O Último Acordo de Sofia

Capítulo 7 — A Armadilha no Café Girassol

por Beatriz Mendes

Capítulo 7 — A Armadilha no Café Girassol

O Café Girassol, com suas mesas de madeira rústica e o aroma de café recém-coado, parecia intocado pelo tempo. As paredes eram adornadas com quadros coloridos de artistas locais, e um leve burburinho de conversas preenchia o ambiente, criando uma atmosfera acolhedora que contrastava violentamente com a turbulência que Sofia sentia em seu interior.

Ela escolheu uma mesa discreta em um canto, observando as pessoas que entravam e saíam. Cada rosto era um possível aliado ou inimigo em potencial, e sua mente, afiada pela necessidade de sobrevivência, analisava cada detalhe. O sol da tarde filtrava pelas janelas, lançando feixes de luz dourada sobre o chão de ladrilhos.

Daniel chegou pontualmente. Ele não mudou muito. O mesmo sorriso gentil, os mesmos olhos castanhos que ela conhecera tão bem. Mas agora havia uma ruga de preocupação na testa, e seus ombros pareciam carregar um peso invisível. Ele vestia roupas casuais, um jeans e uma camisa de algodão que, de alguma forma, pareciam carregar a marca do tempo e da distância.

"Sofia", ele disse, a voz embargada pela emoção. Ele parecia hesitante em se aproximar, como se temesse sua reação.

Ela apenas o observou, sem dar um passo à frente. A frieza em seu olhar era deliberada, uma armadura para proteger o coração ainda machucado. "Você disse que precisávamos conversar, Daniel. Estou aqui. O que é tão importante que não pôde ser dito por telefone?"

Ele se sentou na cadeira à sua frente, puxando-a ligeiramente para mais perto, como se estivesse pedindo permissão para invadir seu espaço. "É sobre o seu pai, Sofia. E sobre o Ricardo." Ele olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava ouvindo. "Eu sei que você acha que ele te tirou tudo. E ele tirou. Mas não foi da forma que você imagina."

Sofia arqueou uma sobrancelha. "Oh, realmente? Por favor, ilumine-me, Daniel. Você, que desapareceu sem deixar rastro, é agora o meu salvador?" O sarcasmo em sua voz era cortante.

Daniel suspirou, os ombros caindo em resignação. "Eu errei, Sofia. Eu sei que errei. Eu fui fraco. Eu deixei o Ricardo me manipular. Ele me usou. E quando eu percebi, já era tarde demais. Eu não podia mais voltar. Ele tinha algo contra mim."

"Algo contra você? Ou você simplesmente escolheu o lado mais forte?", ela rebateu, sentindo a velha dor ressurgir.

"Não é isso! Eu juro! O Ricardo... ele tem uma maneira de destruir as pessoas. Ele me ameaçou. Disse que se eu falasse alguma coisa, ele arruinaria minha família. Minha mãe estava doente na época, Sofia. Eu não tive escolha."

Sofia o encarou, buscando sinais de mentira em seus olhos. Havia verdade ali, ela podia sentir. Mas também havia medo. Medo de quem?

"O que o Ricardo fez com o meu pai?", ela perguntou, a voz mais baixa, mas com uma intensidade que fez Daniel engolir em seco.

"Não foi um ataque de coração, Sofia. Não como disseram. O Ricardo... ele o pressionou. Ele o chantageou. Ele tinha informações sobre algo que seu pai fez anos atrás, algo que ele jurou que nunca viria à tona. Seu pai se sentiu encurralado. Ele não aguentou a pressão. Ele... ele se matou."

A confissão caiu como uma bomba no silêncio confortável do café. Sofia sentiu o ar faltar nos pulmões. Seu pai, um homem de honra, de princípios inabaláveis, se matar? Era impensável.

"Mentira!", ela sibilou, batendo a mão na mesa, assustando alguns clientes próximos. "Meu pai nunca faria isso! Ele era forte!"

