O Último Sertão Cósmico

Capítulo 23 — Os Guardiões do Vazio

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 23 — Os Guardiões do Vazio

O tremor que sacudiu as ruínas de Xylos não foi um simples abalo sísmico. Foi um prenúncio, uma declaração de guerra. Davi e Zafir trocaram olhares apreensivos, a atmosfera carregada de uma tensão que nada tinha a ver com a energia ancestral do planeta. As palavras de Kiara ecoavam em seus comunicadores: "Naves não identificadas. Hostis."

"Eles chegaram," Zafir murmurou, seus olhos penetrantes varrendo o céu escuro através das rachaduras no teto da câmara subterrânea. "Os guardiões do Vazio."

"Kiara, Renan, preparem a Estrela Cadente para o combate!" Davi ordenou, a voz firme, canalizando a urgência da situação. Ele sentiu um aperto no peito, a lembrança da morte de Lúcia, o medo de perder mais alguém. "Zafir, podemos usar o artefato de alguma forma? Para nos defender?"

O velho sábio franziu a testa, analisando o Coração Negro pulsante. "Destruí-lo seria impensável. Mas talvez possamos canalizar uma fração de sua energia, criar um campo de contenção temporário. Os Xylosianos certamente tinham métodos para modular essa força. Se conseguirmos decifrar suas inscrições..."

Enquanto Zafir se debruçava sobre os hieróglifos antigos, Davi sentiu uma energia fria e penetrante emanar do Coração Negro. Era um presságio, uma advertência. As naves que se aproximavam não eram apenas militares; eram portadoras de uma ideologia, de uma devoção ao Vazio.

No espaço acima, a Estrela Cadente se preparava para o pior. Renan, com as mãos firmes nos controles, sentiu a adrenalina tomar conta. Ele havia treinado para isso, mas a magnitude do desafio era assustadora. Kiara trabalhava freneticamente nos sistemas de defesa, ajustando os escudos e as armas, seu rosto iluminado pelo brilho dos consoles.

"Eles são rápidos, Capitão," Renan relatou, a voz tensa. "E numerosos. Devem ser pelo menos uma dúzia de naves de assalto. E outra nave maior, parece um cruzador de guerra."

"Escudos em máxima! Preparem os torpedos de plasma," Kiara ordenou, a determinação em sua voz mascarando o medo. Ela sabia que a Estrela Cadente, apesar de modificada, não era uma nave de combate primária. Sua força residia na exploração e na diplomacia, não na guerra.

No subterrâneo, Zafir soltou um grito de triunfo. "Consegui! Pelo menos em parte. As inscrições revelam um método para usar o Coração Negro como um escudo de energia. Mas ele absorve muita força vital para ser sustentado por muito tempo."

"Tempo é o que não temos," Davi retrucou. Ele olhou para a criatura bioluminescente, que agora pairava perto do Coração Negro, parecendo monitorar a energia. "Essa criatura... ela é uma guardiã?"

"Parece ser. Uma guardiã biológica, criada pelos Xylosianos para interagir com o artefato. Talvez ela possa nos ajudar a canalizar a energia."

Com um movimento rápido, Davi estendeu a mão em direção à criatura. Ela hesitou por um momento, então flutuou em direção a ele, pousando suavemente em seu dedo. Uma onda de informações, de sentimentos, de memórias antigas, invadiu a mente de Davi. Ele viu a ascensão e a queda de Xylos, a luta contra o Vazio, o sacrifício dos Xylosianos para conter a escuridão. Ele sentiu a dor deles, a esperança desesperada de proteger o universo.

"Eles não eram os criadores do Vazio," Davi sussurrou, a voz embargada. "Eles eram os primeiros a enfrentá-lo. E eles o contiveram aqui, em Xylos, para que não se espalhasse."

"Mas agora, a contenção está enfraquecendo," Zafir completou. "E aqueles que o adoram vieram para libertá-lo."

No espaço, o ataque começou. As naves hostis dispararam com uma ferocidade implacável. A Estrela Cadente girava e desviava, os escudos tremeluzindo sob o impacto dos disparos. Renan lutava bravamente para manter a nave longe do fogo inimigo, enquanto Kiara tentava retaliar com precisão, escolhendo alvos estratégicos.

"Escudos em 40%!" Kiara gritou. "A nave principal está concentrando fogo em nós!"

"Estou tentando, Kiara! Mas eles são muitos!" Renan respondeu, a voz tensa.

A nave principal, uma monstruosidade de metal escuro e pontiagudo, disparou um raio de energia concentrada que atingiu os escudos da Estrela Cadente com força devastadora. A nave tremeu violentamente, as luzes piscando.

