Cap. 18 / 21

O Sopro da Matinta

Capítulo 18 — O Despertar da Guardiã

por Stella Freitas

Capítulo 18 — O Despertar da Guardiã

O retorno de Lara à casa foi recebido com o alívio palpável de Tiago. Ele a encontrou saindo da floresta, a luz suave que emanava dela iluminando o caminho. A primeira coisa que notou foi a mudança em seus olhos. Não era mais a aflição que antes os marcava, mas sim uma serenidade intensa, uma sabedoria antiga que parecia ter sido depositada ali.

"Lara! Graças a Deus!", exclamou Tiago, correndo ao seu encontro. "Você voltou! E… você parece diferente."

Lara sorriu, um sorriso calmo e profundo. "Eu voltei, Tiago. E sim, algo mudou. Eu entendi. Eu me conectei com a Matinta."

Ao entrarem na casa, o silêncio pairava sobre o quarto de Márcio. Ele dormia profundamente, a respiração mais calma agora, mas a cor ainda não havia retornado ao seu rosto. Lara aproximou-se da cama, sentindo a energia vital de Márcio, frágil, mas estável. A luz que emanava dela pulsou suavemente.

"Ele está se recuperando", disse Lara, a voz baixa. "A energia que a Matinta canalizou através de mim o está curando. Mas ele ainda precisa de tempo."

Tiago observava Lara com uma mistura de admiração e apreensão. "E o que aconteceu lá dentro? O que a Matinta te disse?"

"Ela me disse que eu me tornaria uma guardiã. Uma ponte entre o mundo dela e o nosso. Que eu deveria usar essa força para proteger aqueles que a floresta considera dignos." Lara tocou a testa de Márcio, fechando os olhos. "Eu sinto a força da Matinta fluindo através de mim, para ele. É um processo lento, mas está funcionando."

Ela se afastou da cama, a luz que a envolvia diminuindo gradualmente. Sentou-se em uma cadeira, o corpo um pouco cansado, mas a mente clara. "Agora, eu preciso aprender a controlar essa energia, Tiago. A usar essa força de forma consciente. Dona Zélia me disse que a floresta me ensinará."

Tiago sentou-se à sua frente, o olhar fixo nela. "Você tem certeza disso, Lara? Essa força… é perigosa?"

"É poderosa", corrigiu Lara. "E como todo poder, pode ser perigoso se não for usado com sabedoria. Mas a Matinta não é má. Ela é uma força da natureza, que busca equilíbrio. E eu estou disposta a aprender. Por Márcio. Por todos nós."

Nos dias seguintes, a casa se tornou um centro de aprendizado para Lara. Ela passava horas na floresta, em silêncio, permitindo que a natureza a guiasse. Aprendia a sentir a energia das árvores, a comunicação sutil entre os animais, os segredos escondidos nas raízes e nas folhas. Dona Zélia a visitava frequentemente, oferecendo conselhos e ensinamentos sobre os antigos rituais e a sabedoria da terra.

"A Matinta te escolheu, Lara", dizia a velha curandeira. "Ela vê em você a pureza de coração e a força de vontade necessária para ser sua mensageira. Mas lembre-se, ser uma guardiã não é um fardo, é uma honra. É ser um com a natureza, sentir suas alegrias e suas dores."

Lara começou a notar pequenas mudanças em si mesma. Sua intuição se tornou incrivelmente aguçada. Ela podia sentir quando algo estava errado, quando um perigo se aproximava. Sua conexão com Márcio se aprofundou de uma maneira que ia além do amor romântico; ela sentia sua energia, seu bem-estar, como se fosse uma extensão de si mesma.

Uma tarde, enquanto Lara estava na floresta, sentiu uma onda de pânico vindo de longe. Era uma energia sombria, opressora, que a fez estremecer. Era algo que não pertencia à floresta, algo invasivo. Ela se concentrou, tentando identificar a fonte.

"Dona Zélia!", chamou Lara, mesmo sabendo que a velha curandeira estava longe. A energia sombria parecia se espalhar como uma doença.

