O Último Sertão Cósmico

O Último Sertão Cósmico

por Alexandre Figueiredo

O Último Sertão Cósmico

Autor: Alexandre Figueiredo

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Capítulo 1 — O Eco Distante das Estrelas Caídas

O sol da tarde caía pesado sobre a terra rachada do sertão, pintando de um ocre profundo as paisagens que pareciam engolir a própria esperança. O ar vibrava com um calor que tornava a respiração um esforço doloroso, e o cheiro de poeira e suor se misturava ao aroma agridoce das poucas flores que teimavam em brotar em meio à aridez. Elias sentiu o suor escorrer por suas têmporas, misturando-se à fuligem que se acumulava em seu rosto cansado. A picareta pesava em suas mãos calejadas, cada golpe contra o solo duro ressoando como um lamento na vastidão silenciosa.

Ele não era um homem acostumado à moleza. A vida no sertão ensina a força de vontade, a resiliência que nasce da necessidade. Mas hoje, havia algo diferente no ar, uma tensão latente que parecia emanar das próprias entranhas da terra. Elias levantou os olhos, perscrutando o horizonte incandescente. Nuvens de poeira dançavam ao longe, impulsionadas por um vento traiçoeiro que prometia mais secura, mais sofrimento.

“Mais um dia, Dona Luzia,” murmurou Elias para si mesmo, a voz rouca pelo pó. Dona Luzia era a sua roça, o pedaço de chão que ele lutava para manter vivo, um anacronismo em um mundo cada vez mais urbanizado e desalmado. Ela era sua companheira fiel, sua única posse verdadeira, moldada pelas mãos calejadas de gerações de sua família.

Ele parou por um instante, o corpo dolorido exigindo repouso. Deu um gole de água da garrafa de metal, o líquido quente e sem graça aliviando minimamente a garganta seca. O silêncio era quase ensurdecedor, quebrado apenas pelo canto esporádico de um pássaro de sol ou pelo farfalhar de algum réptil esquivo. Era um silêncio que falava, que contava histórias de luta, de perda, de uma beleza crua e indomável.

Um movimento sutil chamou sua atenção. Não era o vento, nem um animal. Era algo… diferente. Uma luz fraca, quase imperceptível, tremeluzia na linha do horizonte, onde o céu se encontrava com a terra em um abraço de fogo. Elias franziu a testa. Não havia vilas ou povoados naquela direção, apenas o deserto implacável. Poderia ser um reflexo, o sol pregando-lhe uma peça?

Ele se levantou, a picareta firmemente empunhada. A curiosidade, essa velha conhecida do sertanejo, começou a roer sua alma inquieta. A luz pulsava, hesitante, como um coração moribundo. Elias sabia que não deveria se afastar de sua roça, especialmente em um dia como este, quando a terra parecia prestes a ceder. Mas algo o impelia, uma força invisível que o puxava para o desconhecido.

Guardou as ferramentas na pequena cabana de taipa, um refúgio precário contra o sol e as intempéries. Pegou um cantil maior, um pedaço de rapadura e seguiu em direção à luz. A cada passo, a poeira levantava, grudando em suas vestes de linho surradas. O sol já se inclinava mais para o oeste, projetando sombras alongadas e fantasmagóricas.

A luz se tornava mais nítida à medida que ele se aproximava, mas não era uma luz comum. Parecia emanar de algo pequeno, talvez um objeto caído. Quando finalmente chegou mais perto, Elias sentiu o ar gelar. A luz não era de fogo, nem de metal aquecido. Era uma luz fria, etérea, que parecia conter a escuridão do espaço sideral.

Ajoelhado na terra empoeirada, havia um objeto. Não era uma pedra, nem um pedaço de árvore. Era uma esfera lisa, do tamanho de um punho fechado, feita de um material que Elias nunca vira. Era escuro, quase negro, mas parecia absorver a luz ao seu redor, e de seu interior emanava um brilho azulado e suave. A superfície era fria ao toque, mesmo sob o sol escaldante.

Elias pegou a esfera com cuidado. Era leve, quase etérea em suas mãos. Ao tocá-la, sentiu uma vibração estranha, um formigamento que subia por seus braços. Imagens, fragmentos de ideias, começaram a surgir em sua mente. Eram visões fugazes, como relâmpagos em noite escura: estrelas em movimento, galáxias distantes, formas geométricas complexas que ele não conseguia compreender.

O sertão, que antes parecia um lugar de fim, de desolação, de repente se abriu em sua mente como um mapa de possibilidades infinitas. A poeira sob seus pés parecia ser feita de poeira estelar, o sol um sol entre bilhões. Ele se sentiu pequeno, insignificante, e ao mesmo tempo, conectado a algo imenso, algo ancestral.

“Que coisa é essa?” sussurrou, a voz embargada pela emoção e pela estranheza da experiência. A esfera em sua mão parecia responder, a luz azul pulsando em um ritmo mais acelerado.

De repente, um som cortou o silêncio. Não era um som da terra. Era um zumbido metálico, agudo, que parecia vir de cima. Elias levantou os olhos, assustado. No céu, que momentos antes era apenas um azul infinito, agora pairava uma silhueta escura, colossal. Tinha a forma de um disco alongado, com luzes piscantes em sua base, e deslizava silenciosamente, como um predador invisível.

A visão o paralisou. O sertão, o mundo que ele conhecia, parecia ter se desfeito em um instante. Aquilo que ele encontrou na terra e aquilo que pairava no céu não pertenciam à sua realidade. Eram estranhos, alienígenas.

O objeto no céu emitiu um feixe de luz, um raio branco e intenso que desceu em direção a ele. Elias não teve tempo de reagir. A luz o envolveu, uma sensação avassaladora de calor e frio ao mesmo tempo. Ele sentiu seu corpo ser erguido, levitado em direção à nave sombria. A esfera em sua mão parecia vibrar com mais intensidade, como se estivesse viva.

Antes que pudesse gritar, antes que pudesse compreender, Elias sentiu tudo escurecer. A última coisa que viu foi o sertão, o seu sertão, diminuindo abaixo dele, o ocre profundo se transformando em um borrão de cores sob a luz fria e alienígena. O eco distante das estrelas caídas finalmente o alcançara, e a sua vida, para sempre, seria transformada. Ele era Elias, o homem do sertão, e agora, ele estava partindo para um destino que nem mesmo as mais antigas lendas ousavam imaginar. O Último Sertão Cósmico o chamava, e ele não podia mais resistir.

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