"Capitão, precisamos de sua ajuda! Estamos perdendo a batalha!" Kiara implorou.

No subterrâneo, Davi sentiu a necessidade de agir. Ele olhou para Zafir, para o Coração Negro, para a pequena criatura em sua mão. "Zafir, prepare-se para ativá-lo. Eu vou tentar dar cobertura."

Davi saiu da câmara subterrânea, a criatura bioluminescente ainda em sua mão. Ele correu em direção ao módulo de pouso, sentindo os impactos das explosões no solo. Ao chegar, ele embarcou e decolou, a criatura agora emitindo um brilho mais intenso.

"Kiara, Renan, estou saindo do planeta. Estão prontos para a minha assistência?"

"Davi! Onde você está?" Kiara perguntou, aliviada.

"Estou indo para o seu resgate. Ativem o modo de projeção de energia. Zafir está ativando o Coração Negro."

Enquanto Davi manobrava o módulo de pouso em direção à Estrela Cadente, a criatura em sua mão começou a pulsar com uma luz ofuscante. O Coração Negro, nas mãos de Zafir, também começou a emitir uma onda de energia fria e poderosa. No espaço, um escudo de energia azul-esverdeada, opaca e cintilante, começou a envolver a Estrela Cadente.

As naves inimigas pararam seus ataques, confusas. O raio de energia da nave principal ricocheteou no novo escudo, incapaz de penetrá-lo.

"O que é isso?" um dos pilotos inimigos gritou em uma frequência aberta. "O Vazio nos protege!"

"Não é o Vazio," Davi respondeu, a voz amplificada pelos sistemas de comunicação. "É a esperança que ele tenta apagar. É a memória daqueles que lutaram antes de nós."

O escudo era potente, mas instável. Davi sentiu a energia vital se esvaindo dele, um preço a ser pago. A criatura em sua mão parecia se esgotar, seu brilho diminuindo.

"Está enfraquecendo, Capitão!" Kiara alertou. "Não vamos conseguir mantê-lo por muito tempo!"

As naves inimigas, percebendo a instabilidade do escudo, recomeçaram o ataque com fúria renovada. Mas desta vez, a Estrela Cadente estava pronta. Renan, com uma precisão aprimorada pela urgência, disparou uma salva de torpedos de plasma, atingindo o cruzador principal. Um dos motores da nave inimiga explodiu em uma cascata de faíscas.

"É a nossa chance!" Davi gritou. "Renan, mire nos motores! Kiara, use toda a energia restante!"

Sob o comando de Davi, e impulsionados pela energia desesperada do Coração Negro, a Estrela Cadente revidou. Renan, com uma manobra ousada, colocou a nave em posição para um ataque direto. Kiara, concentrando toda a potência restante nos canhões de energia, disparou um feixe concentrado que atingiu o coração da nave principal.

Houve uma explosão ensurdecedora. O cruzador de guerra inimigo se desintegrou em milhares de pedaços incandescentes, espalhando-se pela escuridão. As naves menores, sem seu líder, hesitaram por um momento, confusas.

"Eles estão recuando!" Renan exclamou, aliviado.

"Não para sempre," Zafir disse, a voz fraca, vindo do comunicador. Ele emergiu das ruínas, cambaleando, a criatura bioluminescente agora apenas um ponto de luz fraco em sua mão. O Coração Negro, de volta à câmara, pulsava com menos intensidade.

Davi pousou o módulo de pouso ao lado da Estrela Cadente, correndo para ajudar Zafir. "Você está bem, Zafir?"

"Estou fraco, mas vivo," o sábio respondeu, sorrindo fracamente. "A energia do Coração Negro é uma bênção e uma maldição. Os Xylosianos pagaram um preço alto para mantê-la contida."

Kiara e Renan se juntaram a eles, os rostos marcados pela exaustão e pela adrenalina. "Conseguimos," Kiara disse, um misto de alívio e descrença em sua voz.

"Por enquanto," Davi corrigiu, olhando para as estrelas onde as naves inimigas haviam desaparecido. "Eles sabem que estamos aqui. E eles sabem sobre o Coração Negro. A batalha por Xylos foi apenas o começo." Ele olhou para o Coração Negro, agora quieto em sua câmara. A energia que Lúcia lutou, que os Xylosianos tentaram conter, que os guardiões do Vazio buscavam libertar, era a chave para tudo. E ele, Davi, agora carregava o peso dessa responsabilidade. A memória de Lúcia ardia em seu peito, uma chama que o impulsionava a continuar.

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