Meu Amor, Seu Vilão de A a Z
Capítulo 17 — A Fuga e os Segredos Revelados
por Priscila Dias
Capítulo 17 — A Fuga e os Segredos Revelados
O ar na passagem secreta era denso e mofado, com cheiro de poeira antiga e segredos guardados. Elias, com a mão firmemente entrelaçada à de Isabella, avançava com passos rápidos, guiando-a pela escuridão. A luz fraca de um pequeno feixe que Elias projetava com seu celular era suficiente para revelar um túnel estreito, com paredes de pedra bruta e um teto baixo. Cada passo ecoava no silêncio opressor, amplificando a tensão que pairava entre eles.
"Para onde estamos indo?" Isabella sussurrou, a voz abafada pela falta de ar. Seu coração batia forte contra as costelas, um tambor incessante de medo e adrenalina.
"Para longe daqui. Para um lugar seguro até que eu possa lidar com esses cachorros do meu tio." Elias apertou a mão dela, um gesto que, para sua surpresa, a acalmou um pouco. "Não se preocupe. Não vou deixar que nada aconteça com você."
A promessa, vinda de um homem como Elias, deveria ser vazia. Mas algo em seu tom, uma urgência genuína, a fez acreditar. Ou talvez fosse apenas a fragilidade da situação a fazê-la se apegar a qualquer sinal de esperança.
Eles caminharam por um tempo que pareceu interminável. O túnel serpenteava sob a mansão, e Isabella se perguntava a extensão daquela teia subterrânea. Elias parecia conhecer cada curva, cada inclinação. Ele não era apenas um homem de negócios implacável; ele era um homem com um passado complexo, cheio de mistérios que ela, involuntariamente, estava desvendando.
"Elias," ela começou, hesitando por um momento. "Por que seu tio faria isso? O que ele quer?"
Ele hesitou por um instante, mas o silêncio prolongado não era uma resposta que ela aceitaria. "Meu tio, Victor Dubois," ele disse, a menção do nome de seu pai causando um aperto em seu peito, "sempre foi obcecado por poder e controle. Ele acredita que a família Blackwood é sua por direito, e que eu sou apenas um intruso que roubou o que era dele."
"Mas isso não faz sentido. Ele é seu tio. E meu pai..." Isabella parou. A palavra "pai" soou estranha em sua boca quando se referia a Victor Dubois, o homem que a criou, mas que nunca lhe deu o amor que ela tanto ansiava. "Por que ele estaria do lado do seu tio contra você?"
Elias soltou um suspiro longo e cansado. "Victor Dubois é um homem calculista, Isabella. Ele sempre soube como jogar seus peões no tabuleiro. Para ele, a aliança com meu tio é apenas mais um passo para consolidar seu próprio poder. Ele não se importa com laços familiares, apenas com o que pode ganhar."
As palavras de Elias atingiram Isabella como um golpe. A frieza com que ele falava de seu próprio pai era chocante, mas também, de alguma forma, estranhamente compreensível. Ela mesma sentia uma distância abissal de Victor Dubois, uma desconexão que a fazia questionar sua própria identidade.
"Você não se importa com ele?" Isabella perguntou, a voz quase inaudível.
"Importar-me?" Elias riu, um som amargo e desprovido de humor. "Ele me traiu, Isabella. Ele se aliou ao homem que tentou destruir tudo o que construí. Ele é um fantoche, um brinquedo nas mãos de meu tio. E eu não tenho espaço para sentimentalismos quando se trata de traição."
A conversa foi interrompida por um barulho distante. Sons abafados de vozes e passos apressados chegavam até eles através das paredes grossas. Estavam sendo procurados.
"Eles sabem que estamos aqui," Elias disse, a voz tensa. "Precisamos acelerar."
Eles continuaram a andar, o túnel começando a se abrir para um espaço mais amplo. A luz do celular de Elias revelou uma escada rústica que levava para cima.
"Estamos perto da saída," Elias anunciou, e então, algo mais chamou sua atenção. Uma pequena porta de metal, quase imperceptível, estava embutida na parede de pedra. Ele a empurrou, e um baú antigo e empoeirado se revelou.
"O que é isso?" Isabella perguntou, curiosa.
"É um dos esconderijos da minha família. Meu avô guardava aqui coisas de valor inestimável. Documentos, joias… e talvez algumas respostas." Elias abriu o baú com dificuldade. O cheiro de papel velho e couro impregnou o ar. Ele começou a remexer nos objetos, seus olhos perscrutando cada um deles com uma intensidade febril.
Ele pegou um pequeno diário de capa de couro desgastado. "Este era de meu avô," ele disse, folheando as páginas amareladas. "Ele escrevia sobre tudo. Sobre a história da família, sobre as disputas com os Dubois… e sobre um segredo."
"Que segredo?" Isabella se aproximou, sentindo uma pontada de ansiedade. Ela sabia que esse segredo, de alguma forma, a envolvia.
"Um segredo que meu tio Victor e meu tio Elias (o irmão de meu pai) tentaram esconder por anos. Algo que liga as duas famílias de uma forma que ninguém imaginava." Elias parou em uma página específica, seus olhos arregalados. "Olhe isso."
Ele mostrou o diário a Isabella. Em letras elegantes e antigas, uma passagem descrevia um relacionamento proibido entre um ancestral Blackwood e uma ancestral Dubois. Um amor que desafiou as barreuras sociais e familiares, culminando em… um filho. Um filho que foi dado para adoção para manter as aparências, um filho que, segundo a genealogia escrita ali, carregava o sangue de ambas as famílias.
Isabella sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela leu e releu as palavras, o diário tremendo em suas mãos. "Isso… isso não pode ser verdade."
"Pode sim, Isabella. O meu avô era um homem meticuloso. Ele documentou tudo. E se essa genealogia estiver correta… e se você for a descendente dessa união proibida…"
O choque a atingiu em cheio. A ideia era absurda, mas as pistas se encaixavam de uma forma aterradora. A inimizade entre as famílias, a obsessão de seu pai e do tio Elias em manter Elias Blackwood longe de certas coisas, a atração magnética e perigosa entre ela e Elias… tudo começava a fazer um sentido sinistro.
"Se for verdade," Elias disse, sua voz embargada por uma emoção que ele raramente demonstrava, "então você não é apenas uma Dubois. Você também é uma Blackwood. E isso… isso muda tudo."
Nesse exato momento, um estrondo abalou o túnel. A porta de metal do esconderijo foi arrombada com força. Homens de preto, os mesmos que haviam invadido o jardim, invadiram o espaço, suas armas apontadas para eles.
"Pegamos você, Blackwood!" Um dos homens gritou, sua voz cavernosa.
Elias rapidamente fechou o baú e empurrou Isabella para trás dele. "Corra!" ele gritou, e então, com uma agilidade surpreendente, ele agarrou um antigo extintor de incêndio que estava pendurado na parede e o descarregou na direção dos invasores, criando uma nuvem de poeira e confusão.
"A escada! Agora!" Elias a impulsionou para o túnel, e eles correram novamente, o som dos tiros ecoando atrás deles, o eco do segredo recém-descoberto pairando no ar. A fuga da mansão Blackwood se transformara em uma corrida contra o tempo, com segredos ancestrais e perigos iminentes à espreita em cada sombra.