"Ele era, Sofia. Mas o Ricardo o desconstruiu. Ele o fez sentir que não tinha saída. Ele o fez sentir que era um fracasso. O Ricardo sabia exatamente quais botões apertar. Ele sempre soube." Daniel pegou um guardanapo e o amassou entre os dedos. "Eu vi tudo de perto. Eu ouvi as conversas. Eu vi o estado do seu pai nos dias que antecederam... a isso."

Sofia fechou os olhos, tentando processar a informação. A dor da perda do pai, que ela acreditava ser de uma morte natural, agora se transformava em uma raiva fria e corrosiva. Ricardo não apenas roubara seu império, mas também a dignidade de seu pai.

"Que informações?", ela exigiu, os olhos verdes brilhando com uma fúria contida. "O que o Ricardo sabia?"

"Eu não sei os detalhes exatos. Era algo antigo. Algo relacionado a um negócio que seu pai fez no início de sua carreira. Algo que poderia ter destruído a reputação dele, e consequentemente, a da empresa. O Ricardo desenterrou isso. Ele usou isso como arma." Daniel olhou para ela com desespero. "Sofia, eu não posso mais viver com isso. Eu não posso mais ver o Ricardo prosperar em cima da desgraça dos outros. Eu preciso te ajudar."

De repente, um homem com um terno bem cortado, que estava sentado em uma mesa próxima, levantou-se e se aproximou deles. Ele tinha um sorriso polido, mas seus olhos eram frios e calculistas.

"Com licença, Sra. Almeida, Sr. Montenegro", disse o homem, a voz suave, mas com uma autoridade subjacente. "Meu nome é Marcos Viana, sou advogado da Monteverde Global. O Sr. Monteverde gostaria de saber se vocês têm algum problema. Ele notou que vocês pareciam... agitados."

O coração de Sofia disparou. Ricardo. Ele sabia que ela estava ali. Ele sabia que ela estava falando com Daniel. Era uma armadilha.

Daniel empalideceu. "Nenhum problema, Sr. Viana. Estávamos apenas relembrando os velhos tempos."

O Sr. Viana sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Que bom. O Sr. Monteverde preza muito pela paz e pela harmonia. Ele me pediu para oferecer a vocês duas bebidas. Um sinal de boa vontade." Ele olhou para Sofia. "Ele está ansioso para retomar as negociações, Sra. Almeida. O acordo ainda está de pé. E ele acredita que vocês duas podem chegar a um entendimento, como nos velhos tempos."

A menção de "velhos tempos" e "entendimento" soou oca e ameaçadora. Sofia percebeu que Daniel não era o único a ser manipulado. Ela também era um peão no jogo de Ricardo.

Ela se levantou lentamente, a postura ereta, o olhar fixo em Viana. "Agradeço a oferta, Sr. Viana, mas não estamos interessados. E diga ao Sr. Monteverde que o meu acordo com ele não é mais sobre negociar. É sobre justiça." Ela se virou para Daniel. "Eu preciso de provas, Daniel. Se você quer me ajudar, me traga as provas do que o Ricardo fez. Caso contrário, tudo isso não passa de palavras."

Ela saiu do café, deixando Daniel e Marcos Viana para trás. O ar fresco da rua a atingiu como um choque. A adrenalina percorria suas veias. Ricardo havia caído na isca. Ele sabia que ela estava buscando informações, e ele estava tentando controlá-la. Mas ele subestimara a leoa.

Enquanto caminhava pela Praça Benedito Calixto, observando os artistas de rua e as barracas de artesanato, Sofia sentia a determinação se solidificar em seu peito. Daniel tinha razão. O Ricardo não era apenas um ladrão de impérios. Ele era um monstro que se alimentava da dor alheia. E ela, Sofia Almeida, seria o fim dele. Ela precisava das provas, mas mais do que isso, ela precisava da verdade completa. E para isso, ela teria que ir direto à fonte.

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