Meu Amor, Seu Vilão de A a Z
Capítulo 22 — As Teias de Elias Blackwood se Apertam
por Priscila Dias
Capítulo 22 — As Teias de Elias Blackwood se Apertam
A calmaria que pairou na mansão após a noite de confissões de Elias foi ilusória, como a superfície de um lago espelhado que esconde profundezas turbulentas. Isabella, tocada pela vulnerabilidade que ele lhe mostrara, sentia um novo tipo de ternura por ele. Aquele homem, antes um enigma de frieza e perigo, agora se revelava com feridas profundas, um ser humano complexo lutando contra seus próprios demônios. A fuga para a mansão, inicialmente uma medida desesperada, parecia ter aberto uma porta para uma intimidade que nenhum dos dois antecipara.
No entanto, o mundo exterior não havia esquecido Elias Blackwood. E o nome de Isabella, agora intrinsecamente ligado ao dele, também começava a atrair atenções indesejadas. Aos poucos, a tranquilidade idílica da mansão começou a ser invadida por sinais sutis, mas perturbadores, de que a rede que Elias havia tecido ao seu redor se esticava para alcançá-los.
Um dia, enquanto Isabella explorava os arredores da propriedade, um carro discreto, mas caro, parou à entrada. Um homem de terno impecável desceu, os olhos perscrutando a paisagem com uma frieza calculista. Ele se apresentou como um "representante legal" e entregou um envelope a um dos poucos funcionários da mansão, instruindo que fosse entregue imediatamente ao Sr. Blackwood.
Quando Elias recebeu o envelope, seu semblante mudou drasticamente. A pele pareceu ficar mais pálida, e seus olhos, geralmente cheios de uma inteligência penetrante, agora brilhavam com uma fúria contida. Ele rasgou o envelope e leu o conteúdo rapidamente, o papel amassado em suas mãos.
"O que é isso, Elias?", Isabella perguntou, percebendo a tensão que emanava dele.
Ele a olhou, um misto de desprezo e urgência em seus olhos. "Um lembrete. De que o mundo real não parou de girar só porque nós decidimos tirar umas férias." Ele jogou o papel na lareira, onde as chamas rapidamente o consumiram. "Parece que o Sr. Montenegro não está muito feliz com a nossa ausência."
Montenegro. O nome ecoou na mente de Isabella como um trovão distante. Ele era o responsável por aquela perseguição, o homem que queria Elias de volta para pagar por seus crimes, ou, mais provavelmente, para se livrar dele de vez. A fuga para a mansão, pensada como um refúgio seguro, agora parecia um beco sem saída.
"Ele sabe onde estamos?", ela perguntou, o coração apertado.
"Não diretamente", Elias respondeu, a voz tensa. "Mas ele tem seus meios. E parece que ele está se tornando impaciente. Ele enviou uma proposta. Uma oferta que me dá um ultimato." Ele hesitou, seus olhos percorrendo o rosto de Isabella com uma expressão que ela não conseguia decifrar completamente. Medo? Arrependimento? "Ele quer que eu me entregue. E, em troca, ele oferece proteção para você. Ou melhor, ele sugere que se eu não cooperar, a sua 'proteção' pode ser... comprometida."
Um arrepio percorreu a espinha de Isabella. A ameaça, velada mas clara, era direcionada a ela. Elias havia se colocado em perigo para protegê-la, e agora, Montenegro usava essa proteção como moeda de troca.
"Você não vai aceitar, vai?", ela disse, a voz tremendo ligeiramente.
Elias deu um sorriso amargo. "Aceitar? Isabella, você me conhece. Eu não me curvo. Especialmente não para um verme como Montenegro." Ele se aproximou dela, seus olhos escuros fixos nos dela, intensos. "Ele está jogando um jogo perigoso. E ele não sabe com quem está lidando."
Nos dias seguintes, a atmosfera na mansão mudou. Elias se tornou mais reservado, suas longas horas passadas em seu escritório, trancado, consultando documentos e fazendo ligações discretas. Isabella sentia que ele estava arquitetando algo, uma estratégia complexa para desarmar Montenegro. Mas a ansiedade a corroía. A sensação de estar presa, mesmo em meio à beleza rústica da mansão, era sufocante.
