Meu Amor, Seu Vilão de A a Z

Capítulo 3 — O Labirinto Dourado do Escritório de Valença

por Priscila Dias

Capítulo 3 — O Labirinto Dourado do Escritório de Valença

O prédio da Valença Corporation era uma estrutura imponente de vidro e aço, que se erguia em direção ao céu como um monumento à ambição de seu criador. Helena sentiu um calafrio ao pisar no mármore polido do saguão, o silêncio reverente quebrado apenas pelo eco discreto de seus próprios passos. Era um mundo à parte do seu, um universo de poder e riqueza que a fazia se sentir pequena e deslocada.

Ela estava vinte minutos adiantada para o encontro com Leonardo. A ansiedade a consumia, misturada a uma ponta de excitação nervosa. Vestia seu melhor vestido, um azul marinho que, esperava, a fizesse parecer profissional e confiante, apesar de se sentir como um pequeno peixe em um aquário de tubarões.

A recepcionista, uma mulher de aparência impecável com um sorriso frio, a guiou por corredores que pareciam se estender infinitamente, decorados com obras de arte modernas e mobiliário de design. Cada detalhe gritava sucesso e controle. Finalmente, chegaram a uma porta maciça de mogno.

"Senhorita Costa", a recepcionista anunciou, sua voz um tom mais suave agora. "O senhor Valença a aguarda."

Helena respirou fundo e abriu a porta. O escritório de Leonardo era vasto, com uma parede inteira de vidro que oferecia uma vista panorâmica de tirar o fôlego da cidade. A luz natural inundava o espaço, iluminando uma mesa imponente, de madeira escura e linhas retas, onde Leonardo estava sentado, absorto em documentos. Ele parecia ainda mais poderoso naquele ambiente, a personificação do sucesso que ele construíra.

Ao vê-la, ele se levantou. Seu terno, desta vez um cinza chumbo, era impecável. Havia um brilho diferente em seus olhos, uma mistura de profissionalismo e… interesse?

"Helena. Pontual. Gosto disso." Ele se aproximou, e pela segunda vez, estendeu a mão para cumprimentá-la. O aperto foi firme, mas desta vez, Helena sentiu uma energia diferente, menos ameaçadora e mais… curiosa. "Por favor, sente-se."

Ele a guiou até uma área de estar elegante, com sofás de couro e uma mesinha de centro onde repousava uma jarra de água com rodelas de limão e um pequeno arranjo de orquídeas brancas. Era um contraste com a imponência de sua mesa de trabalho.

"Então, senhorita Costa", Leonardo começou, sentando-se em frente a ela. "Pronta para mudar de vida?"

Helena sorriu, um sorriso genuíno que a surpreendeu. "Mais do que nunca, Leonardo."

Ele a observou atentamente, um leve sorriso brincando em seus lábios. "Você parece mais… relaxada do que no café. O ar condicionado aqui é melhor, talvez?"

Helena riu. "Talvez. Ou talvez a clareza da proposta me dê mais confiança."

"Bom", Leonardo disse. "Porque a clareza é fundamental. E a minha proposta é simples: você cria arte, eu a coloco no mundo. A galeria Valença, eventos exclusivos, clientes selecionados. Sua arte terá o palco que merece."

Ele se levantou e caminhou até a janela, contemplando a cidade. "Eu sempre acreditei que a arte tem o poder de transformar. Ela eleva, inspira, provoca. E eu quero ser o canal para essa transformação. Especialmente quando a arte tem a sua… intensidade."

Helena sentiu seu rosto corar levemente. "Intensidade?", ela repetiu.

"Sim", Leonardo disse, voltando-se para ela. "Há uma paixão crua em seus traços, uma emoção que poucos artistas conseguem capturar. Eu vi isso em seus esboços. É algo raro, algo que vale a pena investir."

Ele voltou para sua mesa e pegou um contrato grosso e bem elaborado. "Aqui está. Tudo o que discutimos. Liberdade criativa, prazos flexíveis para a criação, e um plano de marketing e exposição detalhado."

Helena pegou o contrato, suas mãos tremendo levemente. Ela leu cada cláusula com atenção, sentindo a solidez da proposta e a seriedade do compromisso. O contrato era justo, generoso até. Cobria suas despesas, garantia um salário mensal e lhe dava um percentual generoso sobre as vendas.

"Parece… perfeito", Helena disse, levantando os olhos para ele.

"Não é perfeição, Helena. É negócio. Mas é um negócio que me agrada." Leonardo estendeu uma caneta de ouro para ela. "Se estiver pronta, podemos assinar e começar a traçar o caminho para sua primeira grande exposição."

Helena pegou a caneta e assinou. Ao fazê-lo, sentiu um misto de alívio e um certo receio. Ela estava se entregando, de certa forma, àquele homem que parecia ter saído de um conto de fadas sombrio.

Após a assinatura, Leonardo propôs um tour pela galeria Valença, que ficava no mesmo prédio. Helena aceitou com entusiasmo. A galeria era um espaço amplo e moderno, com iluminação impecável e paredes brancas que realçavam cada obra exposta. Havia pinturas, esculturas, instalações. Era o tipo de lugar onde a arte era tratada com reverência.

"Aqui é onde sua arte vai brilhar, Helena", disse Leonardo, seus olhos percorrendo as paredes com orgulho. "Quero que você se sinta inspirada por este ambiente. Que ele te impulsione a criar ainda mais."

Eles caminharam pelos corredores, Leonardo explicando cada detalhe, cada escolha curatorial. Helena se sentia cada vez mais envolvida naquele universo, admirada pela paixão que ele demonstrava pela arte, mesmo que sua abordagem fosse pragmática.

"Eu tenho um projeto em mente", Helena disse de repente, uma ideia fervilhando em sua mente. "Uma série de pinturas que exploram a dualidade do ser humano. A luz e a sombra, o bem e o mal, o anjo e o demônio."

Leonardo a encarou, seus olhos azuis brilhando com um interesse renovado. "Fascinante. É exatamente o tipo de tema que pode gerar grande impacto."

"Eu quero retratar os 'vilões' que habitam nossas histórias", Helena continuou, com uma nova energia. "Aqueles que, apesar de suas falhas, possuem um certo magnetismo, uma complexidade que os torna… sedutores."

Leonardo sorriu, um sorriso que chegava aos olhos. "Parece que você entende o meu mundo, Helena. E talvez, apenas talvez, você entenda a mim."

Helena sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Aquele comentário era ambíguo, carregado de significado. Ela o olhou, tentando decifrar seus pensamentos.

"Talvez", ela respondeu, um leve sorriso brincando em seus lábios. "Ou talvez eu apenas saiba desenhar o que vejo."

O tour terminou, e Leonardo a acompanhou até a saída. "Estarei aguardando ansiosamente por suas primeiras criações, Helena. E não se esqueça, o estúdio que preparei para você está à sua disposição. Tudo o que você precisa para criar."

Enquanto Helena caminhava de volta para casa, o contrato seguro em sua bolsa, sentia-se em um labirinto dourado. O escritório de Leonardo Valença, a galeria, a proposta… tudo parecia um sonho. Mas a promessa de sua arte ser vista e valorizada era real. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, mas a arte era sua bússola, e a oportunidade, seu farol. Leonardo Valença era um enigma, um vilão de conto de fadas, mas talvez, apenas talvez, ele fosse a chave para desvendar seus próprios talentos e alcançar o sucesso que tanto almejava. A jornada estava apenas começando, e ela estava pronta para enfrentar o que viesse pela frente, com a tinta e o pincel em punho.

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