O Último Acordo de Sofia

Capítulo 18 — A Teia de Mentiras de Miguel

por Beatriz Mendes

Capítulo 18 — A Teia de Mentiras de Miguel

O sol da manhã invadia a cobertura de Ricardo, banhando os papéis espalhados e os rostos cansados com sua luz dourada. Sofia, com olheiras profundas que contrastavam com a vivacidade em seus olhos, apontava para um nome rabiscado em um pedaço de papel. “João Silva. Precisamos encontrá-lo. Ele é a nossa única chance de desmascarar Miguel completamente.”

Ricardo assentiu, seu olhar fixo no laptop. “Estou rastreando os registros da offshore. É um labirinto de empresas em paraísos fiscais, mas há um fio condutor. E Matias Torres, o advogado, é o ponto central dessa teia. Ele é o arquiteto da fraude, mas João Silva é a testemunha que pode provar que tudo foi orquestrado.”

Helena, sentada à mesa, com um copo de café intocado ao lado, suspirou. “É a parte mais difícil. Encontrar uma pessoa que foi intencionalmente mantida nas sombras. Miguel e Torres são muito bons em desaparecerem. Mas se ele foi testemunha, ele teve que estar presente em algum momento. Ele tem que ter um rastro.”

Sofia levantou-se, andando de um lado para o outro. A adrenalina ainda a mantinha de pé, mas o peso dos dias sem dormir começava a cobrar seu preço. “Ele tem que ter um motivo. Ninguém faz algo assim de graça. Ou ele foi pago, ou foi ameaçado. Precisamos descobrir qual é o seu ponto fraco.”

“Enquanto vocês focam em João Silva, eu vou tentar desenterrar mais informações sobre as empresas de fachada. Se Miguel transferiu os fundos para essas empresas, ele deve ter um plano para acessá-los ou utilizá-los. Talvez possamos traçar o dinheiro até ele de alguma forma”, Ricardo disse, os dedos dançando sobre o teclado.

A investigação se tornava cada vez mais intensa. Sofia sentia a urgência em cada minuto. Miguel estava livre, desfrutando do fruto de sua traição, enquanto ela lutava para recuperar o que era seu. A ideia de sua empresa, a que ela construiu com tanto suor e dedicação, nas mãos de um impostor, era insuportável.

Naquela tarde, Ricardo recebeu uma ligação. Sua expressão mudou de concentração para uma surpresa cautelosa. “Eu acho que temos algo”, ele disse, olhando para Sofia e Helena. “Um dos meus contatos no submundo financeiro me deu uma pista. João Silva não é um nome aleatório. Ele é um despachante, um homem que faz o ‘trabalho sujo’ para empresas sérias e nem tanto. E ele tem um vício perigoso: jogos de azar. Ele deve uma fortuna para pessoas muito perigosas.”

Os olhos de Sofia brilharam. “Perfeito. Se ele deve dinheiro, ele é vulnerável à pressão. Precisamos encontrá-lo antes que Miguel ou Torres percebam que estamos em seu encalço.”

A caçada por João Silva começou. Eles sabiam que não podiam ir à polícia ainda, pois precisavam de provas irrefutáveis. Precisavam da confissão de João Silva ou de algo que o ligasse diretamente à fraude. Seguiram a pista de Ricardo, um rastro que os levou a um bairro afastado, um lugar onde as luzes da cidade pareciam não chegar.

Chegaram a um pequeno bar, com fachada suja e um ar de decadência. A música alta e a fumaça densa dificultavam a respiração. Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era o tipo de lugar onde as coisas feias aconteciam.

“Fiquem aqui”, Ricardo disse para as mulheres. “Vou entrar sozinho. Se eu não voltar em quinze minutos, chamem a polícia e saiam daqui.”

Sofia assentiu, o coração batendo forte no peito. Ela sabia que era perigoso, mas não havia outra opção. Esperaram, cada minuto se arrastando como uma eternidade. A música parecia zombar da ansiedade deles.

De repente, a porta do bar se abriu e Ricardo saiu, seguido por um homem magro, com um olhar assustado e um sorriso forçado. Era João Silva. Ele parecia desesperado, mas também cínico.

“Então você é a Sofia”, João Silva disse, a voz áspera. “O Miguel me falou sobre você. Uma mulher ambiciosa que queria tudo.”

A fúria subiu em Sofia. “Eu não queria tudo, eu queria o que era meu por direito! E você me ajudou a roubar! Como pôde?”

“Eu não te roubei”, ele rebateu, com um sorriso torto. “Eu apenas fiz o meu trabalho. Recebi o meu pagamento. E o Miguel… ele me prometeu que isso seria rápido, que ninguém se machucaria.”

“Ninguém se machucaria?”, Sofia repetiu, incrédula. “Ele destruiu a minha vida! Ele me arruinou!”

“Ele disse que era apenas um negócio. Que você assinaria os papéis sem saber. Que você era uma executiva fraca e que ele estava apenas tomando o que você não sabia gerenciar.”

As palavras dele eram como facas. A crueldade de Miguel, a forma como ele a desumanizava, a desvalorizava, era chocante. “Ele mentiu para você, assim como mentiu para mim. Ele te usou, assim como ele me usou.”

“Ele me pagou bem”, João Silva disse, encolhendo os ombros. “E ele disse que se eu não cooperasse, ele me entregaria para os agiotas. Você sabe como eles são.”

Ricardo interveio, a voz firme. “João, você ainda tem tempo de consertar isso. Miguel te traiu também. Ele te usou como peça descartável. Se você nos ajudar, podemos garantir a sua proteção. Podemos te tirar dessa dívida.”

João Silva olhou para Ricardo, depois para Sofia. O medo em seus olhos lutava contra a ganância e o desespero. “Proteção? Vocês acham que podem me proteger de Miguel Almeida e do pai dele?”

“Podemos tentar. E podemos te dar uma nova vida, longe de tudo isso. Mas você precisa nos dar as provas. Você precisa nos contar tudo sobre as reuniões, sobre os acordos, sobre como ele te manipulou.”

João Silva hesitou por um longo momento. O peso das suas dívidas, o medo de Miguel, e a chance de uma nova vida. Finalmente, ele suspirou. “Eu tenho os recibos. As transferências. E eu anotei tudo. Miguel me disse para manter um registro secreto, caso algo desse errado com ele. Ele é paranoico.”

Um raio de esperança iluminou o rosto de Sofia. “Onde estão esses recibos?”

“Escondidos. Em um lugar seguro. Mas eu os recupero. Para vocês. Mas vocês precisam cumprir a promessa. Proteger a minha família.”

A promessa foi feita. Sofia sentiu um alívio imenso, mas também uma profunda tristeza. A extensão da crueldade de Miguel era avassaladora. Ele havia se tornado um monstro, um predador implacável. Mas agora, ela tinha a arma que precisava. A arma que ela usaria para acabar com ele.

Enquanto voltavam para a cobertura de Ricardo, o silêncio pesava. Não era mais um silêncio de desespero, mas de antecipação. A teia de mentiras de Miguel estava prestes a ser desfeita, e a vingança de Sofia se aproximava.

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