O Silêncio de Ipanema

Capítulo 15 — A Sombra no Clube Naval

por Felipe Nascimento

Capítulo 15 — A Sombra no Clube Naval

O Clube Naval, um bastião de exclusividade e poder no coração do Rio de Janeiro, reluzia sob o sol da manhã, suas paredes brancas e imponentes parecendo zombar da turbulência que Ana sentia em seu interior. A atmosfera era de sofisticação e discrição, um contraste gritante com a urgência que a impelia a cruzar seus portões. A anotação no diário de Sofia sobre a reunião tensa entre Ricardo Alencar e Alexandre Valério no Clube Naval, alguns dias antes de seu desaparecimento, a levou até ali, com a esperança de encontrar algum vestígio do que aconteceu naquele dia.

Ana sabia que entrar no Clube Naval seria uma tarefa hercúlea. Era um local restrito, frequentado por uma elite que não estava acostumada a ser questionada por estranhos. Mas a imagem de Sofia, a última pista concreta que ela tinha, a impulsionava. Ela precisava descobrir o que foi dito naquela reunião, qual era a natureza da disputa sobre o terreno da antiga fábrica de cigarros, e, acima de tudo, se Alexandre Valério, o empresário discreto e supostamente envolvido em esquemas obscuros, era o responsável pelo desaparecimento de sua amiga.

Com o coração acelerado, Ana se aproximou da portaria, a mente fervilhando com possíveis pretextos. Ela se apresentou como uma jornalista investigativa interessada em uma matéria sobre a história do Clube Naval e sua importância na sociedade carioca. O segurança, um homem corpulento e de olhar atento, a recebeu com uma dose calculada de desconfiança.

"Senhorita, o acesso ao clube é restrito aos membros e seus convidados", ele disse, a voz firme e treinada para manter os curiosos afastados. "Não temos registros de nenhuma visita jornalística agendada."

"Eu entendo", Ana respondeu, mantendo a calma e um sorriso profissional. "Mas eu esperava conseguir falar com alguém da administração, talvez o gerente, para apresentar a proposta formalmente. Eu realmente acredito que seria uma matéria de grande interesse para a revista X." Ela mencionou o nome de uma publicação renomada, na esperança de que a credibilidade pudesse abrir alguma porta.

O segurança hesitou por um momento, avaliando-a. A determinação em seus olhos, talvez, tenha sido mais convincente do que sua história. "Um momento, por favor." Ele se afastou e retornou alguns minutos depois, acompanhado por um homem de terno impecável e um ar de autoridade.

"Sou o Sr. Ferreira, gerente do Clube Naval", ele disse, estendendo a mão. "Ouvi dizer que tem interesse em nossa história. Posso saber o nome da sua publicação?"

Ana repetiu o nome da revista e, após uma breve conversa, percebeu que seria impossível conseguir acesso às informações que procurava sem uma autorização oficial, algo que ela não tinha. O Sr. Ferreira foi polido, mas inflexível. Ele explicou que todas as informações sobre eventos e reuniões eram estritamente confidenciais.

"Entendo completamente a sua posição, Sr. Ferreira", Ana disse, tentando disfarçar a frustração. "Talvez eu possa conversar com algum membro antigo, alguém que possa me dar uma perspectiva mais pessoal sobre a história do clube."

O Sr. Ferreira sorriu levemente. "Nossos membros valorizam a discrição, senhorita. Mas se houver algum membro que tenha interesse em compartilhar suas memórias, ele certamente o fará de forma voluntária." Era uma forma educada de dizer "não".

Ana deixou o Clube Naval com a sensação amarga da derrota. Aquele lugar parecia uma fortaleza impenetrável, guardando seus segredos a sete chaves. Mas ela não desistiria. Ela se lembrou de que Sofia era uma pessoa observadora e detalhista. Se ela mencionou a reunião, é porque algo a marcou. Talvez houvesse uma forma de obter informações sem precisar entrar no clube.

Ela decidiu esperar. Sabia que os membros mais influentes costumavam frequentar o clube em horários específicos. Com o passar das horas, Ana observou o movimento na entrada, memorizando rostos, carros de luxo, e tentando identificar qualquer pessoa que pudesse ter estado presente naquela reunião. Foi quando ela avistou um carro elegante estacionado em frente ao clube, e de dentro dele saiu um homem de cabelos grisalhos, com um semblante sério e um ar de quem estava acostumado a ser respeitado. Ela reconheceu o rosto de uma foto antiga em um dos artigos sobre os negócios de Ricardo Alencar. Era o Sr. Barros, um antigo sócio de Ricardo.

