Meu Amor, Seu Vilão de A a Z
Meu Amor, Seu Vilão de A a Z
por Priscila Dias
Meu Amor, Seu Vilão de A a Z
Por Priscila Dias
Capítulo 16 — A Invasão da Mansão Blackwood
O sol despontava tímido por trás das montanhas, pintando o céu de tons alaranjados e rosados, mas a paisagem idílica não conseguia aplacar a tempestade que se formava na alma de Isabella. A noite anterior havia sido um turbilhão de emoções conflitantes, de sussurros perigosos e de uma proximidade que a deixara em frangalhos. Sentada à mesa da cozinha da mansão Blackwood, o café amargo parecia refletir o gosto que deixara em sua boca. Aquele beijo… ah, aquele beijo. Tinha sido roubado, intenso, um assalto ao seu coração que a deixara sem ar e com a mente em polvorosa. Elias Blackwood, o homem que ela jurara odiar, o arqui-inimigo de sua família, a personificação de tudo que era vil e sombrio, tinha cruzado uma linha perigosa. E o pior? Uma parte dela, aquela parte que ela tentava desesperadamente sufocar, tinha respondido.
"Pensando na vida, Bella?" A voz grave de Elias, carregada de uma ironia que a fez estremecer, ecoou pelo cômodo. Ele entrou na cozinha com a postura altiva de sempre, um roupão de seda escura caindo em cascata pelos ombros largos. Seus olhos azuis, frios como gelo, mas com um brilho perigoso, pousaram nela, e Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Ela tentou disfarçar o nervosismo, pegando a xícara de café com as mãos ligeiramente trêmulas. "Apenas admirando a vista, Elias. O amanhecer aqui é… impressionante."
Ele se aproximou, o cheiro de seu perfume amadeirado e cítrico a envolvendo. Sentou-se à mesa, a poucos centímetros dela, e um sorriso torto brincou em seus lábios. "Impressionante, assim como certas reações inesperadas?"
Isabella sentiu o rosto corar. Ela sabia exatamente a que ele se referia. "Não sei do que você está falando."
"Ah, você sabe sim, senhorita Dubois. A senhorita sabe muito bem do que estou falando." Ele inclinou a cabeça, seus olhos fixos nos dela, como se pudesse ler cada pensamento que cruzava sua mente. "Não finja. A noite passada não foi apenas sobre um plano macabro para arruinar sua família, não é mesmo? Houve mais, não houve?"
A ousadia dele a deixou sem palavras. Ele era um descarado, um manipulador, mas também… era irresistível de um jeito perigoso. Ela odiava admitir isso, mas a atração entre eles era palpável, uma corrente elétrica que os unia em meio à guerra fria que travavam. "Você é um monstro, Elias Blackwood. Um monstro que se aproveita da fragilidade alheia."
Ele soltou uma risada baixa e rouca que fez algo em sua barriga revirar. "Monstro? Talvez. Mas um monstro que você parece… apreciar." Ele estendeu a mão e, com um dedo, gentilmente afastou uma mecha de cabelo que caíra sobre seus olhos. O toque, embora breve, incendiou sua pele. "Não se engane, Isabella. Essa guerra entre nós é antiga, mas a atração é nova. E perigosa. Para nós dois."
O momento foi interrompido pelo som de uma porta batendo, seguido por passos apressados. A governanta, Dona Eulália, uma senhora de semblante severo e olhar penetrante, entrou na cozinha, visivelmente agitada. "Senhor Elias, peço perdão pela interrupção, mas há algo estranho acontecendo no jardim."
Elias se levantou num salto, a expressão de despreocupação substituída por uma tensão fria. "Estranho como, Dona Eulália?"
"Um grupo de pessoas. Invadiram o terreno. Estão se movendo em direção à casa. Não parecem ser de segurança, parecem… invasores."
O sangue de Isabella gelou. Invasores? Na mansão Blackwood? Ela olhou para Elias, e viu um lampejo de fúria em seus olhos azuis. Aquela era a sua guerra, mas agora, parecia que ela estava no meio dela, como sempre.
Elias agarrou o braço de Isabella, puxando-a para fora da cozinha. "Fique atrás de mim. Não saia do meu lado." Sua voz era baixa, mas firme, um comando que ela, contra sua vontade, obedeceu.
Enquanto corriam pelos corredores luxuosos da mansão, Elias a empurrou para dentro de um escritório imponente, com paredes forradas de livros antigos e uma escrivaninha maciça. Ele trancou a porta e correu para uma janela, observando o movimento lá fora.
"São eles," Elias murmurou, seus punhos cerrados. "Aqueles cachorros de guarda do meu tio. Pensei que ele não teria coragem de ir tão longe."
Isabella aproximou-se da janela, espiando por uma fresta. Homens com trajes escuros e rostos impassíveis se moviam com precisão militar pelo gramado impecável. Pareciam estar procurando por algo. Ou por alguém.
"Quem são eles, Elias?" Ela perguntou, a voz embargada pelo medo.
"Os homens de meu tio, um canalha que não se conforma com a perda de sua influência. Ele quer algo que está nesta casa. Algo que, de acordo com ele, me pertence por direito."
"E o que é?"
"Não é do seu interesse. Agora, o seu interesse é ficar quieta e segura." Elias se virou para ela, seus olhos percorrendo seu corpo com uma urgência que a fez sentir-se vulnerável. "Essa casa tem passagens secretas. Precisamos sair daqui antes que eles nos encontrem."
Ele começou a vasculhar as estantes de livros, passando os dedos sobre as lombadas empoeiradas. Isabella observava, o coração disparado. A adrenalina corria em suas veias, misturada a um medo primitivo e a uma estranha sensação de proteção que Elias emanava, apesar de sua natureza sombria.
De repente, Elias parou, puxando um livro específico de uma prateleira. Com um clique suave, uma parte da parede se abriu, revelando um corredor escuro e estreito.
"Vamos," ele ordenou, pegando a mão dela. A palma de sua mão era quente e firme, um contraste gritante com a frieza que ele projetava. "Se nos pegarem aqui, tudo estará perdido."
Enquanto entravam na escuridão, Isabella não podia deixar de se perguntar o que mais aquele homem guardava em segredo. E, mais perturbador ainda, o quanto ela estava se aproximando de descobrir. A invasão da mansão Blackwood era apenas o começo de um capítulo inesperado e perigoso em suas vidas.