O Último Sertão Cósmico
Capítulo 9 — A Emboscada da Corporação Nova Terra e a Fúria Estelar
por Alexandre Figueiredo
Capítulo 9 — A Emboscada da Corporação Nova Terra e a Fúria Estelar
O silêncio reverente das Câmaras dos Anciãos foi brutalmente dilacerado pelo som metálico e estridente dos drones de combate. A luz suave dos cristais e do lago subterrâneo foi ofuscada pelo brilho sinistro dos sensores ópticos vermelhos que agora varriam a caverna, como olhos de predadores em busca de sua presa. Elara apertou o orbe em suas mãos, sentindo a energia estelar que emanava dele responder à ameaça iminente com uma pulsação mais rápida e intensa.
"Corporação Nova Terra?", Jax rosnou, a voz tensa. Ele reconheceu o nome. Eram uma facção expansionista, conhecida por sua brutalidade e tecnologia avançada, que há anos vagava pelas fronteiras do espaço conhecido, anexando mundos sem hesitação. "Eles devem ter rastreado a energia do orbe."
"Eles não vão tirar isso de mim", Elara declarou, a voz firme, apesar do medo que começava a se instalar em seu peito. Ela sentia a força da memória estelar crescendo dentro dela, uma fúria ancestral que a impulsionava.
As figuras metálicas avançaram. Eram uma força de ataque bem equipada, seus corpos blindados, armados com feixes de energia e lâminas vibratórias. A caverna, antes um santuário de conhecimento, transformou-se em um campo de batalha.
Jax disparou seu raio laser, atingindo um dos drones no torso, que explodiu em uma chuva de faíscas. Mas para cada drone que caía, dois surgiam das sombras. A arquitetura intrincada das Câmaras dos Anciãos, com seus corredores estreitos e formações rochosas, tornava a luta um desafio tático.
Elara, com o orbe em uma mão e sua espada de energia na outra, lutava com uma ferocidade renovada. Ela não era mais apenas uma sobrevivente, mas uma guardiã. A memória estelar em seu sangue pulsava, guiando seus movimentos, antecipando os ataques dos drones. Ela sentia a energia dos cristais ao redor amplificando seu poder, uma simbiose inesperada.
Um drone saltou em sua direção, sua lâmina vibratória pronta para o ataque. Elara, em um movimento instintivo, ergueu o orbe. Uma onda de energia pura emanou do artefato, envolvendo a criatura metálica em um campo de força cintilante. O drone se contorceu, incapaz de resistir à força cósmica, e explodiu em uma nuvem de metal derretido.
"Incrível!", Jax exclamou, impressionado com a demonstração de poder.
"A Memória Primordial está reagindo", Elara disse, ofegante. "Ela protege o que é seu."
A luta se tornou mais intensa. Os drones, percebendo a ameaça que Elara representava, concentraram seus ataques nela. Jax lutava bravamente para mantê-los à distância, mas a superioridade numérica era esmagadora.
De repente, um dos drones conseguiu se aproximar de Elara e cravou uma garra metálica em seu braço, rasgando a armadura e a pele. Elara gritou de dor, mas não soltou o orbe. A energia estelar em seu sangue parecia ferver, uma resposta à agressão.
"Elara!", Jax gritou, correndo em sua direção, mas foi detido por uma barragem de disparos.
A dor fez Elara cambalear, mas também acendeu uma faísca de pura fúria estelar em seus olhos. Ela olhou para o drone que a ferira, e então para o orbe em sua mão. Ela concentrou toda a sua raiva, toda a sua dor, toda a memória de seu povo, em um único ponto.
"Vocês não vão roubar o que é nosso!", ela gritou.
Um feixe de luz branca e ofuscante irrompeu do orbe, tão intenso que fez os sensores ópticos dos drones falharem momentaneamente. A energia se expandiu, envolvendo não apenas o drone que a ferira, mas todos os drones na câmara. O metal rangia, as juntas se retorciam, e as criaturas mecânicas foram despedaçadas por uma força invisível, transformando a caverna em um cemitério de sucata.
Quando a luz se dissipou, Elara caiu de joelhos, o braço ferido latejando. Jax correu até ela, ajoelhando-se ao seu lado.
"Você está bem?", ele perguntou, examinando seu ferimento.
Elara assentiu fracamente. "Estou. A memória… ela me curou." Ela olhou para seu braço. O ferimento ainda estava lá, mas a pele ao redor parecia estar se regenerando rapidamente, como se a energia estelar estivesse reparando o dano.
A calma retornou à câmara, mas a tensão permaneceu. Eles sabiam que aquela não seria a última vez que enfrentariam a Corporação Nova Terra.
"Eles virão atrás de nós", Jax disse, observando os restos dos drones. "Não podemos ficar aqui."
