O Último Acordo de Sofia

Capítulo 8 — O Jogo de Xadrez de Ricardo

por Beatriz Mendes

Capítulo 8 — O Jogo de Xadrez de Ricardo

O escritório de Ricardo Monteverde era uma extensão de sua própria personalidade: imponente, frio e com uma visão panorâmica que parecia dominar toda a cidade de São Paulo. Do trigésimo andar do edifício Monteverde Global, ele observava o trânsito que se arrastava pela Avenida Paulista, cada carro um pequeno ponto insignificante em seu vasto império.

O confronto no Café Girassol, mesmo que indireto, o havia deixado inquieto. Sofia estava de volta, e ela não parecia ter esquecido nada. Pior, ela estava se aproximando de Daniel, e isso era algo que ele não podia permitir. Daniel sabia demais. Ele havia sido um peão valioso, mas agora representava um risco.

Ele serviu um uísque caro em um copo de cristal, o som do gelo tilintando na quietude do escritório. A imagem de Sofia, com os olhos verdes queimando de raiva e determinação, não saía de sua mente. Ela havia crescido, se tornado uma força a ser reconhecida. A garota ingênua que ele conhecera anos atrás havia se transformado em uma mulher perigosa.

"Marcos, o que exatamente você conseguiu extrair deles?", ele perguntou ao telefone, a voz calma, mas com uma ponta de impaciência.

A voz de Marcos Viana, seu advogado mais leal e eficiente, respondeu: "Pouco, Sr. Monteverde. A Sra. Almeida foi evasiva. Ela não demonstrou interesse em sua oferta, e o Sr. Montenegro parecia mais assustado do que cooperativo. A Sra. Almeida saiu abruptamente, deixando claro que não está interessada em negociações. Ela mencionou algo sobre 'justiça'."

Ricardo deu um gole no uísque, o líquido quente descendo por sua garganta. "Justiça", ele riu, um som seco e desprovido de humor. "Ela ainda fala em justiça. Que adorável. Mas ela não sabe nada sobre o que realmente aconteceu."

Ele caminhou até a grande mesa de mogno, onde vários relatórios e documentos estavam organizados com perfeição. A queda da família Almeida era um capítulo que ele guardava com orgulho. O pai de Sofia, um homem arrogante e convencido de sua genialidade, havia cometido erros. E Ricardo soubera explorá-los como ninguém.

"Daniel Montenegro é o ponto fraco agora", ele murmurou para si mesmo. "Ele é o elo entre o passado e o presente que eu preciso cortar."

Ele discou um número em seu telefone executivo. "Eu preciso de informações sobre Daniel Montenegro. Onde ele mora, com quem se relaciona, quais são suas atividades recentes. Quero tudo, em detalhes. E seja rápido."

Enquanto aguardava, Ricardo se sentou em sua poltrona de couro, fechando os olhos. A imagem de Sofia, a fragilidade que ela tentava esconder sob aquela armadura de força, era tentadora. Havia um tempo em que ele sentira algo por ela. Um desejo que ele havia suprimido com a frieza da ambição. Agora, ela era um obstáculo. Um obstáculo que ele precisava remover, ou controlar.

A voz de seu informante, um homem conhecido apenas como "Sombra", preencheu o silêncio. "Daniel Montenegro está vivendo em um apartamento modesto no bairro de Pinheiros. Trabalha como consultor financeiro autônomo. Frequentemente visita uma velha livraria na Rua Cardeal Arcoverde. Ele também tem se encontrado com um advogado chamado Dr. Arthur Silveira, que, curiosamente, trabalhou com o falecido Sr. Almeida."

Os olhos de Ricardo se abriram com interesse. Arthur Silveira. O nome era familiar. Ele fora o braço direito do pai de Sofia, um homem conhecido por sua discrição e lealdade. Se ele estava se aproximando de Daniel, isso era um problema.

"Arthur Silveira", Ricardo repetiu, o nome soando como um desafio. "O que mais você sabe sobre ele?"

"Dr. Silveira foi um dos poucos que se recusou a vender suas ações da Almeida Corp para a Monteverde Global após a falência. Ele insistiu que tinha uma obrigação com a memória do Sr. Almeida. Ele também parece ter uma aversão particular ao Sr. Ricardo Monteverde."

Ricardo sorriu. Ele gostava de pessoas que o odiavam. Era um sinal de que eles o temiam. "E a Sofia? Ela tem se encontrado com Silveira?"

"Não diretamente. Mas ela esteve em contato com um assistente de Silveira. Parece que há uma comunicação indireta entre eles. A Sra. Almeida está buscando informações, Sr. Monteverde. E o Dr. Silveira pode ter o que ela procura."

Isso era inaceitável. A verdade sobre a morte do pai de Sofia, se vinda à tona da maneira errada, poderia abalar sua reputação. Ele precisava garantir que a narrativa permanecesse sob seu controle.

"Prepare um encontro para mim com Arthur Silveira", disse Ricardo, a voz ganhando um tom ameaçador. "Eu quero conversar com ele. E eu quero saber exatamente o que ele planeja fazer."

Ele desligou o telefone e encarou a cidade. São Paulo era um tabuleiro de xadrez, e ele era o grande mestre. Sofia era uma peça perigosa, mas ainda podia ser manobrada. Daniel era uma peça a ser eliminada. E Arthur Silveira... Silveira era o rei que precisava ser capturado.

Ele abriu um arquivo em seu computador. A imagem em preto e branco de um jovem Arthur Silveira, ao lado do pai de Sofia, sorrindo orgulhosamente. "O bom doutor", Ricardo murmurou. "Vamos ver o quanto sua lealdade é inabalável."

Ele precisava agir rápido. Sofia estava se aproximando da verdade, e Daniel, em seu desespero, poderia se tornar um traidor. A vingança de Sofia era um fogo que ele não podia permitir que se espalhasse. Ele havia construído seu império sobre as ruínas da família Almeida, e ninguém, nem mesmo Sofia, o impediria de manter o que era dele. O jogo estava apenas começando, e ele jogava para vencer.

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