O Último Acordo de Sofia

O Último Acordo de Sofia

por Beatriz Mendes

O Último Acordo de Sofia

Por Beatriz Mendes

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Capítulo 6 — O Eco do Passado em São Paulo

O ar de São Paulo, denso e carregado de umidade, parecia abraçar Sofia com uma familiaridade que a assustava. De volta à terra que um dia chamou de lar, ela sentia as cicatrizes do passado se remexendo sob a pele, como fantasmas famintos por atenção. Os arranha-céus da Avenida Paulista, antes símbolos de ambição e ascensão, agora pareciam testemunhas silenciosas de suas perdas e de seus planos.

A suíte presidencial do Fasano, onde ela se instalara sob o nome de uma de suas muitas empresas de fachada, era um oásis de luxo moderno. A vista panorâmica da cidade, um tapete cintilante de luzes ao anoitecer, deveria ser reconfortante. Mas para Sofia, era um lembrete constante do mundo que ela havia construído e do mundo que havia sido brutalmente arrancado de suas mãos.

Ela caminhou até a janela, os saltos finos mal tocando o mármore polido. Os cabelos escuros, geralmente presos em um coque impecável, estavam soltos, caindo em ondas sobre os ombros. Vestia um tailleur preto de corte impecável, que exalava poder e uma elegância fria, mas seus olhos, de um verde penetrante, revelavam uma tempestade interna. Havia sete anos que não pisava naquele chão, sete anos desde que o coração de seu pai se partira e o império que ele construiu, com tanto suor e genialidade, desmoronara.

O bilhete de Ricardo Monteverde a esperava em cima da mesinha de centro, dobrado com uma precisão que a irritou. "Espero que sua viagem tenha sido agradável, Sofia. Nosso acordo ainda é válido. Nos vemos em breve." O tom casual era uma afronta. Ele, o homem que havia orquestrado a queda de sua família, que se apoderara dos restos do legado de seu pai, agora se sentia à vontade para enviar mensagens como se fossem convites para um chá.

Um sorriso amargo despontou em seus lábios. Ele não sabia com quem estava lidando. A leoa que ele pensava ter domado havia se transformado em uma predadora astuta, com a paciência de uma caçadora e a ferocidade de quem não tem mais nada a perder.

"Preciso de uma lista completa dos principais acionistas da Monteverde Global nos últimos dez anos", ela disse, a voz firme, para o interfone discreto. "E quero saber quem são os seus conselheiros mais próximos, especialmente aqueles que estiveram com ele desde o início."

A voz robótica respondeu: "Imediatamente, Sra. Almeida." Ela usava o sobrenome de solteira de sua mãe, um lembrete de suas raízes, de uma época antes da dor e da traição.

Enquanto esperava, Sofia abriu seu laptop. A tela iluminou seu rosto, revelando a intensidade em seus olhos. Ela começou a navegar por arquivos criptografados, relatórios financeiros ocultos, e-mails trocados em segredo. A vingança não era um sentimento impulsivo para ela; era uma estratégia fria e calculista, construída pedra por pedra.

O toque do interfone a trouxe de volta. "As informações estão prontas, Sra. Almeida. Podem ser enviadas para o seu dispositivo pessoal."

Com os dedos ágeis, ela baixou os arquivos. A lista de nomes era longa, mas alguns se destacavam. Havia advogados que pareciam ter se tornado sombras de Ricardo, executivos que mudavam de posição como peças em um tabuleiro de xadrez, e um nome em particular que a fez prender a respiração: Dr. Arthur Silveira, o homem que fora o braço direito de seu pai. Ele ainda estava lá? Ou teria sucumbido à tentação do poder oferecido por Ricardo?

Um pensamento incômodo surgiu em sua mente. Ricardo não era o único com segredos. Ela sabia que ele guardava algo, uma fraqueza que ele tentava esconder a todo custo. E era essa fraqueza que ela pretendia explorar.

De repente, um número desconhecido apareceu em seu celular. Hesitou por um instante, mas a curiosidade falou mais alto.

"Alô?", ela atendeu, a voz contida.

"Sofia? É você mesmo?" A voz do outro lado era grave, com um toque de cansaço.

Seu coração deu um salto. Era a voz que ela pensou que jamais ouviria novamente. "Daniel? O que você quer?"

Daniel Montenegro, o amigo de infância, o primeiro amor, o homem que a traiu de uma maneira que a dilacerou. Ele havia desaparecido do mapa logo após a tragédia, sem uma palavra.

"Eu sei que você está em São Paulo. Eu vi as notícias. Precisamos conversar, Sofia. É importante." A urgência em sua voz era palpável.

"Importante para quem, Daniel? Para você, que desapareceu como um fantasma? Para mim, que tive que reconstruir minha vida das cinzas?" A raiva reprimida transbordou.

"Sofia, por favor. Não é o que você pensa. Eu sinto muito por tudo. Mas agora não é o momento. Há coisas que você precisa saber. Coisas sobre o que realmente aconteceu com o seu pai. Coisas sobre o Ricardo."

Seus punhos se cerraram. A menção de Ricardo, a verdade sobre seu pai, tudo aquilo a atingiu como um raio. Ela lutou para controlar sua respiração.

"Onde?", ela perguntou, a voz um sussurro rouco.

"O Café Girassol, na Praça Benedito Calixto. Em uma hora. Por favor, Sofia."

O Café Girassol. Um lugar que eles frequentavam na adolescência, cheio de memórias de risadas e sonhos compartilhados. Era uma provocação, um teste, ou uma tentativa genuína de redenção?

Sofia desligou o telefone. Ela olhou novamente para a cidade cintilante lá fora. O passado e o presente se entrelaçavam de forma perigosa. Ricardo Monteverde. Daniel Montenegro. A verdade sobre seu pai. São Paulo, o palco de seu renascimento e de sua vingança. A leoa estava de volta, e o jogo havia apenas começado.

Ela fechou o notebook, um brilho sombrio em seus olhos verdes. "Que venha o pior", murmurou para si mesma. Ela estava pronta para enfrentar tudo.

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