O Último Sertão Cósmico

Claro, vamos mergulhar de volta no universo de "O Último Sertão Cósmico"!

por Alexandre Figueiredo

Claro, vamos mergulhar de volta no universo de "O Último Sertão Cósmico"!

Capítulo 6 — O Labirinto de Sussurros e a Canção da Poeira

O sol gêmeo de Xylos, um brilho pálido e alaranjado que mal conseguia romper a névoa densa que pairava sobre a Cidade Sussurrante, banhava as ruas em uma luz fantasmagórica. A poeira, onipresente, dançava em feixes etéreos, cada partícula carregando fragmentos de histórias não contadas, ecos de eras perdidas. Elara, com a armadura de ferro que agora lhe parecia uma segunda pele, sentia o peso daquele mundo sobre os ombros. A conversa com Kael nos confins do Mercado das Sombras ainda ecoava em sua mente, um chamado para um perigo que ela ainda não compreendia totalmente, mas que sentia em cada fibra do seu ser.

"Tem certeza disso, Elara?", a voz de Jax, rouca e carregada de preocupação, quebrou o silêncio úmido. Ele ajustava a alça de sua mochila, os olhos inquietos varrendo os becos empoeirados. "As Ruínas do Eco são perigosas. Dizem que nem mesmo os Guardiões se aventuram por lá sem motivo."

Elara assentiu, o olhar fixo em um ponto distante, onde os edifícios em ruínas se erguiam como dentes quebrados contra o céu opaco. "Kael disse que a resposta está lá. A resposta sobre a minha memória, sobre o que aconteceu com os meus pais. E ele também disse que algo antigo está despertando." Ela apertou os punhos, os nós dos dedos brancos. "Não posso mais fugir disso, Jax."

Jax suspirou, um som abafado pela poeira. Ele conhecia Elara há tempo suficiente para saber que, uma vez que ela tomava uma decisão, era quase impossível fazê-la mudar de ideia. Ele era um mercenário, um sobrevivente, acostumado a riscos calculados. Mas a cada dia que passava ao lado de Elara, ele sentia a teia de algo maior se apertando ao redor dele, algo que transcendia a mera sobrevivência.

"Certo", ele disse, com um leve sorriso irônico. "Onde vamos primeiro? O mapa que Kael nos deu é mais um rabisco de um bêbado do que um guia."

O mapa, que Kael lhes entregara com uma risada baixa e enigmática, era realmente um emaranhado de linhas tortas e símbolos indecifráveis. Mas um ponto específico, marcado com uma tinta que parecia vibrar suavemente, indicava o início do labirinto. Era um lugar conhecido pelos habitantes mais antigos da Cidade Sussurrante como o "Ninho dos Ecos", um ponto de entrada para as Ruínas do Eco.

Enquanto caminhavam, a paisagem urbana mudava sutilmente. Os edifícios, antes apenas desgastados, agora exibiam rachaduras profundas, estruturas em colapso. O som predominante não era mais o sussurro humano, mas um murmúrio constante, como se o próprio ar estivesse falando consigo mesmo. Era o som da poeira, da pedra, da memória que se desfazia e se recomponha de maneiras estranhas.

"Você já sentiu isso antes?", Elara perguntou, parando de repente. Ela fechou os olhos, concentrada. "Esse... zumbido? É como se tudo aqui estivesse vivo, mas de uma forma que não consigo entender."

Jax ergueu uma sobrancelha. "Vivo? Parece mais com uma cidade moribunda para mim. Mas essa poeira... às vezes, quando o vento sopra de um jeito específico, parece que ouço vozes. Coisas que não consigo entender." Ele balançou a cabeça. "Deve ser o efeito da poeira. Kael disse que ela pode brincar com a mente."

"Ou talvez Kael saiba mais do que diz", Elara retrucou, o tom mais sombrio. Ela lembrava-se da maneira como ele a observara, com aqueles olhos antigos, como se visse através dela.

Chegaram a uma praça desolada, onde a estrutura central era um obelisco quebrado, coberto de glifos irreconhecíveis. Ao redor, os prédios se inclinavam uns contra os outros, formando um gargalo estreito que se perdia na escuridão. A névoa parecia mais espessa ali, e o murmúrio se intensificou, transformando-se em um coro de vozes indistintas.

"Este é o Ninho dos Ecos", Elara disse, consultando o mapa. "A entrada para o labirinto."

Jax olhou para a escuridão à frente, sua mão instintivamente indo para o cabo de sua pistola laser. "Parece um lugar onde se perde mais do que se encontra."

Eles entraram. O ar ficou mais frio, mais denso. A luz dos sóis gêmeos mal penetrava ali, e logo eles precisaram acender as lanternas de seus capacetes. O labirinto se abria diante deles, uma teia intrincada de corredores estreitos e câmaras abandonadas. A poeira parecia se acumular em camadas, cobrindo o chão, as paredes, o teto, dando a impressão de que estavam caminhando dentro de um ser vivo e adormecido.