Ana tomou coragem e se aproximou. "Sr. Barros?", ela chamou, a voz hesitante.

O homem se virou, surpreso. "Sim? Quem é você?"

"Meu nome é Ana. Eu sou uma jornalista investigativa", ela disse, apresentando seu crachá improvisado. "Estou pesquisando sobre o desaparecimento de Sofia Silva, a amiga de Ricardo Alencar. Ouvi dizer que o senhor esteve presente em uma reunião no Clube Naval alguns dias antes do desaparecimento dela, na qual Ricardo Alencar e Alexandre Valério estavam presentes. Gostaria de saber se o senhor poderia me dar alguma informação sobre o que foi discutido."

O Sr. Barros empalideceu visivelmente. Seus olhos se arregalaram, e ele parecia prestes a fugir. "Eu… eu não sei do que você está falando. Eu não estive em nenhuma reunião. E não tenho nada a dizer."

"Sr. Barros, a Sofia desapareceu. E eu acredito que essa reunião é a chave para descobrirmos o que aconteceu com ela", Ana insistiu, seus olhos fixos nos dele. "Por favor, o senhor não pode simplesmente ignorar isso. A Sofia era uma pessoa boa, e ela merece justiça."

O Sr. Barros hesitou, a luta interna evidente em seu rosto. Ele olhou para o Clube Naval, como se estivesse procurando por uma saída, e então para Ana, como se visse nela um reflexo de seu próprio medo. "Eu não posso falar sobre isso aqui. É… é perigoso."

"Perigoso para quem, Sr. Barros? Para o senhor? Ou para o Alexandre Valério?", Ana perguntou, sentindo que estava no caminho certo.

Ele suspirou, derrotado. "Eu não posso te dar detalhes. Mas a reunião foi tensa. Valério estava pressionando Ricardo para vender o terreno da antiga fábrica. Ricardo se recusou, e Valério… ele fez ameaças veladas. Coisas sobre expor segredos do passado de Ricardo. A Sofia… ela estava lá. Ela apareceu de surpresa. E Valério ficou furioso. Ele a viu como uma intrusa, uma ameaça."

"Sofia estava na reunião?", Ana perguntou, chocada. "Como ela entrou?"

"Eu não sei. Talvez ela tenha se infiltrado, ou talvez tenha sido convidada por Ricardo, sem que ele quisesse. Eu não vi o momento em que ela chegou. Mas quando ela apareceu, o clima mudou completamente. Valério a encarou como se ela fosse um inseto. E Ricardo… ele parecia apavorado. Ele tentou acalmar as coisas, mas era tarde demais. Valério estava furioso. E eu acho que a Sofia se tornou um problema para ele."

Ana sentiu um frio percorrer seu corpo. Sofia, a curiosa e destemida Sofia, havia se arriscado em um ninho de cobras, e o preço foi alto. "E o que aconteceu depois?", ela perguntou, a voz embargada.

"Eles encerraram a reunião abruptamente. Valério saiu furioso. Ricardo parecia abalado. E a Sofia… eu não a vi sair. Mas quando eu saí, ela já não estava mais lá. Eu nunca mais a vi. E quando soube do desaparecimento dela, eu sabia que a minha intuição estava certa. Valério… ele é perigoso, Ana. Muito perigoso. Ele não hesita em se livrar de quem o atrapalha."

O Sr. Barros se afastou, apressado, desaparecendo na multidão que começava a se formar na hora do almoço. Ana ficou parada, absorvendo as palavras dele. A imagem de Sofia, aparecendo de surpresa naquela reunião, enfrentando a fúria de Alexandre Valério, a encheu de uma mistura de orgulho e desespero.

Ela sabia agora que o desaparecimento de Sofia estava diretamente ligado àquela reunião. Valério a via como uma ameaça, alguém que poderia expor seus planos ou seus métodos. E Ricardo, paralisado pelo medo de ter seus próprios segredos expostos, não pôde protegê-la.

Ana sentiu uma nova determinação surgir dentro de si. Ela não podia deixar que Alexandre Valério saísse impune. Ela precisava encontrar provas, algo que ligasse Valério diretamente ao desaparecimento de Sofia. O terreno da antiga fábrica de cigarros, o projeto "O Girassol", o Clube Naval… tudo isso eram peças de um quebra-cabeça sombrio. E ela estava mais perto do que nunca de desvendá-lo. A sombra de Valério pairava sobre tudo, mas Ana estava determinada a confrontá-la, não importava o quão escura e perigosa ela fosse. A verdade sobre Ipanema estava se revelando, e ela era mais cruel e complexa do que qualquer um poderia imaginar.

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