O Último Sertão Cósmico

O Último Sertão Cósmico

por Alexandre Figueiredo

O Último Sertão Cósmico

Autor: Alexandre Figueiredo

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Capítulo 21 — O Despertar da Estrela Cadente

O silêncio que se seguiu à explosão de Lúcia era mais ensurdecedor que qualquer grito. Para Davi, cada segundo sem a voz dela, sem o brilho dos seus olhos que pareciam conter o universo, era um tormento. Ele a segurava nos braços, o corpo outrora vibrante agora inerte, a pele fria sob seus dedos calejados. A nave, a Estrela Cadente, que fora o palco de seus sonhos e de suas lutas, parecia agora um túmulo flutuante no vazio interestelar. As luzes de emergência piscavam, lançando sombras fantasmagóricas sobre os rostos apreensivos da tripulação restante: o sábio e estoico Zafir, a pragmática engenheira Kiara, e o jovem e assustado piloto, Renan.

"Não... não pode ser," Davi murmurou, a voz embargada pela dor. Ele apertou Lúcia contra si, como se pudesse injetar sua própria força vital nela, arrancá-la daquele abismo frio. O coração dele parecia ter parado junto com o dela. Ele a viu pela última vez, o sorriso desafiador, a coragem inabalável, enquanto se lançava contra a energia descontrolada que ameaçava consumir a nave. Ela se sacrificara. Por ele. Por todos. A compreensão o atingiu como um golpe físico, fazendo-o ofegar. O amor que sentia por Lúcia era um sol em seu peito, e agora essa estrela se extinguia, deixando apenas a escuridão.

Zafir se aproximou, os olhos profundos transbordando de uma compaixão que apenas um ser que viveu milênios poderia expressar. "Davi, meu amigo," começou ele, a voz grave e ressonante, mas trêmula. "Precisamos ser fortes. Lúcia não gostaria de nos ver assim."

"Ser forte? Como eu posso ser forte, Zafir?" Davi rosnou, o desespero se transformando em raiva. Ele olhou para as mãos, as mesmas que haviam guiado a Estrela Cadente através de tempestades cósmicas, que haviam acariciado o rosto de Lúcia em incontáveis noites estreladas. Agora, elas pareciam inúteis, incapazes de trazer de volta a vida que tanto amava. "Ela se foi. Ela se foi por minha causa!"

Kiara, com a armadura levemente chamuscada, mas o olhar firme, colocou uma mão reconfortante no ombro de Davi. "Davi, não diga isso. Lúcia fez uma escolha. A escolha dela foi salvar a todos nós. Ela era uma guerreira, sempre foi." A engenheira, normalmente tão focada em números e mecanismos, demonstrava uma emoção rara, o brilho de lágrimas contidas em seus olhos. A perda de Lúcia, a mentora que a ensinara a amar o universo com a mesma intensidade, a afetava profundamente.

Renan, o mais jovem da tripulação, apenas conseguia chorar em silêncio, encolhido em um canto. Ele vira Lúcia crescer, ela era como uma irmã mais velha para ele, uma figura de esperança e força. Agora, essa esperança parecia ter sido esmagada junto com a vida dela.

"Precisamos enterrá-la," Zafir disse, a voz firme, mas suave. "Com as honras que ela merece. No coração da Nebulosa Sombria, onde as estrelas cantam canções de despedida."

Davi levantou a cabeça abruptamente, o olhar furioso. "Enterrar? Zafir, você não entende! Ela não pode ir. Ela é Lúcia! Ela é a chama que nos guia!" A ideia de um funeral, de dar adeus a ela, era insuportável. Era como aceitar a verdade cruel que se recusava a encarar.

"Davi," Zafir insistiu, pegando gentilmente o rosto dele. "O corpo dela pode ter partido, mas o espírito dela... o amor dela... isso é eterno. Ela está em cada estrela que vemos, em cada sopro de vida que nos resta."

Aquele toque, a sabedoria nos olhos de Zafir, a dedicação em seus companheiros, começaram a penetrar na muralha de dor que Davi havia erguido. Ele olhou para Lúcia uma última vez, o rosto sereno na luz fraca. Sim, ela se fora. Mas ela se fora lutando, ela se fora salvando. E essa era a essência de Lúcia.

Com um suspiro profundo que parecia esvaziar sua alma, Davi assentiu. "Tudo bem, Zafir. O coração da Nebulosa Sombria." Ele beijou a testa fria de Lúcia. "Você terá o enterro mais bonito, meu amor. E a sua luz... a sua luz nunca se apagará."

A cerimônia foi realizada no convés principal da Estrela Cadente, com a vastidão da Nebulosa Sombria como pano de fundo. Zafir recitou poemas antigos, cantou canções que falavam de ciclos de vida e morte, de amor que transcende o tempo. Kiara, com a habilidade que a caracterizava, projetou um holograma de Lúcia, sorrindo, dançando, viva. Renan, com a voz embargada, leu uma carta que havia escrito para ela, expressando toda a admiração e o carinho que sentia.

Davi, com o coração ainda em frangalhos, segurou um pequeno cristal que Lúcia sempre usava em seu colar. Era um fragmento de uma estrela caída, ela dizia que continha a esperança. Agora, ele entendia o porquê. Ele o ergueu, permitindo que a luz fraca da nebulosa o banhasse. "Lúcia," ele disse, a voz forte e clara, ressoando pelo convés. "Você era a minha estrela guia. E agora, você é a minha estrela eterna. Sua coragem nos inspirou. Seu amor nos uniu. E sua memória nos guiará para sempre."

Ele liberou o cristal, e ele flutuou suavemente para o coração da Nebulosa Sombria, um ponto de luz cintilante que parecia encontrar seu lugar entre as galáxias distantes. Todos os olhares seguiram o cristal até que ele se perdeu na imensidão.

Quando o último vestígio de luz do cristal desapareceu, Davi sentiu uma mudança sutil. Não era a ausência de dor, essa ainda estava lá, profunda e lancinante. Era algo mais. Uma força. Uma resolução. O sacrifício de Lúcia não seria em vão. O inimigo que a tirara dele, a força que ameaçava destruir tudo o que eles amavam, ainda estava lá fora. E agora, Davi lutaria não apenas por si mesmo, mas por ela. Pelo legado dela. Pelo último sertão cósmico que ela tanto amava. Ele se virou para sua tripulação, os olhos agora ardendo com uma nova determinação.

"Vamos continuar," ele declarou, a voz firme. "Vamos honrar a Lúcia. Vamos encontrar o que ela buscava. E vamos garantir que o sacrifício dela não seja esquecido."

A Estrela Cadente, manchada pela tragédia, mas impulsionada pela esperança, continuou sua jornada. A dor ainda era um fantasma na cabine, mas a chama de Lúcia, a estrela cadente que ela fora, agora ardia mais forte do que nunca no coração de Davi. Ele a amava mais do que a própria vida, e essa era uma verdade que nem mesmo a morte poderia apagar. Ele olhou para o vazio à frente, um misto de tristeza e uma força recém-descoberta pulsando em suas veias. O sertão cósmico era vasto e perigoso, mas agora, ele tinha um propósito ainda maior do que antes.

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