De repente, Tiago apareceu correndo em sua direção, o rosto pálido. "Lara! Temos um problema! Na vila… algo terrível aconteceu!"

"O quê?", perguntou Lara, o coração apertado.

"Um grupo de caçadores… eles invadiram a reserva de caça, mas não foram caçar animais. Eles trouxeram armadilhas… armadilhas que não parecem naturais. A energia delas… é ruim. Ela está afetando as pessoas, as crianças. Estão ficando doentes, com febre alta, desorientadas."

Lara sentiu a força da Matinta despertar dentro dela, um instinto protetor latente. "São eles. Os que desrespeitam a floresta."

Ela correu de volta para a casa, a mente fervilhando com a urgência. Márcio ainda dormia, sua respiração mais firme, mas ele ainda estava vulnerável. Ela não podia deixá-lo desprotegido, mas também não podia ignorar o que estava acontecendo na vila.

"Tiago, fique aqui com Márcio. Cuide dele. Se ele acordar, diga que eu voltarei logo."

"Lara, tome cuidado!", gritou Tiago enquanto ela saía.

Lara correu para a vila, a floresta parecendo se abrir para ela, guiando seus passos. Ao chegar, encontrou um cenário de caos e desespero. As pessoas estavam com medo, confusas, muitas delas com os olhos vidrados e febris. As armadilhas, feitas de metal escuro e adornadas com símbolos estranhos, estavam espalhadas pela praça central, emitindo uma aura gélida e opressora.

Lara sentiu a energia da Matinta pulsar em suas veias. Ela se aproximou de uma das armadilhas, estendendo a mão com cautela. Ao tocar o metal frio, sentiu uma onda de energia negativa invadir seus sentidos, mas a força da Matinta a protegeu. Era como se uma barreira invisível a envolvesse.

"Isso não pode continuar", murmurou Lara, a voz carregada de determinação.

Ela fechou os olhos, concentrando-se na energia da floresta. Sentiu a terra sob seus pés, as árvores ao redor, o ar que respirava. E então, ela pediu ajuda.

"Matinta! Eu preciso de sua força! A floresta está sendo profanada! A vida está em perigo!"

Um vento forte e repentino soprou, levantando poeira e folhas. As sombras das árvores se alongaram, dançando de forma sinistra. Os símbolos nas armadilhas pareceram brilhar com uma luz fraca e maligna. Lara sentiu a Matinta responder.

Ela abriu os olhos, e o que viu a surpreendeu. Pequenas criaturas de luz, semelhantes a vagalumes, começaram a surgir da floresta, rodeando as armadilhas. Eram os espíritos da natureza, guiados pela Matinta. A energia das armadilhas começou a vacilar, a aura opressora diminuindo.

Lara estendeu as mãos em direção às armadilhas. Ela sentiu a energia da Matinta fluir através dela, canalizando-a para desativar a energia maligna. Era um esforço intenso, que a deixava ofegante, mas ela não desistiu. Ela imaginou a floresta se curando, a vida retornando.

Os caçadores, que estavam escondidos nas proximidades, observavam com espanto e medo. Eles não entendiam o que estava acontecendo. A floresta parecia estar reagindo, protegendo-se.

Um por um, os símbolos nas armadilhas se apagaram. A energia gélida se dissipou, substituída por uma sensação de calor e bem-estar. As pessoas na vila começaram a se sentir melhores, a febre baixando, a clareza retornando aos seus olhos.

Lara sentiu a energia se esvair de seu corpo, mas também sentiu a força da Matinta se fortalecendo dentro dela. Ela não estava sozinha. A floresta estava com ela.

Quando o último símbolo da armadilha se apagou, o vento cessou. As criaturas de luz desapareceram tão misteriosamente quanto surgiram. A vila estava em silêncio, um silêncio de alívio e gratidão. Lara olhou ao redor, o corpo exausto, mas o coração repleto de uma nova compreensão. Ela era uma guardiã. E a Matinta estava com ela, sempre.

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