Amor Proibido no Morro

Capítulo 18 — A Sombra do Poder

por Eduardo Silva

Capítulo 18 — A Sombra do Poder

O delegado Roberto Vasconcelos era um homem forjado na lei, com a integridade como seu escudo e a justiça como sua espada. Mas naquele momento, sentado em sua mesa austera, a única coisa que transbordava dele era um desespero gelado e uma fúria contida. Isabella, sua filha, sua luz, havia desaparecido. E ele sabia exatamente onde procurar.

A imagem de Rafael, o filho de Seu Antônio, surgia em sua mente como um pesadelo palpável. Ele sabia dos olhares trocados, das suspeitas que ele, em sua prudência de pai e autoridade, havia tentado ignorar. Agora, as suspeitas haviam se transformado em uma certeza aterradora.

"Não pode ser", murmurava ele, o punho cerrado amassando um papel sobre a mesa. A ideia de sua filha envolvida com o primogênito do "Rei da Coruja" era uma afronta, uma traição não só à lei, mas à sua própria criação.

O chefe de operações, um homem grisalho e experiente chamado Inspetor Silva, entrou em seu escritório sem bater, a urgência estampada em seu rosto. "Delegado, ainda sem notícias da sua filha. A busca está intensa, mas o morro é um labirinto. E sabemos quem controla esse labirinto."

Roberto levantou-se, o olhar fixo no Inspetor. "Eu sei quem controla, Silva. E sei que ele não vai se curvar à lei. Ele vai querer barganhar. Ele vai querer usar a Isabella contra mim."

"O que o senhor pretende fazer?", perguntou Silva, a preocupação em sua voz.

"O que eu sempre faço", Roberto respondeu, a determinação endurecendo suas feições. "Eu não me dobro ao crime. Eu o confronto. Mas dessa vez... dessa vez é diferente. Dessa vez, o meu instinto de pai fala mais alto que o de delegado."

Ele pegou seu distintivo e sua arma. "Eu vou sozinho. Sem alarde. Sem reforços. Se eu pisar na bola, a imprensa vai cair em cima. O seu Antônio terá o que quer. Mas se eu conseguir falar com ele... se eu conseguir chegar a um acordo..."

"Delegado, isso é loucura!", Silva protestou. "Ele vai te prender, te matar!"

"Ele precisa da Isabella de volta tanto quanto eu. Talvez mais. Ele não quer uma guerra aberta agora. Não com a mídia de olho. Ele vai me ouvir." Roberto respirou fundo, o peso do mundo em seus ombros. Ele sabia o risco. Sabia que estava colocando sua vida em jogo, mas a imagem de Isabella, sua doce Isabella, era mais forte do que qualquer medo.

Enquanto Roberto se dirigia ao Morro da Coruja, o clima entre Seu Antônio e Rafael era de uma tensão insuportável. Rafael estava em uma das casas mais afastadas do território, sob vigilância constante. A rebeldia em seus olhos havia sido substituída por uma mistura de raiva e desespero. Ele havia falhado. Falhado em proteger Isabella, falhado em controlar seus próprios impulsos.

"Você me desobedeceu, meu filho", disse Seu Antônio, a voz fria como o aço. Ele estava sentado em uma cadeira, enquanto Rafael estava de pé, de frente para ele, as mãos cerradas em punhos. "Você se aproximou do inimigo. Você colocou tudo em risco."

"Eu a amo, pai", Rafael disse, a voz embargada. "E ela me ama."

Seu Antônio soltou um suspiro longo e cansado. "Amor... você ainda pensa nisso como um garoto. O amor é uma fraqueza, Rafael. Uma distração. E aqui em cima, fraquezas são exploradas. Distrações custam vidas."

"Mas ela não é o inimigo!", Rafael implorou. "Ela é boa, pai. Ela não merece estar envolvida nisso."

