Meu Amor, Seu Vilão de A a Z

Capítulo 7 — O Confronto das Almas e a Fúria de um Amor Ferido

por Priscila Dias

Capítulo 7 — O Confronto das Almas e a Fúria de um Amor Ferido

O som da porta se abrindo ecoou no silêncio carregado do estúdio, quebrando a magia que se formava entre Clara e Victor. Ambos se afastaram instintivamente, o momento de intimidade interrompido de forma abrupta e inesperada. No batente da porta, com o rosto contorcido pela raiva e pela dor, estava André.

André. O nome de Clara se apagou, substituído pela visão chocante de seu ex-namorado, ali, no seu santuário, com os olhos flamejando em sua direção. O contraste entre a serenidade que ela buscava em seu estúdio e a tempestade que André trazia consigo era gritante.

"Clara!" A voz dele era um grito rouco, carregado de mágoa e acusação. "Com ele? Logo com ele?"

Victor se recompôs com a agilidade de um felino ferido, seu semblante impassível voltando a cobrir a vulnerabilidade que Clara mal começara a vislumbrar. Ele deu um passo à frente, posicionando-se sutilmente entre Clara e André, como um escudo protetor ou um adversário em potencial.

Clara sentiu o sangue gelar nas veias. "André, o que você está fazendo aqui? Como entrou?" A voz dela soava fraca, quase inaudível, mas a indignação começava a borbulhar sob a superfície do choque.

"Como entrei? Como entrei, Clara? Como o seu ex-namorado que ainda se importa! Como alguém que te ama e te vê sendo destruída por um... um monstro!" André gesticulava descontroladamente, os olhos fixos em Victor.

Victor o encarou friamente. "Cuidado com o que você fala, André. Você não sabe com quem está lidando." A voz dele era um rosnado baixo, perigoso.

André riu, um som amargo e sem alegria. "Eu sei exatamente com quem estou lidando. Um tubarão de gravata, que se alimenta da fraqueza alheia. Um homem sem escrúpulos que vai te arruinar, Clara!"

Clara sentiu uma onda de indignação varrer o medo. Ela não era uma boneca quebrada para ser protegida, nem uma presa para ser devorada. Ela era uma artista, uma mulher forte, e ninguém, muito menos André, falaria com ela ou sobre ela daquela maneira.

"Chega, André!" Clara deu um passo à frente, sua voz ganhando força. Ela não era mais a Clara vulnerável de alguns minutos atrás. A presença de Victor, mesmo com toda a sua complexidade, a empoderava de uma forma estranha. "Você não tem o direito de vir aqui e me acusar. E muito menos de falar com Victor dessa maneira."

"Você está do lado dele?", André perguntou, a incredulidade evidente em sua voz. "Depois de tudo que ele fez? Depois de tudo que ele representa?"

"E o que ele representa, André? Poder? Sucesso? Coisas que você nunca conseguiu alcançar?", Clara rebateu, a mágoa e a decepção que sentia por André emergindo com força total. Ela se lembrou das promessas vazias de André, de suas inseguranças que a sufocavam, de sua incapacidade de apoiá-la em seus sonhos.

Victor observava a cena com uma expressão indecifrável, um leve sorriso de satisfação brincando em seus lábios. André, em sua fúria cega, estava apenas confirmando suas próprias suspeitas sobre a fragilidade do ex-namorado de Clara.

"Eu te amava, Clara!", gritou André, os olhos marejados. "Eu te amava e você está jogando tudo fora por... por esse homem!"

"Você amava a ideia de mim, André!", Clara retrucou, sentindo uma dor profunda no peito. "Você amava a Clara que se encaixava nos seus planos, a Clara que não te fazia sentir inferior. Você nunca me viu de verdade. Nunca me apoiou." Ela apontou para a tela inacabada. "Você nunca acreditou nos meus sonhos. E agora, você vem aqui, me acusar de ser frágil? De ser destruída? A única pessoa que está tentando me destruir aqui é você, com essa sua possessividade doentia!"

Victor deu um passo à frente, sua voz calma, mas firme, cortando o ar. "André, você está incomodando Clara. Se você não sair agora, terei que tomar outras providências."

