Meu Amor, Seu Vilão de A a Z

Capítulo 2 — A Sedução da Oportunidade e a Sombra da Dúvida

por Priscila Dias

Capítulo 2 — A Sedução da Oportunidade e a Sombra da Dúvida

Helena saiu do café com a cabeça fervilhando. As palavras de Leonardo Valença ecoavam em sua mente, uma melodia perigosa que misturava a promessa de sucesso com um tom de ameaça velada. Um patrocínio. Uma exposição em sua galeria. Era tudo o que ela sempre sonhara, a validação que tanto buscava para sua arte. Mas o preço… o preço que ele parecia querer cobrar não era monetário, mas algo mais intangível, mais profundo.

Enquanto caminhava pelas ruas movimentadas, as cores vibrantes dos prédios e o burburinho dos pedestres pareciam desbotados. Sua mente estava presa na imagem de Leonardo Valença, em seus olhos azuis penetrantes que pareciam ler sua alma, em seu sorriso enigmático que prometia tanto e insinuava ainda mais. Ele era o tipo de homem que aparecia nos pesadelos de uma artista romântica, um magnata implacável cujos desejos se transformavam em ordens. E, no entanto, havia uma força magnética nele, uma aura de poder e confiança que a atraía irresistivelmente, como um pássaro hipnotizado por uma serpente.

Ela morava em um pequeno apartamento no centro, onde as paredes finas deixavam escapar os sons da cidade e a precariedade do espaço refletia a instabilidade de sua vida profissional. Cada canto do seu lar exalava sua paixão pela arte: telas empilhadas, pincéis em potes, potes de tinta abertos, esboços espalhados. Era um caos organizado, um reflexo de sua alma vibrante, mas também um lembrete constante da luta pela sobrevivência.

Ao entrar em seu apartamento, o cheiro de terebintina e óleo de linhaça a envolveu. Ela se jogou em sua poltrona surrada, sentindo o cansaço pesar em seus ombros. A proposta de Leonardo era tentadora demais para ser ignorada, mas a desconfiança a corroía. Por que ele, um homem tão poderoso e distante, se interessaria por sua arte desconhecida?

Ela pegou seu celular, os dedos hesitando sobre o teclado. Quem ela poderia contatar para falar sobre isso? Dona Clara, a vizinha que sempre a tratava como uma filha, com seus conselhos cheios de sabedoria popular? Talvez seu amigo de infância, o músico André, que entendia a luta dos artistas, mas vivia em outra cidade?

Decidiu escrever um diário, um velho hábito que a ajudava a organizar seus pensamentos e a dar vazão aos seus sentimentos mais profundos.

“Querido Diário,” começou a escrever, a caneta deslizando suavemente sobre o papel.

“Hoje, o mundo virou de cabeça para baixo. Conheci um homem. Não um homem qualquer, mas Leonardo Valença. Sim, Aquele Leonardo Valença. Ele entrou no meu refúgio, o Café da Esquina, e pareceu trazer consigo uma tempestade. Eu, que sempre vi a beleza nos detalhes, ele parecia ver apenas a eficiência. E, no entanto, ele me viu. Ele viu algo em mim, em minha arte, que eu mal sabia que existia. E me fez uma proposta. Uma proposta que me tira o sono. Ele quer patrocinar minha arte. Quer uma exposição em sua galeria. É o sonho de qualquer artista se tornando realidade. Mas há algo nele… uma frieza, uma intensidade que me assusta. Sinto como se estivesse prestes a fazer um pacto com o diabo. Ele é o tipo de homem que eu pintaria, mas nunca ousaria conhecer. A dúvida é uma sombra que paira sobre a oportunidade. Posso confiar nele? Ele é um anjo disfarçado ou um demônio com um sorriso charmoso?”

Enquanto escrevia, Helena se lembrava de cada detalhe do encontro. A maneira como Leonardo a observava, a inclinação de sua cabeça quando ela falava, o jeito que seus olhos pareciam sondá-la. Ele não era apenas um homem de negócios; havia uma profundidade nele, uma melancolia oculta sob a fachada de aço.