"Ela se envolveu quando decidiu se aproximar de você. E você se envolveu quando decidiu se aproximar dela." Seu Antônio levantou-se, andando em círculos ao redor de Rafael. "A filha do delegado é uma arma perigosa. E você, meu filho, se deixou ser atingido por ela."

Ele parou, encarando Rafael com severidade. "Você vai ficar aqui. Vai pensar nas suas escolhas. Vai entender o que significa lealdade. O que significa a família. E o que significa o poder que eu construí. Um poder que você quase jogou no lixo por causa de um capricho."

"Mas e a Isabella?", Rafael perguntou, a voz cheia de angústia. "O que vai acontecer com ela?"

"Ela vai ser devolvida ao pai. Quando eu achar que é o momento certo. Quando o seu pai me der o que eu quero."

"E o que você quer?", Rafael perguntou, a voz baixa.

Seu Antônio sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos. "Quero que ele entenda que o Morro da Coruja tem um rei. E que esse rei não pode ser desrespeitado. Quero que ele se afaste. Que nos deixe em paz. E que aprenda a lição de que certas fronteiras não devem ser cruzadas."

Naquela tarde, o delegado Roberto Vasconcelos, em um ato de desespero e coragem, adentrou o território de Seu Antônio. Ele sabia que estava entrando na toca do leão, mas a imagem de sua filha o impulsionava. Ele foi recebido não por tiros, mas por um silêncio ameaçador. Dois capangas o conduziram até a casa onde Seu Antônio o esperava.

O embate foi tenso. As palavras trocadas eram carregadas de raiva reprimida e de um jogo perigoso de poder.

"Onde está a minha filha, Antônio?", Roberto exigiu, a voz firme, mas com o tremor inconfundível do pai preocupado.

Seu Antônio o observava com uma calma calculista. "Sua filha está segura, Roberto. Por enquanto."

"Segura? Você a sequestrou!"

"Eu a trouxe para cá para que pudéssemos conversar. De homem para homem. De pai para pai." Seu Antônio fez um gesto para que Roberto se sentasse. "Você invadiu meu território muitas vezes. Me pressionou. Tentou me derrubar. Agora, quem está em desvantagem é você."

"Eu quero a minha filha de volta", Roberto repetiu, ignorando a provocação.

"E eu quero que você me deixe em paz. Quero que pare de me perseguir. Quero que esqueça o Morro da Coruja. Quero que se concentre em resolver os seus problemas na cidade e me deixe cuidar dos meus aqui." Seu Antônio se aproximou da janela, observando a paisagem. "Se você prometer se afastar, Roberto, eu devolvo a sua filha. Sem nenhum arranhão."

Roberto sentiu um nó na garganta. A escolha era impossível. Entregar o seu dever, a lei que ele jurou defender, em troca da segurança de sua filha. Era o dilema de todo pai, levado ao extremo.

"E o seu filho?", Roberto perguntou, a voz embargada. "Eu sei que ele esteve com a Isabella. Eu sei que ele é a razão de tudo isso."

Seu Antônio se virou, um brilho perigoso em seus olhos. "Rafael... Rafael é meu filho. E ele vai aprender a lição. Mas isso não é problema seu. O seu problema é encontrar a sua filha. E o meu problema é garantir que você nunca mais me incomode."

O acordo foi selado em palavras não ditas, em olhares de desprezo e em um entendimento sombrio. Roberto Vasconcelos, o delegado, estava prestes a trair tudo o que representava em nome do amor de pai. A sombra do poder de Seu Antônio pairava sobre o morro, determinando os destinos de todos. E Isabella, sem saber, era a moeda de troca em um jogo cruel, onde o amor se tornava um estorvo e o poder, a única lei.

Ela estava em um cativeiro que ia além das paredes de concreto. Um cativeiro onde sua alma estava presa entre o amor por Rafael e a lealdade a seu pai, enquanto o mundo deles desmoronava ao seu redor. O futuro era uma névoa densa, e a única certeza era a presença sufocante da sombra do poder do Rei da Coruja.

***

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%