Amor Proibido no Morro

Amor Proibido no Morro

por Eduardo Silva

Amor Proibido no Morro

Por Eduardo Silva

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Capítulo 1 — O Encontro Sob a Lua de Favela

A noite descia sobre o Morro da Borboleta com a lentidão de um suspiro. Não era uma lentidão melancólica, mas sim a pausa dramática antes do espetáculo de luzes e sombras que só a favela sabia compor. Das vielas estreitas, o cheiro de fritura se misturava ao perfume adocicado das flores de jasmim que teimavam em brotar em canteiros improvisados. O som das batucadas distantes, um pulso rítmico que parecia vibrar na própria terra, ecoava pelos barracos coloridos, cada um com a sua história gravada nas paredes descascadas.

No alto, onde o asfalto dava lugar à terra batida e as casas se espalhavam como um abraço apertado, uma figura se movia com a graça de quem conhecia cada pedra, cada curva daquela paisagem. Camila era filha daquele morro, nascida e criada sob a olhar atento do Cristo Redentor que, de longe, parecia um guardião silencioso. Aos vinte e dois anos, ela carregava nos olhos verdes a força das mulheres que a precederam e a inquietude de quem sonhava com um futuro que parecia, ao mesmo tempo, tão próximo e tão inalcançável. Seus cabelos negros, longos e ondulados, balançavam ao vento enquanto ela descia em direção ao ponto de ônibus, o coração batendo em um ritmo acelerado, não pela subida íngreme, mas pela expectativa.

Ela trabalhava como auxiliar administrativa em um escritório na zona sul, um mundo tão diferente daquele onde a sobrevivência era uma arte diária. A cada dia, ela cruzava essa fronteira invisível, vestindo o uniforme da civilidade, o semblante controlado, como quem disfarça o fogo que arde por dentro. Hoje, porém, era diferente. Hoje, ela não ia direto para casa. Hoje, o destino a chamava para um lugar onde o perigo e o desejo se entrelaçavam como cipós em uma árvore antiga.

Ao chegar à pequena praça, onde um poste de luz vacilante era o único farol na escuridão, ela avistou a figura. Alto, com ombros largos que preenchiam a camisa branca de linho, ele esperava, a silhueta recortada contra o céu estrelado. Era Marco. O nome dele era sussurrado em cada canto da favela, um misto de admiração e temor. Filho de Antônio "O Sombra", o homem que comandava o tráfico com mão de ferro, Marco era o herdeiro, o futuro. E, para Camila, ele era o abismo e o paraíso em forma de homem.

Ela se aproximou, sentindo o olhar dele percorrer seu corpo. Não era um olhar lascivo, mas sim um escrutínio profundo, que parecia despir a alma.

"Você veio", a voz dele era grave, rouca, como um trovão distante que anunciava tempestade.

Camila sentiu um arrepio percorrer a espinha. "Eu disse que viria."

Ele deu um passo à frente, a distância entre eles diminuindo a cada segundo. O cheiro dele era inebriante, uma mistura de couro, um perfume amadeirado e algo selvagem que a deixava sem ar. "Eu sei. E eu sabia que você viria."

Um sorriso sutil brincou nos lábios de Camila. "Você tem essa certeza toda?"

Marco riu, um som baixo e gutural que a fez estremecer. "Eu sei ler você, Camila. Sei o que você quer, mesmo quando tenta esconder."

A ousadia dele a desarmou. Ela era uma mulher de princípios, criada com valores. Sabia que ele era perigoso, que a vida dele era uma teia de violência e poder. Mas havia algo nele que a atraía de forma irresistível, uma força bruta e uma vulnerabilidade velada que a intrigavam.

"E o que você acha que eu quero, Marco?" ela perguntou, a voz um pouco mais trêmula do que pretendia.

Ele a olhou nos olhos, a intensidade do seu olhar a prendendo em um feitiço. "Você quer ser vista. Quer ser desejada. Quer sentir que existe, além do esforço de cada dia. E você sabe que eu posso te dar isso."

As palavras dele atingiram um ponto sensível. Era a verdade nua e crua. Ela se sentia invisível no mundo lá fora, apenas mais um rosto na multidão. No morro, era vista, mas sempre sob a lente do preconceito ou da admiração temerosa. Marco, com sua aura de poder, parecia enxergar a mulher por trás da fachada.

"Você fala como se fosse fácil", ela murmurou, a voz quase inaudível.

"Nada que valha a pena é fácil, Camila. E você vale a pena." Ele estendeu a mão, os dedos fortes e calejados roçando levemente a pele do braço dela. O toque foi como uma descarga elétrica.

Camila fechou os olhos por um instante, lutando contra a atração avassaladora. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, um caminho sem volta. Mas a curiosidade, o desejo, a promessa de algo mais... eram mais fortes.

"O que você quer de mim, Marco?" ela perguntou novamente, a voz agora carregada de uma emoção que ela não conseguia mais disfarçar.

Ele a puxou para mais perto, o corpo dela colando ao dele. O coração dela martelava contra o peito dele. "Eu quero você. Toda você."

E então, sob o olhar indiferente da lua e o som da favela pulsante, os lábios deles se encontraram. Foi um beijo faminto, desesperado, um encontro de almas perdidas em busca de um refúgio. As barreiras cairam, as precauções se dissolveram. Naquele beijo, havia a promessa de um amor proibido, de um romance que desafiaria todas as leis, todas as expectativas.

A noite parecia se curvar àquele momento. O vento soprava mais forte, trazendo consigo os ecos de uma vida que eles não podiam mais ignorar. Camila sentiu a urgência em Marco, a necessidade de se perder naquele abraço, naquele beijo que parecia durar uma eternidade. E, em seu âmago, ela sabia que aquele era apenas o começo de uma história que seria escrita nas entrelinhas do perigo e da paixão. O Morro da Borboleta, palco de tantos dramas, agora assistia ao nascimento de mais um, um amor que prometia incendiar os corações e desafiar os destinos.

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