Uma noite, enquanto jantavam, Elias a alertou. "Precisamos ter cuidado, Bella. Montenegro não é tolo. Ele pode ter infiltrado alguém. Não confie em ninguém aqui além de mim. E mesmo assim..." Ele parou, um brilho de apreensão em seus olhos. "Minha segurança pessoal, como você sabe, é minha prioridade. Mas ele é capaz de tudo para me atingir."
O funcionário que havia recebido o envelope de Montenegro, um homem chamado Silva, parecia mais calado do que o normal. Seus olhos evitavam os de Elias, e seus movimentos pareciam desajeitados. Isabella o observava com desconfiança crescente. Ele era o único, além de Elias, que parecia se mover livremente pela casa.
"Elias, você tem certeza que o Silva não é um problema?", Isabella sussurrou em seu ouvido enquanto ele examinava um mapa detalhado da propriedade.
"Ele é leal", Elias respondeu, sem tirar os olhos do mapa. "Ou pelo menos, ele pensa que é. Mas se houver alguma dúvida, eu vou descobrir. E ele vai pagar caro por qualquer deslize." Sua voz era um rosnado baixo, carregado de ameaça.
Naquela noite, Isabella teve um pesadelo. Via Montenegro, com seu sorriso cruel, aproximando-se dela, e Elias, preso em uma jaula de correntes douradas, incapaz de salvá-la. Ela acordou suando frio, o coração disparado. Elias estava ao seu lado, o rosto iluminado pela luz fraca da lua, um braço envolvendo-a protetoramente.
"Você está bem?", ele perguntou, a voz rouca de sono, mas cheia de preocupação.
Ela se aconchegou em seus braços. "Estava sonhando. Com Montenegro."
Ele a puxou para mais perto. "Ele não vai chegar perto de você, Bella. Eu prometo. As teias dele podem ser longas, mas as minhas são mais fortes."
No dia seguinte, Elias recebeu outra visita. Desta vez, não era um representante legal, mas alguém que ele conhecia. Um homem chamado Victor, seu antigo braço direito, um mestre em espionagem e infiltração. Victor trazia informações cruciais.
"Montenegro está se movendo, Elias", Victor disse, a voz baixa e urgente. "Ele está reunindo seus homens. Planeja uma ação para os próximos dias. Ele não quer te levar vivo para a justiça, ele quer te eliminar e usar você como exemplo. E ele sabe que você se importa com a senhorita Isabella. Ele vai usá-la como isca."
O rosto de Elias endureceu. "Ele cometeu um erro fatal. Achar que pode me ameaçar através dela." Ele olhou para Isabella, que ouvia tudo com uma mistura de medo e determinação. "Bella, você precisa sair daqui. Agora."
"Não!", ela disse firmemente. "Eu não vou fugir. Eu estou com você, Elias. E se Montenegro quer um jogo, que seja um jogo em que todos joguem limpo. Ou quase limpo."
Victor observou os dois com surpresa e um toque de admiração. Ele via o amor que os unia, uma força que Elias Blackwood, o homem implacável, nunca pensou que encontraria.
"Com todo o respeito, senhorita Isabella, isso é muito perigoso", Victor advertiu.
"Eu sei", ela respondeu, olhando para Elias. "Mas se eu tiver que enfrentar o vilão, quero que seja ao lado do meu amor. Ele me prometeu que me protegeria. E eu confio nele."
Elias a abraçou com força, o olhar fixo em Victor. "Então, Victor, prepare tudo. Montenegrodará um passo em falso. E nós estaremos lá para recebê-lo. Com juros."
As teias de Elias Blackwood, antes destinadas a prendê-lo, agora estavam sendo reconfiguradas. Ele não era apenas um fugitivo; era um estrategista, e Isabella, longe de ser uma vítima passiva, era sua aliada mais valiosa. O refúgio na mansão sombria havia se transformado em um quartel-general, e a ameaça de Montenegro estava prestes a desencadear uma batalha que definiria o futuro dos dois. A calma havia acabado, e a tempestade estava prestes a chegar.