Meu Amor, Seu Vilão de A a Z

Capítulo 10 — O Segredo Revelado e a Promessa de um Futuro Incerto

por Priscila Dias

Capítulo 10 — O Segredo Revelado e a Promessa de um Futuro Incerto

O clima no estúdio de Clara era elétrico. A tela inacabada, resultado daquela tarde chuvosa em que Victor a visitou, era um farol de esperança em meio à confusão. As cores vibrantes, o sol nascente, tudo representava a liberdade que ela tanto almejava. E Victor, sentado em uma poltrona antiga, observava-a com um interesse que ia além do profissional.

"Você está pegando o jeito, Clara", disse ele, a voz rouca, um elogio que a fez sorrir. "Essa tela tem uma força que me arrepia."

"É a sua influência, Victor", respondeu Clara, dando uma pincelada final em uma nuvem distante. "Você me mostrou que a arte pode ser um lugar de refúgio, mas também um lugar de confrontação."

Victor se levantou e caminhou até a tela, seus olhos azuis percorrendo cada detalhe. "E você me mostrou que há mais na vida do que apenas números e estratégias. Há beleza, paixão... sentimentos que eu havia enterrado há muito tempo."

A confissão dele a pegou de surpresa. Victor Valença, o homem impenetrável, admitindo seus sentimentos? Clara sentiu um misto de alegria e apreensão. Era real? Ou era apenas mais um jogo?

"Victor...", começou Clara, sem saber como responder.

Ele se virou para ela, a intensidade em seu olhar a fez sentir um arrepio. "Eu sei que você tem dúvidas, Clara. Eu sei que o meu passado é sombrio e que as minhas intenções podem parecer questionáveis. Mas o que sinto por você... isso é real."

Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Clara sentiu o coração acelerar. Ela queria acreditar nele, mas o medo a impedia.

"Eu não sou um homem fácil, Clara", continuou ele, a voz baixa. "Eu fui forjado em um mundo de batalhas, e carrego cicatrizes que nunca vão desaparecer. Mas você... você me faz querer ser um homem melhor."

Ele estendeu a mão e tocou suavemente o rosto dela. Clara fechou os olhos, sentindo a eletricidade do seu toque. Era um toque que prometia tudo e nada ao mesmo tempo.

"Eu quero te proteger, Clara", sussurrou ele. "Quero te dar o mundo."

Clara abriu os olhos e encontrou o olhar dele. "E eu quero entender você, Victor", disse ela, a voz firme. "Quero entender o homem por trás do vilão."

Naquele momento, o interfone do estúdio tocou, quebrando a atmosfera íntima. Clara se afastou de Victor, a tensão voltando.

"Quem será a essa hora?", perguntou ela, franzindo a testa.

Victor deu um sorriso de canto. "Não se preocupe. Eu cuido disso."

Ele caminhou até o interfone e atendeu. Sua expressão mudou instantaneamente, a suavidade desaparecendo, substituída pela frieza habitual.

"Pode subir", disse ele, a voz seca.

Clara o olhou, curiosa e um pouco apreensiva. Quem seria? E por que Victor estava agindo de forma tão diferente?

Poucos minutos depois, a porta do estúdio se abriu novamente, e desta vez, quem entrou foi uma mulher deslumbrante, vestida com um tailleur impecável, cabelos negros presos em um coque elegante. Ela tinha uma aura de poder e sofisticação, e seus olhos verdes penetrantes examinaram Clara com uma mistura de curiosidade e superioridade.

"Victor", disse a mulher, a voz melodiosa, mas com um tom de autoridade. "Imaginei que te encontraria aqui."

Victor deu um leve sorriso, mas seu olhar permaneceu distante. "Beatriz. O que faz aqui?"

Beatriz. O nome ecoou na mente de Clara. Ela já havia ouvido falar dela. Beatriz Valença, a irmã de Victor. A mulher que, segundo os boatos, administrava os negócios da família com mão de ferro, a verdadeira mente por trás do império Valença.

