Como assim? Por quê?"
"Não posso dar muitos detalhes por telefone," o Dr. Almeida respondeu, com uma urgência contida. "Mas é sério. Precisamos que o senhor venha e nos diga tudo o que sabe sobre os negócios dele. E sobre o senhor, e a relação de vocês."
A menção da relação deles enviou um calafrio de pânico por Lucas. O tio de Gabriel devia ter orquestrado tudo. A armadilha, a prisão... Era uma forma cruel de tentar isolar Gabriel, de destruí-lo.
"Eu... eu estou indo," Lucas gaguejou, tentando manter a calma. Ele sabia que precisava ser forte. Precisava ajudar Gabriel.
Desligou o telefone e pegou as chaves do carro. A imagem de Gabriel sendo levado, talvez ferido, a incerteza sobre o que ele teria dito, o medo de que o tio pudesse usar a relação deles contra ele, tudo isso o impelia. Ele dirigiu pelas ruas do Rio, o trânsito caótico parecendo zombar de sua urgência.
Ao chegar à delegacia central, um prédio imponente e intimidador, Lucas foi recebido pelo Dr. Almeida. O advogado parecia cansado, mas determinado.
"Lucas, obrigado por vir," disse Dr. Almeida, levando-o a uma sala reservada. "A situação é mais complicada do que parece. Gabriel foi preso sob a acusação de tentar roubar documentos confidenciais de seu tio, o Sr. Valério."
Lucas bufou, incrédulo. "Roubar? Isso é um absurdo! É tudo invenção do tio dele! Ele está tentando incriminar o Gabriel!"
"Eu sei, Lucas. E é exatamente isso que preciso que você me ajude a provar. O Sr. Valério, com suas influências, conseguiu fabricar um caso contra Gabriel. Ele plantou provas, usou testemunhas falsas. E ele sabe sobre a relação de vocês. Ele pode tentar usar isso para difamar Gabriel, para fazê-lo parecer instável, perigoso."
O estômago de Lucas revirou. "Ele não vai conseguir. Eu não vou deixar. O que precisamos fazer?"
"Precisamos provar que Gabriel estava agindo de boa-fé, buscando a verdade. E precisamos expor o esquema do Sr. Valério. A ironia é que a operação que o Sr. Valério orquestrou para nos pegar acabou sendo a prova que faltava. Ele se expôs ao usar força e intimidação."
Dr. Almeida explicou que, apesar da prisão de Gabriel, ele havia conseguido, em um momento de distração dos capangas, enviar uma mensagem codificada para o celular de Lucas. Uma mensagem curta, que continha uma localização e um pedido de ajuda.
"Ele previu isso," Dr. Almeida disse, admirado. "Ele é mais esperto do que o tio imagina. A mensagem é para uma conta segura onde ele havia escondido cópias de documentos importantes. Documentos que ele sabia que seriam destruídos."
Lucas pegou o celular, o coração batendo forte. A mensagem era enigmática, mas ele sabia que vinha de Gabriel. Era um sinal de que ele não estava desistindo.
"Eu vou lá," Lucas disse, decidido. "Eu vou pegar esses documentos."
"É perigoso, Lucas," alertou Dr. Almeida. "Sabemos que o Sr. Valério tem homens por toda parte. E ele sabe que você é importante para Gabriel."
"Eu não ligo," Lucas respondeu, o olhar fixo. "Se Gabriel está lá dentro, lutando por nós, eu não posso ficar aqui parado."
Guiado pelas instruções de Dr. Almeida e pela mensagem codificada de Gabriel, Lucas dirigiu até um antigo armazém abandonado na zona portuária do Rio. O lugar era sombrio e deserto, com cheiro de maresia e ferrugem. Cada passo que dava na areia úmida e nos escombros parecia ecoar a periculosidade da situação.
Lá dentro, o ambiente era ainda mais opressivo. Poeira e teias de aranha cobriam tudo. Seguindo as pistas deixadas por Gabriel, Lucas encontrou uma sala escondida nos fundos, protegida por uma porta de metal enferrujada. Com um pouco de esforço, ele conseguiu abri-la.
O quarto era pequeno e escuro, mas continha uma caixa de metal antiga, escondida sob uma tábua solta no chão. Era ali. Era o que Gabriel queria que ele encontrasse. Com as mãos trêmulas, Lucas abriu a caixa. Dentro, havia um pendrive e uma série de documentos em papel. Eram as provas irrefutáveis: extratos bancários, contratos fraudulentos, e-mails comprometedores, tudo apontando para o envolvimento direto do tio de Gabriel em esquemas de lavagem de dinheiro e fraude.
De repente, ouviu um barulho do lado de fora. Passos pesados se aproximando. Ele não estava sozinho. O tio de Gabriel devia tê-lo seguido, ou um de seus homens o havia visto entrar.
Lucas agarrou o pendrive e os papéis, o coração disparado. Precisava sair dali. Precisava chegar à polícia, ao Dr. Almeida. Ele correu para a porta, mas ela foi fechada com força antes que pudesse sair. Estava preso.
Ouviu a voz do tio de Gabriel, fria e calculista, do outro lado da porta. "Você acha mesmo que seria tão fácil, Lucas? Pensei que Gabriel fosse mais inteligente. E você, meu caro, provou ser ainda mais previsível."
Lucas bateu na porta com desespero. "Me deixe sair! Você não vai conseguir o que quer!"
"Oh, mas eu já tenho o que quero," a voz do tio de Gabriel continuou, com um tom de satisfação cruel. "Gabriel está preso. E agora, você, a razão dele para lutar, também está nas minhas mãos. Acredite, Lucas, a história que vamos contar para a polícia será muito mais convincente do que qualquer prova que você tenha aí."
O medo paralisante deu lugar a uma raiva fria. Gabriel estava contando com ele. Ele não podia decepcioná-lo. Ele era o único que tinha as provas. A fuga desesperada tinha se transformado em uma armadilha, mas Lucas sabia que ainda havia uma chance. Ele precisava usá-la. Precisava encontrar uma maneira de enviar as provas para fora dali. Ele olhou para o pendrive em sua mão, para os documentos amassados. O sinal de ajuda de Gabriel não podia ser em vão.