O Sopro da Matinta

Capítulo 1

por Stella Freitas

Absolutamente! Prepare-se para ser transportado para o coração pulsante do Brasil, onde o misticismo e a paixão se entrelaçam de forma inebriante. Aqui estão os primeiros cinco capítulos de "O Sopro da Matinta", escritos com a alma e a intensidade que um romance brasileiro merece.

Capítulo 1 — A Aldeia Sussurrante e o Enigma de Cecília*

A noite em Vila das Almas era um manto pesado, tecido com os segredos ancestrais da Amazônia. As estrelas, tímidas em meio à densa copa das árvores que beijavam o céu noturno, pareciam menos pontilhados de luz e mais olhos observadores, vigiando a pequena comunidade aninhada às margens de um rio de águas escuras e misteriosas. O ar, úmido e denso, trazia consigo o perfume de terra molhada, flores exóticas e algo mais… algo indefinível, que se infiltrava nos ossos e eriçava os pelos da nuca. Era o sopro da Matinta, diziam os mais velhos, um aviso, uma presença que habitava as sombras e se alimentava de medos e desejos não confessados.

Cecília sentia esse sopro na pele, um arrepio constante que a acompanhava desde criança. Ela não era como as outras moças de Vila das Almas. Enquanto elas riam sob o luar, bordavam redes ou esperavam, ansiosas, pelos pescadores que retornavam ao amanhecer, Cecília preferia a companhia do silêncio, das folhas secas que estalavam sob seus pés na floresta e do murmúrio das águas do igarapé. Seus olhos, de um verde tão profundo que pareciam conter a própria esmeralda da mata, não buscavam pretendentes em bailes improvisados na praça; eles perscrutavam a escuridão, em busca de algo que nem ela mesma sabia nomear.

Naquela noite, porém, o sopro era mais forte, quase palpável. Cecília estava na varanda de sua casa simples, de madeira rústica e telhado de palha, olhando para o rio. A luz bruxuleante de uma lamparina a querosene lançava sombras dançantes sobre seu rosto delicado, acentuando a melancolia que parecia gravada em suas feições. Seus longos cabelos negros, emoldurados por um lenço de chita vibrante, caíam em cascata sobre os ombros. Ela segurava em mãos um pequeno objeto de madeira entalhada, um pássaro com as asas abertas, que pertencia à sua mãe. Dona Aurora, sua mãe, havia desaparecido anos atrás, levada pela correnteza durante uma forte tempestade, ou assim dizia a versão oficial. Mas Cecília nunca aceitou essa explicação. Havia algo em seu olhar ausente, em seus murmúrios sobre "vozes na mata", que a terra firme nunca poderia ter engolido.

"O rio não leva quem não quer ir, Mãe", sussurrou Cecília para a escuridão, a voz embargada pela saudade e pela mágoa.

Um galho estalou na mata, próximo à sua casa. Cecília se enrijeceu, o coração disparado. Não era um animal comum. O som era deliberado, pesado. A floresta parecia prender a respiração. De repente, uma figura emergiu das sombras, parada à beira do terreno, onde a mata se encontrava com o quintal. Era um homem. Alto, imponente, com um chapéu de couro de aba larga que escondia a maior parte de seu rosto, e um manto escuro que se confundia com as sombras. Ele não parecia um morador de Vila das Almas. A forma como se movia, a aura de mistério que o cercava, tudo era diferente.

"Quem está aí?", chamou Cecília, a voz tremendo ligeiramente, mas com uma firmeza que a surpreendeu.

O homem permaneceu imóvel por um instante, como se avaliasse a situação. Então, lentamente, ergueu a cabeça. Sob a sombra do chapéu, dois olhos escuros, intensos, encontraram os de Cecília. Não eram olhos de homem comum. Havia neles uma sabedoria antiga, uma melancolia profunda e, ao mesmo tempo, um fogo que parecia arder em silêncio.

"Sou um viajante", respondeu ele, a voz grave e melodiosa, com um sotaque que Cecília não reconheceu. "Perdido na noite."

"Vila das Almas não é lugar para se perder", disse Cecília, a desconfiança ainda presente. "Este rio é traiçoeiro. E a mata, mais ainda."

Um sorriso quase imperceptível brincou nos lábios do homem. "Traiçoeiro para quem não sabe ler os seus sinais. E a mata… ela guarda segredos para aqueles que têm coragem de escutar."

Cecília sentiu um arrepio ainda mais intenso percorrer seu corpo. As palavras dele ecoavam algo dentro dela, um chamado que ela tentava ignorar há anos. Havia uma conexão estranha entre eles, um reconhecimento silencioso.

"E o senhor sabe ler os sinais?", perguntou ela, dando um passo à frente na varanda.

O homem deu um passo em sua direção, e Cecília pôde ver um pouco mais de seu rosto. Um maxilar forte, pele marcada pelo sol, um nariz reto. Ele parecia jovem, mas seus olhos carregavam o peso de séculos.

"Sei o suficiente para saber que a senhorita está buscando algo", disse ele, a voz baixa, quase um sussurro, mas que parecia envolver Cecília como um abraço. "Algo que a mata a chama para encontrar."

Cecília sentiu as pernas tremerem. Como ele sabia? Como ele podia sentir o turbilhão em sua alma?

"Eu não busco nada", mentiu ela, afastando-se um passo.

O homem riu, um som baixo e rouco que a fez estremecer. "Toda alma que vive em Vila das Almas está buscando algo, moça. O rio, a mata, o silêncio… todos ecoam os desejos mais profundos." Ele fez uma pausa, e seus olhos escuros fixaram-se nos dela. "E a busca pela verdade é a mais forte de todas."

A palavra "verdade" ressoou como um trovão no coração de Cecília. A verdade sobre sua mãe. A verdade sobre o desaparecimento dela. A verdade sobre a sensação de que havia algo mais naquela história.

"Quem é o senhor?", perguntou Cecília, a curiosidade vencendo o medo.

"Meu nome...", ele hesitou por um momento, e Cecília sentiu que ele ponderava cuidadosamente cada sílaba. "... é Iago. E sou um guardião dos caminhos que ninguém mais vê."

Iago. O nome soou familiar, como uma antiga lenda sussurrada ao pé do ouvido. Iago. A guardião.

"E o que o traz a Vila das Almas, Iago?", insistiu Cecília, a voz mais firme agora.

"A mesma força que puxa a senhorita para as profundezas do rio e para o coração da mata", respondeu ele, com um sorriso enigmático. "A busca. E talvez… um chamado."

O chamado. Cecília sentiu um arrepio de expectativa e temor. Seria possível que esse estranho, esse Iago, fosse a chave para desvendar os mistérios que a assombravam? A noite em Vila das Almas parecia se fechar ainda mais, o sopro da Matinta se intensificando, anunciando que algo novo, algo perigoso e fascinante, estava prestes a começar.

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