"Eu sabia que você estaria envolvido em algum projeto artístico. Você sempre teve um fraco por coisas que não fazem sentido financeiro", disse Beatriz, lançando um olhar desdenhoso para as telas de Clara.

Clara sentiu um arrepio. A frieza de Beatriz era palpável, e a forma como ela olhava para sua arte a incomodava profundamente.

Victor se aproximou de Clara, colocando uma mão sutilmente em suas costas, um gesto protetor. "Beatriz, esta é Clara. Ela é a artista responsável pela nova campanha da nossa empresa."

Beatriz sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Clara. Ouvi falar muito de você. O novo investimento de Victor." A ênfase em "investimento" não passou despercebida por Clara.

"É uma honra conhecê-la, Sra. Valença", disse Clara, tentando manter a compostura.

"Beatriz é suficiente", respondeu ela, seus olhos verdes fixos em Clara. "Victor me contou sobre o seu projeto. Parece ambicioso. Mas você tem certeza de que está à altura da tarefa?"

A pergunta soou como um desafio. Clara sentiu a adrenalina subir. Ela não era mais a artista insegura que se escondia em seu estúdio. Ela havia aprendido a se defender, a lutar por sua arte.

"Eu tenho certeza de que posso entregar o que Victor espera", respondeu Clara, a voz firme. "E mais."

Beatriz ergueu uma sobrancelha, um brilho de interesse surgindo em seus olhos. "Interessante. Victor sempre teve um gosto peculiar para escolher suas... colaboradoras."

Victor deu um leve aperto nas costas de Clara, um sinal para que ela mantivesse a calma. "Beatriz, eu trouxe Clara aqui porque acredito no talento dela. E porque ela me inspira."

Beatriz riu, um som seco e sem humor. "Inspira? Victor, você sempre foi um homem de negócios. Não se deixe levar por sentimentalismos. O mundo dos negócios é implacável, e sentimentos não têm lugar aqui."

"Talvez o mundo dos negócios precise de um pouco mais de sentimentos, Beatriz", disse Clara, ousando desafiá-la. "Talvez a arte possa trazer uma nova perspectiva, uma nova forma de ver as coisas."

Beatriz a encarou por um longo momento, seus olhos verdes perscrutando Clara em busca de qualquer sinal de fraqueza. Finalmente, ela deu um leve aceno de cabeça.

"Seja lá o que for, Victor", disse Beatriz, a voz carregada de um tom de aviso. "Não se iluda. E você, Clara... não o decepcione."

Com um último olhar penetrante, Beatriz se virou e saiu do estúdio, deixando um rastro de tensão e incerteza.

Clara se virou para Victor, o coração batendo forte. "Ela... ela não me pareceu muito simpática."

Victor suspirou, relaxando os ombros. "Beatriz é... intensa. Ela protege o império da família com unhas e dentes. E ela não confia facilmente em ninguém." Ele segurou o rosto de Clara entre as mãos. "Mas você não precisa se preocupar com ela. Eu cuido disso."

Ele a beijou suavemente, um beijo que transmitia mais preocupação do que paixão. "Ela tem razão em um ponto, Clara. O mundo dos negócios é implacável. E eu não posso me dar ao luxo de me iludir."

Clara sentiu um nó na garganta. A promessa de um futuro incerto pairava no ar. Ela havia encontrado refúgio na arte, havia se permitido sentir algo por Victor, mas agora, a sombra da família Valença pairava sobre eles.

"O que você quis dizer com 'eu cuido disso'?", perguntou Clara, a voz embargada.

Victor a olhou nos olhos, a intensidade em seu olhar transmitindo uma verdade profunda. "Eu cuido de você, Clara. E eu cuido do que é meu."

A posse em suas palavras a assustou e a atraiu. Clara sabia que estava entrando em um mundo perigoso, um mundo de segredos e intrigas. Mas, naquele momento, olhando nos olhos de Victor, ela sentiu que não poderia mais voltar atrás. A promessa de um futuro incerto, mas talvez, cheio de paixão e arte, a prendia a ele. E ela estava disposta a arriscar tudo.

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