No dia seguinte, Helena decidiu fazer uma pesquisa sobre Leonardo Valença. Ela não era de se envolver com a vida alheia, mas a proposta dele era séria demais para ser ignorada. Sentada em frente ao computador, ela mergulhou no universo digital do magnata. As notícias o retratavam como um gênio dos negócios, implacável, ambicioso, com um passado envolto em mistérios. Havia rumores de acordos obscuros, de empresas engolidas e de rivalidades ferozes. Ele era um predador no mundo corporativo, e a ideia de se envolver com ele a deixava apreensiva.

Ao mesmo tempo, ela descobriu informações sobre a Fundação Valença, uma iniciativa filantrópica que apoiava as artes e a cultura. Isso a deixou ainda mais confusa. Era um homem de duas faces? Capaz de destruir e construir, de explorar e de apoiar?

A dúvida a consumia. Sua intuição de artista, sempre aguçada, a alertava para os perigos ocultos. Mas a lógica de sobrevivência gritava mais alto. A exposição que ele oferecia poderia ser a virada de sua carreira, a porta de entrada para um mundo que ela apenas ousava sonhar.

Uma semana depois, o celular de Helena tocou. Era um número desconhecido. Seu coração disparou.

"Alô?", ela atendeu, a voz tensa.

"Helena. Leonardo Valença. Espero não estar incomodando." A voz dele, calma e segura, a fez sentir um arrepio.

"Senhor Valença. Sem problemas. Eu… eu pensei sobre sua proposta."

"E qual foi a sua conclusão?", ele perguntou, um tom de expectativa em sua voz.

Helena respirou fundo. Era agora ou nunca. "Eu aceito. Mas com minhas condições."

Um silêncio se seguiu, e Helena se perguntou se havia dito algo errado.

"Condições?", Leonardo finalmente disse, um leve tom de surpresa em sua voz. "Estou curioso."

"Primeiro", Helena começou, sentindo uma nova confiança brotar dela. "Eu quero total liberdade criativa. Minha arte é minha voz, e não vou comprometer minha expressão por nenhum motivo."

"Entendo", ele disse, sem hesitar. "Sua arte é o que me interessa."

"Segundo", ela continuou, sentindo-se mais ousada. "Quero um contrato claro e transparente. Nada de acordos verbais ou promessas vazias. Quero tudo documentado."

Desta vez, Leonardo riu, um som grave e surpreendente. "Você é mais astuta do que eu imaginava, Helena. Gosto disso. Pode deixar, teremos um contrato robusto. E, por fim?"

Helena hesitou, mas sabia que era o momento de ser honesta sobre suas apreensões. "E por fim, eu preciso de tempo. Tempo para criar, tempo para me dedicar. Não quero ser pressionada a produzir algo que não seja autêntico, apenas para atender a prazos impostos."

Leonardo ficou em silêncio por um momento. Helena sentiu o coração apertar, o medo de ter estragado tudo.

"Muito bem, Helena", ele disse, sua voz adquirindo um tom mais suave. "Suas condições são aceitas. Me encontre amanhã, às dez da manhã, em meu escritório. Vamos assinar os papéis e começar a trabalhar. E quanto ao tempo… você terá todo o tempo que precisar para criar a obra-prima que espero."

O alívio inundou Helena. Ela tinha conseguido. Tinha conquistado um pouco de controle sobre a situação, sobre o acordo com aquele homem enigmático.

"Obrigada, senhor Valença", ela disse, sentindo um misto de excitação e apreensão.

"Leonardo", ele corrigiu. "E você é bem-vinda, Helena. Prepare-se. Sua vida está prestes a mudar."

A ligação terminou, deixando Helena em um turbilhão de emoções. Ela tinha aceitado a proposta, tinha concordado em entrar no mundo de Leonardo Valença. A oportunidade era real, palpável. Mas a sombra da dúvida ainda pairava. Ela estava entrando em um território desconhecido, guiada por um homem que parecia um vilão de romance, mas que, de alguma forma, despertava nela uma curiosidade perigosa. A sedução da oportunidade era forte, mas a sombra da dúvida a acompanhava, um prenúncio de que aquela jornada seria muito mais complexa do que ela poderia imaginar. O jogo havia começado, e Helena sentia que, independentemente do resultado, ela jamais seria a mesma.

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