Elara olhou para o orbe em suas mãos. A energia estelar ainda pulsava, mas de forma mais suave agora, como um coração sereno após uma explosão de raiva. "Precisamos sair daqui. Mas para onde?"
"Kael disse que Xylos está morrendo", Jax lembrou. "Talvez haja um lugar onde a energia vital do planeta ainda seja forte. Um lugar que a Corporação Nova Terra ainda não alcançou."
Elara pensou nas palavras de Kael, nas visões que ela tivera. "O último sertão cósmico… Kael mencionou um lugar assim. Um refúgio, onde os últimos ecos da vida em Xylos ainda ressoam."
"E onde fica esse refúgio?", Jax perguntou.
"Não tenho certeza", Elara admitiu. "Mas sinto que o orbe sabe. Ele é a chave. Ele pode nos guiar."
Eles decidiram deixar as Câmaras dos Anciãos, levando consigo o conhecimento recém-descoberto e a ameaça iminente da Corporação Nova Terra. Ao emergirem da montanha, o céu estava tingido de um vermelho alaranjado, o pôr do sol de Xylos anunciando o fim de um dia e o início de uma nova e perigosa jornada.
Enquanto caminhavam de volta para a Cidade Sussurrante, Elara sentia a poeira estelar em seu corpo mais forte do que nunca. Ela podia sentir a pulsação de Xylos, a vida que ainda resistia em seus cantos mais esquecidos. A Corporação Nova Terra queria controlar aquele mundo, explorar seus recursos, apagar sua história. Mas Elara, com a memória de seu povo correndo em suas veias, não permitiria.
Ao chegarem de volta à cidade, encontraram Kael esperando por eles em seu posto no Mercado das Sombras. Ele não parecia surpreso ao vê-los, mesmo com os restos de drones de combate espalhados pelo caminho.
"Eu esperava que eles chegassem", Kael disse, o olhar sombrio. "A Corporação Nova Terra não tolera segredos. E o conhecimento que vocês encontraram é um segredo que eles desejam controlar."
"Eles virão atrás de nós", Jax disse, o tom de alerta.
"Eles virão atrás de Xylos", Kael corrigiu. "Vocês despertaram a atenção deles. E o orbe em suas mãos é a prova de que este mundo ainda guarda algo de valor."
Elara mostrou o ferimento em seu braço. "A memória estelar me curou. Eu sinto a vida de Xylos dentro de mim agora."
Kael assentiu, um brilho de esperança em seus olhos. "Isso é bom. Pois o último sertão cósmico não pode ser defendido apenas com armas. Precisa de um coração que ressoe com a vida que ainda resta."
"Precisamos encontrar esse refúgio", Elara disse com determinação. "Onde a vida de Xylos ainda pulsa."
Kael olhou para o orbe em suas mãos, e depois para Elara. "Há lendas. Histórias sussurradas sobre um oásis escondido nas profundezas do Grande Deserto de Sal. Um lugar onde a água ainda corre e as plantas ainda florescem. Um lugar chamado 'O Jardim das Estrelas Cadentes'."
"O Jardim das Estrelas Cadentes...", Elara repetiu, sentindo uma ressonância familiar. A poeira estelar em seu corpo pareceu vibrar em resposta.
"É um lugar protegido por energias antigas. Talvez a Corporação Nova Terra não consiga encontrá-lo. E talvez lá, vocês encontrem as respostas sobre como defender Xylos. E sobre o que realmente aconteceu com o seu povo."
Kael então se aproximou de Elara e colocou uma mão em seu ombro. "A memória estelar em você é uma bênção, criança. Mas também é um fardo. Use-a com sabedoria. Pois o destino de Xylos pode depender de como você a usará."
Ele então olhou para Jax. "E você, mercenário. Você se tornou mais do que apenas um guarda-costas. Você se tornou um aliado. A lealdade que você demonstra é rara neste mundo sombrio."
Jax apenas assentiu, olhando para Elara com um respeito crescente. Ele viera a Xylos buscando algo, mas encontrara um propósito.
"O Grande Deserto de Sal é vasto e traiçoeiro", Kael continuou. "Mas o orbe será o seu guia. Ouça a poeira estelar, Elara. Ela o levará até lá."
Enquanto os sóis gêmeos de Xylos mergulhavam abaixo do horizonte, lançando sombras profundas sobre as ruínas da Cidade Sussurrante, Elara segurava o orbe, sentindo a promessa de vida em meio à desolação. A Corporação Nova Terra era uma ameaça real, mas a esperança de encontrar o Jardim das Estrelas Cadentes, e de desvendar os mistérios de seu próprio passado, a impulsionava adiante. A jornada para o último sertão cósmico estava longe de terminar, e o destino de Xylos parecia estar entrelaçado com o seu próprio.