Os sussurros se tornaram mais claros, embora ainda fragmentados. Eram frases soltas, trechos de conversas, gritos abafados, melodias esquecidas. "…o céu caiu…", "…a canção da poeira…", "…eles vêm…", "…lembre-se…". Elara sentia uma estranha familiaridade com alguns desses sons, como se fossem fragmentos de sonhos que ela já tivera.

"Isso é loucura", Jax murmurou, ofegante. "Parece que estamos sendo observados por fantasmas."

De repente, Elara parou, olhando para uma parede coberta de grafites antigos. Sob a camada de poeira, ela conseguiu distinguir um símbolo que ela conhecia muito bem: o selo de sua família, o falcão em pleno voo. Era idêntico ao que estava gravado na pulseira que ela usava, uma relíquia de seus pais.

"Jax, olhe!" ela exclamou, apontando.

Jax se aproximou, a lanterna iluminando o símbolo. "O que é isso?"

"É o selo da minha família. Eu… eu não sabia que ele tinha sido usado aqui." Uma onda de emoção a atingiu. Seus pais estiveram ali? Por quê?

Enquanto ela tocava o símbolo, uma seção da parede, que parecia sólida, cedeu levemente, revelando uma passagem escondida. A luz da lanterna iluminou um corredor mais estreito, com paredes que pareciam feitas de um material diferente, mais polido, quase vítreo.

"Parece que a sua família sabia deste lugar", Jax observou, com um tom de admiração misturada a cautela.

Eles avançaram pela passagem secreta. Os sussurros aqui eram mais suaves, quase musicais. Eram melodias melancólicas, cantadas em uma língua que Elara não reconhecia, mas que ressoava em sua alma. A poeira aqui parecia diferente, mais fina, quase cintilante.

"Isso… isso é a canção da poeira?", Elara sussurrou, o coração batendo forte.

A melodia se intensificou, levando-os mais fundo no labirinto. De repente, a passagem se abriu em uma vasta câmara. No centro, em um pedestal de pedra negra, havia um artefato. Era um orbe translúcido, pulsando com uma luz suave, que parecia conter a própria poeira cintilante que eles viram. A música emanava dele.

Quando Elara se aproximou, a música mudou. Tornou-se mais intensa, mais pessoal. Fragmentos de imagens começaram a surgir na superfície do orbe: rostos, lugares, eventos que ela não conseguia decifrar completamente, mas que a deixavam com uma sensação profunda de familiaridade e saudade. Eram memórias.

"São as minhas memórias…", ela disse, a voz embargada. "Estão aqui."

Jax permaneceu na entrada da câmara, observando Elara com apreensão. A energia que emanava do orbe era palpável, quase esmagadora. Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

"Cuidado, Elara", ele avisou. "Isso pode ser uma armadilha."

Mas Elara não o ouvia. Ela estava hipnotizada pelo orbe, estendendo a mão trêmula para tocá-lo. No momento em que seus dedos roçaram a superfície fria e pulsante, uma torrente de luz a envolveu. As imagens no orbe se aceleraram, formando uma narrativa fragmentada de sua infância: um abraço caloroso de sua mãe, o sorriso de seu pai, um dia ensolarado em um lugar que ela não reconhecia, mas que sentia como lar. E então, a escuridão. Um som de explosão, gritos, e um sentimento avassalador de perda.

Ela ofegou, recuando. A luz se dissipou, e a música retornou ao seu murmúrio melancólico. O orbe voltou ao seu estado de pulsação suave. Elara estava tremendo, as lágrimas escorrendo por seu rosto empoeirado.

"Eu… eu vi", ela disse, a voz embargada. "Vi os meus pais. Vi… o que aconteceu. Mas não foi aqui. Foi em outro lugar."

Jax correu até ela, preocupado. "Elara! O que foi? Você está bem?"

Ela olhou para ele, os olhos cheios de uma dor antiga e recém-descoberta. "Eu me lembro de pouco, Jax. Um flash. Mas sei que eles se foram. E eu… eu fui trazida para cá."

De repente, o chão tremeu. Os sussurros na câmara se transformaram em um rugido dissonante. As paredes começaram a rachar, e a poeira cintilante no ar se agitou violentamente.

"O que está acontecendo?", Jax gritou, a pistola em punho.

Uma sombra colossal começou a se formar no centro da câmara, emergindo da própria poeira. Não era uma sombra física, mas uma distorção no espaço, uma presença que emanava uma aura de pura ameaça. No meio da sombra, um olho único e vermelho se abriu, fixando-se neles.

"Parece que acordamos algo que era melhor deixar dormindo", Jax disse, o tom tenso.

Elara, apesar do medo, sentiu uma resolução nova. Aquilo ali, aquela coisa terrível, estava ligada à sua memória, à sua família. Ela não podia fugir.

"Não vamos fugir, Jax", ela disse, a voz firme, agarrando a sua espada. "Vamos enfrentar."

A sombra rugiu, e os ecos das ruínas responderam. A batalha pelo último sertão cósmico estava apenas começando, e o labirinto de sussurros se tornara o palco de uma nova e aterradora revelação.

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