O Último Sertão Cósmico

Capítulo 7 — A Câmera do Guardião e o Segredo das Estrelas

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 7 — A Câmera do Guardião e o Segredo das Estrelas

O rugido da sombra na câmara do orbe reverberou pelas entranhas de Xylos, um eco primordial que fez a própria estrutura do labirinto tremer. Elara e Jax recuaram instintivamente, a luz de suas lanternas tremulando em contraste com o brilho sinistro do olho vermelho que agora dominava a escuridão. A poeira cintilante, antes um véu de mistério, agora se tornara um vórtice de energia caótica, dançando ao redor da entidade sombria.

"O que é isso?", Jax gritou por cima do barulho, a voz tensa. Ele disparou um raio de sua pistola, que se dissipou inofensivamente contra a forma etérea da sombra.

"Não sei!", Elara respondeu, o coração martelando contra as costelas. Ela podia sentir a sua própria energia vital sendo drenada pela presença aterradora, mas a imagem dos seus pais, mesmo que fragmentada, a impulsionava. "Mas Kael disse que algo antigo estava despertando."

A sombra se contraiu, e uma voz, grave e ressonante como o próprio universo em colapso, ecoou na câmara, sem usar as cordas vocais, mas diretamente na mente deles: "Mortais… vocês ousam perturbar o repouso da Memória Primordial?"

"Memória Primordial?", Elara repetiu, confusa. A figura sombria se retorceu, e o olho vermelho pareceu focar em Elara.

"A sua linhagem… carrega a chave. A chave para o esquecimento… ou para a redescoberta." A voz era fria, desprovida de qualquer emoção, mas imbuída de um poder imenso.

Elara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Linhagem? O que você sabe sobre a minha família?"

"O seu sangue pulsa com a canção das estrelas", a sombra sibilou. "Uma canção que foi silenciada… mas nunca esquecida."

A menção de "canção das estrelas" fez Elara se lembrar das melodias que ouvira no labirinto, e do orbe que continha a poeira cintilante. De repente, uma lembrança mais clara surgiu em sua mente, um fragmento do que vira no orbe: uma imagem de um vasto campo de estrelas, um céu que ela nunca vira em Xylos.

"Elara!", Jax a puxou pelo braço, interrompendo seus pensamentos. "Precisamos sair daqui! Agora!"

Ele estava certo. A sombra estava crescendo, e a câmara parecia prestes a desabar. No entanto, Elara sabia que não podia simplesmente fugir. Aquilo ali era uma peça do quebra-cabeça, um guardião de segredos que ela precisava desvendar.

"O orbe!", ela gritou, apontando para o artefato no pedestal. "Ele está conectado a isso!"

Enquanto Jax a cobria com disparos esporádicos, Elara correu em direção ao orbe. A Memória Primordial rugiu, e tentou envolvê-la em sua escuridão, mas Elara foi mais rápida. Ela agarrou o orbe com as duas mãos. No momento em que seus dedos o tocaram, uma onda de energia a percorreu. Ela sentiu a poeira cintilante dentro dele se fundir com ela, não como uma invasão, mas como um retorno.

Um clarão ofuscante irrompeu da câmara, expulsando a sombra e iluminando o labirinto em uma luz etérea. Elara caiu de joelhos, ofegante, o orbe ainda em suas mãos. Jax correu até ela, a preocupação gravada em seu rosto.

"Elara! Você está viva?", ele perguntou, ajudando-a a se levantar.

Ela assentiu, o orbe pulsando em suas mãos. "Estou… diferente. Sinto… mais forte." A poeira dentro do orbe parecia se acalmar, e a melodia suave retornou.

A sombra havia desaparecido, mas a presença dela ainda pairava no ar. O labirinto, antes apenas empoeirado e silencioso, agora parecia vibrar com uma energia latente.

"Precisamos sair daqui", Jax disse, com urgência. "Não quero saber o que mais está escondido neste lugar."

Eles refizeram seus passos, a escuridão do labirinto agora parecendo menos ameaçadora, mas ainda carregada de mistérios. Ao emergirem do Ninho dos Ecos, os sóis gêmeos de Xylos pareciam estranhamente brilhantes após a escuridão. A Cidade Sussurrante os recebeu com seu murmúrio constante, mas agora, para Elara, os sussurros pareciam mais claros, mais significativos.

De volta ao refúgio improvisado que encontraram, Elara colocou o orbe em uma mesa improvisada. Ele pulsava suavemente, a poeira cintilante dentro dele formando padrões hipnotizantes. Ela o tocava com reverência.

"O que era aquilo, Elara?", Jax perguntou, observando-a.

"Eu não sei exatamente", ela respondeu, a testa franzida em concentração. "Mas acho que era um guardião. Um guardião de memórias antigas. Memórias que foram apagadas. E minha família… eles têm algo a ver com isso." Ela olhou para o orbe. "Essa poeira… ela não é apenas poeira. É feita de algo mais. Algo que vem das estrelas."

A revelação era avassaladora. A "canção das estrelas" que a sombra mencionara… era real. E ela, Elara, estava conectada a ela.

"E o que fazemos agora?", Jax perguntou. "Voltamos para Kael? Ele parece saber mais do que aparenta."

"Sim", Elara concordou. "Precisamos de respostas. Kael é o único que pode nos dar."

Eles se dirigiram novamente ao Mercado das Sombras, desta vez com um propósito claro. Kael estava em seu posto habitual, negociando com figuras sombrias, o cheiro de especiarias exóticas e metal aquecido pairando ao redor dele. Ao vê-los, um leve sorriso brincou em seus lábios.