André se virou para Victor, a fúria transformando-se em um desafio aberto. "Você acha que pode me ameaçar, Valença? Você acha que tem o direito de se aproximar da Clara?"

"Eu tenho o direito de estar com quem eu quiser, André", disse Clara, firme. "E Victor está aqui porque eu o convidei. Ele está me ajudando em um projeto. E você, com essa sua atitude, está atrapalhando tudo."

A mentira saiu naturalmente, uma forma de se proteger, de se afastar do drama que André criava. Ela sabia que Victor não a havia convidado formalmente, mas a maneira como ele estava ali, a forma como ele a olhava, a fazia sentir que havia uma verdade mais profunda por trás daquela fachada.

André a olhou, a dor em seus olhos se intensificando. "Um projeto? É isso que você chama de... isso?" Ele fez um gesto vago entre Clara e Victor, indicando a tensão palpável que ainda pairava no ar.

"Sim, André. Um projeto", disse Clara, tentando manter a voz firme. "Agora, por favor, vá embora. Eu não quero mais falar com você."

André deu um passo para trás, a decepção gravada em cada linha do seu rosto. Ele lançou um último olhar para Victor, um olhar de puro ódio e ressentimento. "Você vai se arrepender disso, Clara. Ele vai te machucar. E quando isso acontecer, não venha chorar no meu ombro."

Sem mais uma palavra, André se virou e saiu do estúdio, batendo a porta com força. O som reverberou no silêncio que se seguiu, deixando um rastro de amargura e desespero.

Clara sentiu as pernas tremerem. A adrenalina que a mantivera firme começou a diminuir, deixando-a exausta e emocionalmente esgotada. Ela se virou para Victor, que a observava com uma expressão pensativa.

"Você está bem?", perguntou Victor, a voz agora mais suave, desprovida da frieza que ele usara com André.

Clara assentiu, incapaz de falar. As lágrimas que ela havia contido começaram a rolar pelo seu rosto. Ela se sentiu exposta, vulnerável, e ao mesmo tempo, estranhamente protegida pela presença dele.

Victor deu um passo à frente e, para sua surpresa, a abraçou. O abraço não era apaixonado, mas sim um gesto de conforto, de apoio. Clara se permitiu ser envolvida por ele, sentindo o calor do seu corpo, o cheiro familiar de seu perfume.

"Ele te ama?", perguntou Victor, a voz baixa, quase um sussurro em seu ouvido.

Clara se afastou um pouco, olhando para ele. "Eu não sei. Acho que ele amava a versão de mim que ele queria. Não a que eu realmente sou." Ela suspirou. "Ele não entende. E nunca vai entender."

Victor assentiu, seus olhos azuis fixos nos dela. Havia uma compreensão ali que Clara não esperava. Ele entendia a complexidade das relações humanas, a dor da rejeição, a fúria do amor ferido.

"Às vezes, as pessoas que mais nos amam são as que mais nos machucam", disse Victor, a voz carregada de uma melancolia inesperada. "E às vezes, aqueles que parecem ser os vilões são os que nos entendem de verdade."

Clara o olhou, intrigada. Havia um fundo de verdade em suas palavras, uma sabedoria sombria que a atraía. Ela estava começando a ver que Victor Valença era muito mais do que o vilão que a sociedade pintava. Ele era um homem complexo, com suas próprias cicatrizes e suas próprias verdades.

"Eu não sei o que pensar, Victor", confessou Clara, a voz embargada. "Eu me sinto confusa."

Victor sorriu, um sorriso genuíno e um pouco triste. "A confusão é o primeiro passo para a clareza, Clara." Ele se inclinou e depositou um beijo suave em sua testa. "Não se preocupe com André. Ele é passado. Você está no presente. E o futuro... o futuro é uma tela em branco, esperando para ser pintada."

Ele se afastou, deixando Clara com uma mistura de sentimentos. A dor da confrontação com André ainda a assombrava, mas a presença de Victor, a forma como ele a havia confortado, e suas palavras enigmáticas, haviam plantado uma semente de esperança, e talvez, de algo mais profundo. A dança das sombras havia ganhado um novo movimento, e Clara não tinha certeza se queria fugir dele.

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