O Segredo de Ipanema

Capítulo 14 — O Confronto na Cidade Deserta e o Sacrifício Inesperado

por Enzo Cavalcante

Capítulo 14 — O Confronto na Cidade Deserta e o Sacrifício Inesperado

O silêncio no armazém era opressor, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante de Lucas e pelos passos calculados dos homens do tio de Gabriel do lado de fora. Estava encurralado, mas não derrotado. As provas cruciais, o pendrive e os documentos, estavam em sua posse, um fardo pesado que ele sabia que precisava proteger a todo custo.

A porta da sala onde Lucas estava trancado rangeu e se abriu, revelando o tio de Gabriel, Valério, com um sorriso de escárnio no rosto. Ao seu lado, dois homens corpulentos, com olhares vazios e ameaçadores. A figura de Valério emanava uma aura de poder corrompido, um predador que finalmente encurralou sua presa.

"Ora, ora, o que temos aqui," Valério disse, com uma voz que soava como raspagem de metal. "O amante leal, protegendo as preciosidades de seu querido Gabriel. Que romântico. Que patético."

Lucas se levantou, abraçando o pendrive e os papéis contra o peito. Seu corpo tremia, não de medo, mas de uma raiva contida que o impelia a agir. "Você não vai conseguir. Gabriel já me deu tudo. Se algo acontecer comigo, essas provas vão para a polícia. E você vai apodrecer na cadeia."

Valério deu uma risada seca e curta. "Você realmente acha que eu não pensei nisso? Meus homens já estão a caminho de seus contatos. O Dr. Almeida já foi 'silenciado'. E você, Lucas, será apenas mais um inconveniente resolvido." Ele fez um sinal para seus capangas. "Peguem as provas. E depois, deem um jeito nele."

Os dois homens avançaram, mas Lucas, com um instinto de sobrevivência aguçado, jogou-se contra eles. O pequeno espaço da sala tornou-se um ringue improvisado. Lucas, embora em desvantagem física, lutava com a ferocidade de quem não tinha nada a perder. Ele era ágil, usando o ambiente a seu favor, desviando de socos e tentando manter as provas longe do alcance deles.

Em meio à confusão, ele conseguiu chutar um dos homens, que tropeçou e bateu a cabeça contra a parede. O outro, porém, era mais forte e experiente. Agarrou Lucas pelo pescoço e o jogou contra o chão com força. O ar saiu de seus pulmões, e os papéis se espalharam pelo chão empoeirado.

"Patético," Valério sibilou, aproximando-se. Ele pegou o pendrive do chão, um sorriso de vitória iluminando seu rosto. "Fim da linha, garoto."

Nesse momento, um barulho ensurdecedor ecoou do lado de fora. Sirenes de polícia começaram a soar, cada vez mais próximas. Os homens de Valério hesitaram, seus rostos mostrando uma mistura de surpresa e preocupação.

"Como...?" Valério murmurou, o sorriso desaparecendo.

Lucas, ofegante, olhou para a porta. Dr. Almeida. Ele devia ter previsto a tentativa de Valério e tomado suas próprias precauções. Uma parte dele, a parte que acreditava na justiça e na inteligência de Gabriel, esperava que fosse isso.

A porta foi arrombada com violência, e policiais entraram no armazém, armas em punho. "Parados! Mãos para cima!"

Valério, em pânico, tentou jogar o pendrive para um de seus homens, mas foi interceptado por um policial. Os dois capangas de Valério foram imobilizados rapidamente. A cidade deserta, palco da batalha desesperada, agora estava repleta de autoridades.

Lucas, machucado e exausto, mas aliviado, tentou juntar os papéis que haviam se espalhado. De repente, uma figura emergiu das sombras, vindo de uma passagem lateral que Lucas não havia notado. Era um dos homens que haviam "prendido" Gabriel. Ele estava ferido, mas ainda carregava uma arma. Seu olhar era de pura vingança.

O homem disparou. O som do tiro ecoou no armazém, seguido por um grito de dor. Lucas se virou, vendo Gabriel cair no chão, seu corpo protegendo os papéis espalhados.

"Gabriel!" Lucas gritou, correndo em sua direção.

Gabriel estava pálido, uma mancha escura se espalhando em sua camisa. Seus olhos, porém, encontraram os de Lucas, e um sorriso fraco surgiu em seus lábios. "Eu... eu te disse que não ia deixar nada acontecer com você," ele sussurrou, a voz fraca.

Os policiais rapidamente neutralizaram o agressor. Valério, algemado, observava a cena com uma expressão de ódio puro. A justiça, de alguma forma, estava começando a se manifestar.

Lucas ajoelhou-se ao lado de Gabriel, o coração partido. "Por que você fez isso? Por que você se colocou na frente do tiro?"

Gabriel apertou a mão de Lucas com a pouca força que lhe restava. "Porque... porque você é tudo. O meu segredo... a minha razão... a minha vida." Ele tossiu, o sangue manchando seus lábios. "Leve... leve essas provas. Mostre para o mundo quem ele é."

Os paramédicos chegaram e levaram Gabriel às pressas para o hospital. Lucas, com os papéis e o pendrive seguros, foi levado para dar seu depoimento. Valério foi preso, suas influências finalmente se esgotando diante da justiça.

Naquela noite, Lucas não saiu do hospital. Sentado ao lado da cama de Gabriel, segurando sua mão fria, ele sentiu o peso do sacrifício inesperado. Gabriel havia arriscado tudo, e se sacrificado, para protegê-lo. Aquele amor, que antes parecia uma promessa de felicidade, agora era tingido pela dor e pela incerteza. O segredo de Ipanema havia se revelado em sua forma mais crua e dolorosa, forçando Lucas a confrontar a força de seus sentimentos e o preço que o amor, por vezes, exigia.

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