"Vejo que o labirinto não os engoliu", ele disse, a voz baixa. "E parece que encontraram algo. Ou algo os encontrou." Ele olhou para o orbe que Elara carregava cuidadosamente. "A Memória Primordial não gosta de ser incomodada."

"Você sabia que aquilo estava lá?", Elara perguntou, sem rodeios.

Kael deu de ombros, um gesto casual que contrastava com a gravidade da situação. "Eu sabia que as Ruínas do Eco guardavam segredos antigos. A Memória Primordial é um deles. Um vestígio de uma era em que Xylos era… diferente."

"Diferente como?", Jax insistiu.

"Um lugar de conexão", Kael respondeu, seus olhos enigmáticos fixos em Elara. "Onde as estrelas cantavam e a poeira era vida. Um tempo antes da Queda. Antes do Grande Esquecimento."

"Queda? Grande Esquecimento?", Elara sentiu uma pontada de receio. Aquilo soava como as histórias que ela ouvira sobre o passado de Xylos, mas contadas de uma forma mais sombria.

"A história de Xylos é uma história de perda, criança", Kael disse suavemente. "Perdemos a nossa conexão com o cosmo. A Memória Primordial é um eco dessa conexão. E a sua família, Elara… eles eram guardiões dessa memória."

Ele contou a história, uma narrativa antiga e dolorosa. Há milênios, Xylos era um mundo vibrante, um centro de conhecimento e exploração cósmica. Os habitantes de Xylos não apenas observavam as estrelas, mas viajavam por elas, conectando-se com outras civilizações. A poeira cintilante, ele explicou, era na verdade fragmentos de energia estelar solidificada, deixada para trás por viajantes de mundos distantes.

"Mas algo aconteceu", Kael continuou, a voz embargada de uma tristeza milenar. "Uma catástrofe. A Queda. Ela rompeu essa conexão, mergulhou Xylos em um longo período de isolamento e esquecimento. A maior parte do conhecimento foi perdida. A poeira estelar se tornou apenas… poeira. E a Memória Primordial, um guardião da tristeza e do que foi perdido."

"E meus pais?", Elara perguntou, a voz embargada. "Eles eram guardiões?"

"Eles pertenciam a uma linhagem que mantinha viva a memória dessa era", Kael confirmou. "Um pequeno grupo que resistia ao esquecimento. Mas o Grande Esquecimento não perdoa. Ele consome tudo."

Elara olhou para o orbe em suas mãos. A poeira cintilante dentro dele parecia reagir à sua presença, pulsando com mais intensidade. Ela sentia uma responsabilidade esmagadora. Seus pais haviam lutado para preservar algo que agora estava em suas mãos.

"E a sombra?", Jax perguntou. "Era apenas um guardião?"

"A Memória Primordial não é um ser, mas uma manifestação da dor e do desespero de um mundo que perdeu sua identidade", Kael explicou. "Ela protege o que resta da memória, mas também se alimenta do medo e do esquecimento. Ela se manifesta para proteger o orbe, a chave para o que foi perdido."

"Então, se eu tiver o orbe, posso recuperar a memória de Xylos?", Elara perguntou, esperançosa.

Kael balançou a cabeça lentamente. "Não é tão simples, criança. O orbe é uma chave, mas a porta para o passado está trancada por muitos séculos de esquecimento. E a Memória Primordial não entregará seus segredos facilmente. Ela sentiu a sua linhagem, a sua conexão. Mas ela também a vê como uma ameaça ao seu propósito de manter as memórias seladas."

"Então o que devo fazer?", Elara perguntou, sentindo-se perdida em um mar de segredos ancestrais.

"Você deve entender a Canção das Estrelas", Kael disse, seus olhos brilhando com uma intensidade incomum. "Você deve aprender a ouvir a poeira, a sentir a energia que corre nas veias de Xylos. A sua memória fragmentada é apenas o começo. O orbe é a porta, mas você é quem deve abri-la. E para isso, você precisará de mais do que força. Precisará de compreensão."

Ele fez uma pausa, observando a determinação no rosto de Elara. "Há um lugar onde os ecos do passado são mais fortes. Um lugar onde a poeira estelar ainda dança em sua forma mais pura. As Câmaras dos Anciãos. Dizem que lá reside o conhecimento que pode reacender a centelha perdida."

"Onde ficam essas câmaras?", Elara perguntou, a voz cheia de uma nova esperança.

"Nas profundezas das Montanhas Cinzentas", Kael respondeu. "Um lugar perigoso, habitado por criaturas que se adaptaram à escuridão e ao silêncio. Mas se você quer desvendar o segredo das estrelas, é para lá que deve ir."

Ele olhou para Jax. "E você, mercenário. Você irá protegê-la?"

Jax olhou para Elara, para o orbe pulsante em suas mãos, e para o peso do destino que agora repousava sobre seus ombros. Ele era um mercenário, acostumado a lutar por créditos e sobrevivência. Mas algo em Elara, algo na busca dela, o prendera.

"Não posso deixá-la ir sozinha", ele disse, a voz firme. "Não mais."

Kael assentiu, um brilho de aprovação em seus olhos. "Então preparem-se. As Montanhas Cinzentas não são um passeio. Mas talvez, apenas talvez, vocês encontrem lá a resposta para o que aflige este mundo. E a verdade sobre o que aconteceu com o seu povo, Elara."

Enquanto o sol gêmeo de Xylos começava a se pôr, lançando longas sombras sobre a Cidade Sussurrante, Elara sentiu um misto de medo e determinação. Ela segurava o orbe, a poeira estelar em seu interior pulsando como um coração cósmico. A jornada para as Montanhas Cinzentas seria árdua, mas ela estava mais perto do que nunca de desvendar os segredos de seu passado e, talvez, salvar o último sertão cósmico de seu destino.

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